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| O PAPEL DO CAPITAL PRIVADO NO FINANCIAMENTO E DESENVOLVIMENTO DO AGRONEGÓCIO BRASILEIRO | |
| 1JOSIEL BATISTA DA SILVA, 2MURILO TORRES DA SILVA, 3THIAGO ALBERTO ORTIZ | |
| 1Discente de Engenharia agronômica, Universidade Paranaense (UNIPAR) 2Discente de Engenharia agronômica, Universidade Paranaense (UNIPAR) 3Professor titular, Orientador, Biotecnologia aplicada à agricultura e Agronomia, Universidade Paranaense (UNIPAR) |
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| Introdução: A agricultura brasileira desempenha papel estratégico na economia, contribuindo para exportações e geração de empregos no meio rural. Historicamente marcada por baixa produtividade, passou por modernização por meio de avanços científicos, mecanização, uso de insumos tecnológicos e expansão da fronteira agrícola. Apesar disso, persistem desigualdades regionais, com menor volume de investimentos nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste (Cruz et al., 2025). Entre 1970 e 2006, a distribuição do crédito rural favoreceu principalmente médios e grandes produtores, com propriedades acima de 1.000 hectares respondendo por mais de 30% dos empréstimos a partir da década de 1990, reflexo do fortalecimento dos mecanismos privados de financiamento, das economias de tamanho e da estrutura agrária concentrada no país (Amaral e Bacha, 2025). Alternativas como cooperativas de crédito têm se mostrado importantes para a inclusão financeira de pequenos produtores, oferecendo condições mais acessíveis e atendimento personalizado. Modalidades digitais e sustentáveis estão remodelando o financiamento agrícola, tornando-o mais ágil, inclusivo e alinhado às exigências ambientais. A educação no campo também fortalece o uso eficiente dos recursos e a gestão rural (Vitorino, Ervati e Gomes, 2025). Para que o crédito rural continue impulsionando o agronegócio, é fundamental enfrentar desafios estruturais, reduzir desigualdades regionais e integrar soluções inovadoras, promovendo maior sustentabilidade e equidade no setor. Objetivo: Analisar o papel do capital privado no financiamento e desenvolvimento do agronegócio brasileiro. Desenvolvimento: Além das políticas públicas tradicionais, o fortalecimento do crédito rural no Brasil tem sido complementado pela crescente participação do capital privado, por meio de instrumentos como a Cédula de Produtor Rural (CPR), o Certificado de Direitos Creditórios do Agronegócio (CDCA), a Letra de Crédito do Agronegócio (LCA) e o Certificado de Recebíveis do Agronegócio (CRA). Destaca-se a LCA, que tem ganhado relevância por ser isenta de imposto de renda para pessoa física, consolidando-se como importante fonte de captação de recursos por instituições financeiras para o setor agrícola. A expressiva procura por esses investimentos evidencia o interesse do capital privado em apoiar o desenvolvimento do agronegócio, promovendo maior diversificação das fontes de financiamento e ampliando a oferta de crédito rural. Amaral e Bacha (2025) observaram que, nos últimos anos, houve um aumento na concentração do crédito total de custeio agrícola, beneficiando principalmente o grupo de culturas composto por algodão, café, cana-de-açúcar, fumo, laranja, milho e soja. Esse crescimento se deve ao aumento da participação dessas culturas no crédito de custeio agrícola destinado aos agricultores não familiares. Além disso, constataram também um aumento na concentração do crédito de custeio agrícola em favor de culturas voltadas à exportação, como soja, milho e café, em razão da maior liquidez dessas culturas, que assegura o pagamento dos financiamentos. Por outro lado, o crédito do PRONAF (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar) vem sendo direcionado a culturas de subsistência — arroz, feijão, mandioca, batata e trigo — diversificando os investimentos em culturas familiares e reduzindo o foco exclusivo em culturas de exportação. No custeio pecuário, bovinos, suínos e aves absorveram 97,5% dos recursos em 2023, enquanto os investimentos se concentraram na aquisição de máquinas, equipamentos e animais, favorecendo o aumento da produção futura. Apesar desses avanços, o crédito rural ainda se mantém concentrador, desigual e seletivo, mesmo com a criação do PRONAF. O desafio central é ampliar o acesso a recursos de forma mais igualitária, integrando crédito rural com pesquisa, extensão e seguro agrícola, especialmente para pequenos produtores com menor capacidade de garantia (Amaral e Bacha, 2025). Segundo Schedenffeldt et al. (2021), os títulos de crédito do agronegócio, como LCA e CRA (principalmente pela maior segurança e rendimento que oferecem), reduzem a dependência das empresas em relação ao crédito rural oficial, alavancando recursos e permitindo que gestores do setor administrem o capital de forma mais eficiente. Dessa forma, o acesso ao crédito rural, aliado à participação do capital privado, constitui fator estratégico para a competitividade e o desenvolvimento do agronegócio brasileiro, especialmente diante do aumento da demanda por alimentos e dos desafios relacionados às mudanças climáticas e à preservação ambiental. Nesse contexto, as cooperativas de crédito desempenham papel fundamental na democratização do acesso a recursos, promovendo inclusão financeira e impulsionando o desenvolvimento local. Conclusão: O crédito rural, público e privado, deve ser integrado a políticas de assistência técnica, regularização fundiária, educação financeira e infraestrutura. Instrumentos privados complementam o financiamento do agronegócio, mas seu efeito depende de ações institucionais e coordenadas para garantir inclusão, equidade e sustentabilidade. |
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| Referências: Amaral, F. J. G. do; Bacha, C. J. C. Evolução do crédito rural no Brasil de 1969 a 2023. Revista de Economia Contemporânea, v. 29, p. 1-30, 2025. Cruz, B. de O.; Silva Filho, L. A. da; Melo, J. A. de; Ribeiro, L. C. de S. Dinâmicas espaciais e estruturais na agricultura brasileira: análises comparativas dos períodos 2013-2017 e 2018-2022. Revista de Economia e Sociologia Rural, v. 63, e290289, 2025. Schedenffeldt, B. F.; Lima, A. T. de; Levrero, G. R. R.; Pinto, M. R.; Montebello, A. E. S. Instrumentos privados de financiamento do agronegócio. Revista de Política Agrícola, v. 30, n. 1, 2021. Vitorino, L. V.; Ervati, R. B.; Gomes, R. da V. Educação no campo e financiamento do agronegócio: desafios e impactos do crédito rural na gestão e produção rural. Revista Foco, v. 18, n. 5, e8544, 2025. |
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