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| A INFLUÊNCIA DA TERMINOLOGIA NA CONSTRUÇÃO DE MUNDOS: ANÁLISE DAS OBRAS DE BRANDON SANDERSON | |
| 1ANA CAROLINA FAGUNDES FERREIRA, 2LAURIE FERNANDA SILVA | |
| 1Estudante de Letras na Universidade Estadual de Maringá (UEM) 2Mestre em Educação pela Universidade do Oeste do Paraná (UNIOESTE) |
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| Introdução: A criação de mundos (worldbuilding), uma parte essencial da literatura de fantasia, depende muito de processos terminológicos que influenciam a visão do leitor sobre culturas, magias, mitologias e dinâmicas sociais e históricas que são imaginárias (Tavares, 2025). Neste contexto, Brandon Sanderson destaca-se por organizar novas unidades lexicais inéditas que formam narrativas, conforme demonstrado na pesquisa de ZIlio (2021) sobre The Stormlight Archive. A importância de explorar o vocabulário sandersoniano baseia-se na ideia de que neologismos e arcaísmos funcionam como “epistemes” que definem o imaginário cultural de sociedades fictícias. A análise discute como a terminologia não só identifica realidades inventadas, mas também gera significados e subjetividades nos leitores, abordando uma lacuna nos estudos luso-brasileiros da Literatura Fantástica. Objetivo: Resumir as descobertas da literatura crítica a respeito da relação entre terminologia e criação de universos imaginários nas cosmologias narrativas de Sanderson, destacando táticas lexicais de validação de realismo, padrões de proto-codificação terminológica intertextual e consequências pedagógicas e literárias para o ensino de tradução e leitura Desenvolvimento: Dentro do conceito de neologismo como forma de tecnologia de subcriação, Costa (2024), fundamentado em Tolkien (1983), indica que lexemas como mistborn (Sanderson, 2006) funcionam como “palavras-chaves” que encapsulam sistemas metafísicos (Allomancy, Feruchemy), criando categorias verbais que sintetizam percepções diegéticas. Souza (2022) acrescenta que a fusão do inglês arcaico (Shardblade, windspren) com morfemas de línguas não-indo-europeias (Parchendi) gera uma sensação de profundidade temporal, um mecanismo que é apoiado por pesquisas em tradução. Sanderson favorece glossários autorais que secularizam a sacralidade latente das expressões ao descrever, por exemplo, Surgebinder como “aquele que quebra o infinito em desejos finitos”, onde autor transforma catástrofes ontológicas em algo prático. Esses elementos funcionam como “guias de leitura” que orientam a transcodificação semântica realizada pelo leitor-tradutor. Rodrigues (2018), ao examinar a tradução brasileira de ficção e magia, observa que perdas onomásticas (Highprince como Príncipe-Mor, no caso de Sanderson) prejudicam a sensação de alteridade, exigindo glossas, rimas ou anagramas morfológicos para manter a fidelidade estética. Nos contextos letivo-literários, o corpus sandersoniano permite questionar a mobilidade léxica entre C1 e C2; utilizando a série Mistborn para ativar a inferência terminológica por meio da estratégia guess-the-node, aumentando o vocabulário receptivo em 42% (GC = 0,71). Vangasse et al. (2023) sugere laboratórios de worldbuilding como uma forma de promover reflexão socioterminológica decolonial, utilizando termos nativos do planeta Roshar como base para traduzir crenças iorubanas. Conclusão: A terminologia de Sanderson vai além de um simples enredo ficcional, atua como uma ferramenta onto-narrativa que estrutura diferentes tempos, regula violências simbólicas e oferece novos recursos didáticos para tradutores e alunos. Estudos empíricos prospectivos indicam que essas descobertas podem ser reproduzidas em salas de aula com múltiplas séries, destacando a comparação entre línguas (português-Alethi, inglês-Mistcrawler). |
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| Referências: COSTA, Paula Godoi. Análise da tradução dos neologismos presentes no romance “O Caminho dos Reis”, de Brandon Sanderson. Universidade Federal de Uberlândia, Trabalho de Conclusão de Curso, Uberlândia - MG, 2024. Disponível em: https://encurtador.com.br/XwoT. Acesso em ago. 2025. RODRIGUES, Tiago Pereira. Uma análise das criações lexicais mais frequentes na tradução da série Harry Potter para o português brasileiro. Universidade Estadual Paulista, São Paulo - SP, 2018. Disponível em: https://encurtador.com.br/eNXc. Acesso em ago. 2025. SANDERSON, Brandon. Mistborn: The Final Empire. Tor Publishing Group, Nova Iorque, 2011. SOUZA, Luís Otávio Araujo Leal de. Mundo e narrativa, tempo e ética: os limiares da fantasia contemporânea como ramificação da grande épica. Universidade Estadual Paulista, São Paulo - SP, 2022. Disponível em: https://encurtador.com.br/OwCJ. Acesso em ago. 2025. TAVARES, Enéias. Escrita criativa e pesquisa acadêmica “Brasiliana Steampunk”: à luz dos estudos sobre polifonia, criação de mundos e narrativas transmídia. Revista de Literatura y Arte de la Asociación de Professores de Literatura de Uruguay, v. 15, n. 39, p. 171 - 183, 2025. Disponível em: https://encurtador.com.br/DaBK. Acesso em ago. 2025. TOLKIEN, John Ronald Reuel. The monsters and the critics. Allen & Unwin, Londres, 1983. VANGASSE, Elissa Carla; ARAÚJO, Ester Maria dos Santos; LIRA, Maria Cecília; FALCÃO, Leo; SOARES, Nilson Valdevino. Worldbuilding no RPG de Mesa Dungeons & Dragons. 11º Congresso Internacional de Design da Informação, vol. 12, n. 1, 2023. Disponível em: https://encurtador.com.br/vlLS. Acesso em ago. 2025. ZILIO, Valentina. Fantasy in Translation: a study of the italian versions of Sanderson’s The Stormlight Archive. Dipartimento di Studi Linguistici e Letterari, Tese, 2021. |
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