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| ECOS DO GÓTICO VITORIANO NA FANTASIA BRASILEIRA CONTEMPORÂNEA EM AS MARCAS DO ESPELHO: & OUTRAS HISTÓRIAS, DE AMANDA MAGRI DE ABREU | |
| 1ANA CAROLINA FAGUNDES FERREIRA, 2LAURIE FERNANDA SILVA | |
| 1Estudante de Letras na Universidade Estadual de Maringá (UEM) 2Mestre em Educação pela Universidade do Oeste do Paraná (UNIOESTE) |
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| Introdução: O gótico na literatura, que se firmou na tradições anglófonas no final do século XVIII, é caracterizado por climas sombrios, limiares, segredos, violações de normas, medo, monstros e a tensão entre a razão e o sobrenatural (Sena, 2017). Dentro da literatura vitoriana, esses elementos se amplificam em histórias marcadas pela ambiguidade moral, pelo mistério e pela representação de corpos e identidades em risco (Polisciuc, 2020). Nos dias atuais, o gótico vai além da simples representação de castelos, ruínas e seres monstruosos (Martinho, 2010), tornando-se uma forma estética que expressa inquietações pessoais, emocionais e sociais. Nesse sentido, a antologia As Marcas do Espelho: & Outras Histórias, escrita por Amanda Magri de Abreu (2026) , se destaca nos estudos literários ao combinar fantasia, romance, mistério e elementos sobrenaturais em narrativas repletas de referências a bruxas, vampiros, sereias e humanos. Essa obra oferece a oportunidade de explorar como uma autora brasileira contemporânea recria ecos do imaginário gótico-vitoriano, ligando-os a uma sensibilidade introspectiva e poética. Objetivo: Este estudo visa examinar como As Marcas do Espelho: & Outras Histórias utiliza elementos relacionados ao gótico vitoriano para criar uma fantasia brasileira moderna. O foco é, principalmente, a manifestação de um clima obscuro, a ambivalência entre o que é real e o que é fictício, as entidades monstruosas e o espelho enquanto ideia de transição, duplicidade e conflito interior. Desenvolvimento: A análise parte da interpretação do gótico como uma categoria literária caracterizada pelo excesso, pela quebra de normas e pela continuidade de disputas não resolvidas, como abordam Botting (1996), Punter (1996) e Hogle (2002). Sob essa perspectiva, o gótico não deve ser visto apenas como um conjunto estático de cenários e figuras, mas como uma expressão do medo e da instabilidade. A análise da coletânea de Abreu (2026) revela a manutenção desses elementos sob uma perspectiva atual. O “toque” vitoriano mencionado anteriormente é evidente na fusão de sensibilidade melancólica, mistério, sentimentalismo e a presença do sobrenatural. No entanto, em vez de reproduzir modelos europeus, os contos realocam tais aspectos para uma escrita que é concisa, simbólica e centrada na vivência pessoal dos personagens. A presença de seres como vampiros, bruxas e sereias coloca a obra em sintonia com um repertório comum nas literaturas fantásticas e góticas. Contudo, a ideia de que o ser humano possa ser “a pior de todas as criaturas” desloca o foco do terror do monstro exterior para a ética, emoções e a psicologia das interações humanas. Esse movimento aproxima a antologia de uma corrente do gótico moderno e atual: a internalização do medo (Ribeiro, 2021). O elemento sobrenatural, neste contexto, não atua apenas como um detalhe decorativo, mas sim como um meio de expor traumas, anseios, violência e paradoxos. Além disso, a figura do espelho, que já aparece no título, se destaca como um símbolo importante. O espelho pode ser interpretado como um portal entre o real e o imaginário, além de ser uma superfície para enfrentar o que se tenta esconder. Assim, a obra se conecta à tradição fantástica proposta por Todorov (2021), especialmente no que tange à dúvida entre explicações sobrenaturais e naturais, enquanto ainda constrói uma linguagem que remete à fantasia sombria dos dias atuais. Conclusão: Conclui-se que As Marcas do Espelho: & Outras Histórias (Abreu, 2026) proporciona uma área fértil para a reflexão sobre a persistência do gótico vitoriano na literatura brasileira contemporânea. A obra revisita temas clássicos - criaturas, enigmas, elementos sobrenaturais, dualidade e climas sombrios - através de uma escrita introspectiva, concisa e poética. Dessa forma, a pesquisa ajuda a expandir a visão do gótico como um estilo literário transnacional, capaz de transpor tradições da anglófonas e ser ressignificado em produções brasileiras atuais. |
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| Referências: ABREU, A. M. de. As Marcas do Espelho: & Outras Histórias. 2 ed., [S. I], ebook, Kindle, 2026. BOTTING, F. Gothic. Routledge, Londres, 1996. HOGLE, J. E. The Cambridge Companion to Gothic Fiction. Cambridge University Press, Cambridge, 2002. MARTINHO, C. M. T. A Fantasia Gótica e seus Actantes Históricos. Mosaico - Revista Multidisciplinar de Humanidades, Vassouras, v. 1, n. 1, p. 43 - 57, 2010. Disponível em: https://editora.univassouras.edu.br/index.php/RM/article/download/110/91. Acesso em jun. 2026. POLISCIUC, O. A Escuridão do Eu: O inconsciente e o primitivo na literatura inglesa da viragem do século XIX para XX. Dissertação pela Universidade de Coimbra, 20 p. 2020. PUNTER, D. The Literature of Terror: A history of gothic fictions from 1965 to the present day. 2 ed., Longman, Londres, 1996. RIBEIRO, E. S. O Gótico e seus Monstros: A literatura e o cinema de horror. Cartola Editora, 366 p. 2021. SENA, M. F. O Gótico-Naturalismo na Literatura Brasileira Oitocentista. Dissertação de Mestrado pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro, 99 p. 2017. Disponível em: https://www.bdtd.uerj.br:8443/handle/1/6914. Acesso em jun. 2026. TODOROV, T. Introdução à Literatura Fantástica. Perspectiva, São Paulo, 2021. |
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