MICROPROPAGAÇÃO DE ESPÉCIES DE FISÁLIS A PARTIR DA COMPOSIÇÃO E CONCENTRAÇÕES DE MEIOS DE CULTIVO  
1ESPERANCA HOMO, 2LUCIANA SABINI DA SILVA, 3DANIEL FERNANDES DA SILVA, 4AZEVEDO FLORÊNCIO LUCAS TXACAIA, 5GLAUCIA LETICIA SETE DA CRUZ, 6FABÍOLA VILLA
1Pós-graduação em Agronomia, Programa de Pós-Graduação em Agronomia (PPGA), Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste)
2Dr., Professora, Universidade Paranaense (UNIPAR), Campus Toledo, PR
3Dr., Professor Adjunto, Departamento de Botânica, Universidade Federal do Paraná (UFPR), Campus Curitiba, PR.
4Pós-graduação em Agronomia, Programa de Pós-Graduação em Agronomia (PPGA), UNIOESTE - Marechal Cândido Rondon
5Doutoranda em Agronomia, Programa de Pós-Graduação em Agronomia (PPGA), Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste)
6Dr., Professora Associada, Programa de Pós-Graduação em Agronomia (PPGA), Universidade Estadual do Oeste do Paraná - Marechal Cândido Rondon
Introdução: A micropropagação é uma forma de multiplicação de plantas que possibilita a obtenção de mudas sadias, em grande quantidade e em curto prazo de tempo. Para que essa seja viável, deve-se utilizar o meio de cultura apropriado e a concentração de sais de que a espécie necessita, assim, aperfeiçoando o processo de multiplicação (ROGRIGUES et al., 2013). Os meios nutritivos utilizados na cultura de tecidos fornecem substâncias essenciais para o crescimento dos tecidos vegetais e controlam o padrão de desenvolvimento das plântulas, quando o meio se torna inadequado pode causar sintomas de deficiência nutricional, distúrbios fisiológicos e até a morte dos explantes (OLIVEIRA et al., 2013). Apesar do MS favorecer o crescimento e desenvolvimento de frutíferas in vitro, outras composições mais diluídas em relação aos nutrientes têm sido estudadas, como WPM e Knudson (VILLA et al., 2009). As espécies de fisális apresentam características morfoanatômicas distintas (SILVA et al., 2015). Dentro do mesmo gênero e mesma espécie, os genótipos podem responder diferentemente aos processos in vitro (COSTA et al., 2015). Essas características são complexas e podem indicar diferenças nas exigências nutricionais, concentração de reguladores de crescimento, local de excisão, tipo de tecido e genótipo e consequentemente interferindo na taxa de multiplicação no cultivo in vitro (SILVA et al., 202).
Objetivo: Diante do exposto, objetivou-se com o presente trabalho avaliar a composição e concentração de meios de cultivo na multiplicação in vitro de espécies de fisális.
Material e Métodos: O experimento consistiu em três meios de cultura [MS, Knudson (KNUDSON, 1946), WPM (LLOYD & MCCOWN, 1980)] e três espécies de fisális (Physalis peruviana, P. minima e P. ixocarpa). Os meios de cultura foram acrescidos de 30 g L-1 de sacarose, 6 g L-1 de ágar (Himedia®) e pH = 5,8, ajustado antes da autoclavagem. O delineamento experimental utilizado foi inteiramente ao acaso, em esquema fatorial 3 x 3 [meios de cultura x espécies de fisális]. Contendo 5 repetições, 1 frasco por repetição e 5 explantes de uma espécie por frasco. Para o experimento foram utilizadas plantas pré-estabelecidas in vitro, provenientes de sementes. Os explantes oriundos da terceira repicagem foram excisados com auxílio de bisturi, em câmara de fluxo laminar, em placas de petri. Estes continham 1,5 cm de comprimento, duas gemas axilares opostas e um par de folhas. Após 30 dias da montagem do experimento, avaliou-se número de plântulas regeneradas, brotações, folhas e raízes. Com o auxílio de uma régua foi avaliado o comprimento da maior raiz (cm) e comprimento total da plântula (cm). Os dados obtidos nos experimentos foram sumetidos os teste de normalidade Shapiro-Wilk. Posteriormente à análise de variância e análise de regressão para dados quantitativos, a 5% de probabilidade, transformadas para (Y+1,0)^0,5, quando necessário. Para a análise dos resultados utilizou-se o Sisvar (FERREIRA, 2011).
Resultados e Discussão: Em relação ao número de plântulas regeneradas, quando comparados os meios de cultura, pode-se notar que, para Physalis peruviana não houve diferença estatística. Em P. ixocarpa teve maior número de plântulas regeneradas quando em meio MS e P. minima teve o menor número de plântulas regeneradas quando em meio Knudson. Quando analisadas as brotações, para P. minima não houve diferença entre o meio WPM e MS. Essa variável teve o mesmo comportamento para P. peruviana e P. ixocarpa, sendo o MS o meio que proporcionou maior número de brotações para as respectivas espécies. Segundo Jesus et al. (2010), o meio MS é mais concentrado em nitrogênio quando comparado com o WPM e Knudson, o que influência na síntese de citocininas endógenas, resultando em diferentes números de brotações por segmento nodal das espécies, resultados que foram encontrados com as espécies de fisális estudadas. Quando analisado o número de folhas, para as espécies avaliadas, o meio de cultura MS foi considerado adequado, quando comparado ao WPM e Knudson. Oliveira et al. (2013) obtiveram um valor médio do número de folhas de Physalis angulata in vitro, semelhante ao encontrado no presente trabalho. Verificou-se maior comprimento das plântulas em meio MS para as três espécies estudadas. Araújo et al. (2016) afirmam que o meio MS tem alto teor de macro e micronutrientes quando comparado com os demais meios. Entre os macronutrientes, além do nitrogênio, o cálcio apresenta quatro vezes a concentração comparado aos outros meios. O cálcio atua na zona meristemática, no processo de divisão celular, participando na formação de estruturas pécticas da nova parede celular que surge entre as células recém formadas, interferindo diretamente no crescimento das plantas (KERBAUY, 2012). Além disso, em trabalhos com espécies frutíferas in vitro, como amoreira-preta, abacaxizeiro e caçarizeiro, os autores observaram bom desenvolvimento tendo maior número de folhas, brotações e comprimento destas plântulas, quando propagadas em meio de cultivo MS (OLIVEIRA-CAUDURO et al., 2016; ARAUJO et al., 2016).
Conclusões: O meio de cultura MS é o mais indicado para o estabelecimento in vitro de P. peruviana, P. minima e P. ixocarpa. O meio de cultivo MS na concentração de 100% apresentou melhores valores nos parâmetros de desenvolvimento in vitro avaliados para as espécies P. peruviana e P. minima.
Referências:
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COSTA, A. S. M.; BLANK, M. F. A.; SILVA, J. H. S.; TORRES, M. F.; SANTOS, O. N. A.; BLANK, A. F. Multiplicação in vitro e indução de calos embriogênicos em híbrido de manjericão. Revista Scientia Plena, v. 11, n. 1, p. 1-13, 2015. 
FERREIRA, D. F. Sisvar: a computer statistical analysis system. Ciência e Agrotecnologia, v. 35, n.11, p. 1039-1042, 2011. 
JESUS, A. M. S. et al. Desenvolvimento in vitro de brotações de cafeeiro em diferentes meios de cultura e reguladores de crescimento de planta. Scientia Agraria, v. 11, p. 431-436, 2010.
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