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| SOCIEDADE DO CANSAÇO: UMA ANÁLISE NA ERA DA HIPERESTIMULAÇÃO COGNITIVA | |
| 1THALITA VITORIA CAMPOS MARIANO, 2ISABELLA DE BRITO BORGES, 3CAMILA RIGOBELLO | |
| 1Acadêmica do Curso de Psicologia da UNIPAR 2Acadêmica do Curso de Psicologia da UNIPAR 3Docente da UNIPAR |
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| Introdução: O presente trabalho abordará como a era do século XXI é marcada pela hiperestimulação e pela constante ideia de produção. A sociedade encontra-se imersa em informações e estímulos que excedem a capacidade do processamento cognitivo. Com isso, analisa-se que, atualmente, a população enfrenta uma onda de cansaço e sobrecarga, resultado da cultura da performance, repercutindo diretamente na saúde mental. A partir disso, segundo Han (2017), é possível compreender que a sociedade atual é marcada por uma violência neuronal, o cansaço contemporâneo emerge de um modelo social que transforma o indivíduo em um sujeito de desempenho. Nesse contexto, somado à hiperestimulação digital, os impactos cognitivos são acentuados, não apenas pela demanda de produtividade, mas pela constante fragmentação e exigência exacerbada da atenção cotidiana por sobrecarga de estímulos informacionais. Por isso, torna-se essencial analisar os impactos a partir desses fatores. Objetivo: Analisar a sociedade do cansaço, considerando o papel da hiperestimulação contemporânea na contribuição de quadros de esgotamento cognitivo e seus impactos. Desenvolvimento: A sociedade do cansaço refere-se a um modelo que está constantemente sendo impulsionado, como aponta Han (2017), ao desempenho. Rodeado de estímulos de caráter positivistas, impelem a crença de que os sujeitos precisam realizar cada vez mais, assim como estímulos digitais, os quais trazem uma enxurrada de informações que serão processadas cognitivamente. Em vista disso, reflete-se que a sociedade atual é marcada por uma dinâmica que conduz um processo de exploração das capacidades cognitivas, uma vez que a produção exigida dos indivíduos vai além do aspecto material, envolvendo também dimensões imateriais, como o cognitivo ( Han, 2017) . Dessa forma, a sociedade é movida a ampliar cada vez mais seus níveis de desempenho e processamento mental. A partir disso, a era da hiperestimulação, junto a “cultura da vigilância", é marcada pelo desejo de estar constantemente conectado e atualizado (Bricalli, 2020), implica mais do que excesso informacional, mas também altos impactos no bem-estar psíquico e nos processos mentais, tendo em vista que, quanto mais estímulos, mais difícil é processar e, paradoxalmente, menos as pessoas conseguem produzir (de Barros, 2024). Visto que, como aborda Sigolo (2024), o ser humano apresenta restrições cognitivas para processar volumes elevados de informação na memória sensorial e operacional. Assim, Simon (1971) atribui que “A riqueza de informação cria uma pobreza de atenção”, em função das constantes demandas na vida cotidiana, principalmente do meio digital, faz com que a atenção esteja cada vez mais fragmentada, dispersa e afetada, as estruturas cerebrais responsáveis pela atenção são prejudicadas, pois com os micro-processamentos constantes do cérebro entre a alternância de estímulos, interferem no circuito atencional, o que consome energia mental e recursos da memória de trabalho (de Barros, 2024). Desse modo, a sobrecarga cognitiva acontece quando o excesso de informação supera o limite da memória de trabalho, que está sendo condicionada a cada vez processar mais informações (Klingberg, 2008). Com isso, a partir das análises de Byung-Chul Han (2017) a sociedade do cansaço é essa sociedade que está rodeada de estímulos que impulsionam ao desempenho e ao constante hiperestimulação digital, mas que sobrecarregam o processamento cognitivo resultando em cada vez mais esforços mas menos desempenho devido aos impactos cognitivos. Conclusão: Diante disso, compreende-se que a sociedade do cansaço é sustentada pela lógica do desempenho e pela estimulação digital, o que conduz a uma sobrecarga cognitiva que limita a atenção, fragmenta o processamento mental e compromete o bem-estar psíquico. Refletir sobre esses impactos torna-se essencial para compreender as condições de vida contemporâneas e suas implicações sociais e cognitivas na era da hiperestimulação cognitiva. |
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| Referências: BRICALLI, Iafet Leonardi. A vigilância como cultura. Sociologia & Antropologia, Rio de Janeiro, v. 10, n. 3, p. 1103-1107, set./dez. 2020. HAN, Byung-Chul. Sociedade do cansaço. Tradução de Enio Paulo Giachini. Petrópolis, RJ: Vozes, 2017. KLINGBERG, Torkel. Foreword. The overflowing brain: information overload and the limits of working memory. New York: Oxford University Press, 2008. Disponível em: https://doi.org/10.1093/oso/9780195372885.002.0003. Acesso em: 9 set. 2025. SIGOLO, Brianda de Oliveira Ordonho; CASARIN, Helen de Castro Silva. Contribuições da teoria da carga cognitiva para compreensão da sobrecarga informacional: uma revisão de literatura. RDBCI: Revista Digital de Biblioteconomia e Ciência da Informação, Campinas, v. 22, e024027, 2024. SIMON, Herbert A. Designing organizations for an information-rich world. In: GREENBERGER, Martin (ed.). Computers, communications, and the public interest. Baltimore: The Johns Hopkins Press, 1971. p. 37-72. |
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