SISTEMATIZAÇÃO DA ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM AO PACIENTE COM DOENÇA PULMONAR OBSTRUTIVA CRÔNICA (DPOC): RELATO DE EXPERIÊNCIA  
1CAMILA ZAPP, 2DUANA POMIECINSCKI, 3CRISTIAN HENRIQUE CANDIDO DA SILVA
1Acadêmica do curso de Enfermagem UNIPAR
2Acadêmica do Curso de Enfermagem da UNIPAR
3Docente da UNIPAR
Introdução: A Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) é caracterizada pela persistência de sintomas respiratórios e a piora progressiva da obstrução das vias aéreas que se dá por acúmulo de muco, fibrose ou destruição dos bronquíolos, através de uma resposta inflamatória crônica que foi desencadeada por exposição prolongada de agentes nocivos, como a fumaça do tabaco ( SANTOS et al. , 2023). A DPOC normalmente é silenciosa, apresenta sinais e sintomas quando a doença já está instalada, sendo caracterizada por tosse seca ou produtiva, sibilância e principalmente, dispneia aos mínimos esforços. O diagnóstico baseia-se nos sintomas clínicos, histórico do paciente e exames complementares, como a espirometria. O tratamento consiste na melhora da condição de vida do paciente e alívio dos sintomas, já que com a dispneia progressiva, atividades do cotidiano do paciente são afetadas. ( COELHO et al., 2021). Por se tratar de uma doença crônica, exige demanda de acompanhamento contínuo, o qual envolve atendimento multiprofissional, utilização de medicamentos específicos e equipamentos adequados para melhor suporte clínico ao paciente. Nesse contexto o profissional enfermeiro possui um papel fundamental no manejo farmacológico, na identificação precoce de sinais de agravo, no suporte a reabilitação respiratória e na promoção de saúde, estimulando assim hábitos de vida saudáveis e que favorecem o autocuidado e contribuem para a melhoria da qualidade de vida do paciente (ARANBURU-IMATZ et al., 2022). Para isso, o estudo ressalta o processo de enfermagem (PE), que é a metodologia que permite o planejamento e a execução de um plano de cuidado individualizado. O PE é organizado exclusivamente pelo enfermeiro, através de conhecimentos técnicos - científicos, sendo classificado em cinco etapas, sendo: investigação ou anamnese, estabelecer os diagnósticos de enfermagem, planejamento e implementação de cuidados, por fim a avaliação dos resultados pela intervenção profissional. Essa prática aproxima o enfermeiro do paciente, trazendo uma análise crítica da condição de saúde do paciente e sistematizando às ações da equipe de enfermagem. Através deste processo o ambiente de trabalho passa a ser dinâmico, o qual contribui para a evolução da qualidade de vida dos pacientes ( RANKINGS, 2013).
Relato de Caso: Relato de experiência da aplicabilidade e avaliação do PE na visão de acadêmicos do ensino superior do curso de Enfermagem, aplicado durante o estágio curricular do curso.
Discussão: Durante o período de estágio foi possível acompanhar a aplicabilidade prática do PE, sendo aqui fomentado o conhecimento adquirido através da Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE) aplicada a pacientes com quadro de DPOC. Na avaliação e investigação do paciente foi possível evidenciar a primeira etapa do PE, a qual é norteadora para o diagnóstico de enfermagem e o planejamento das ações que serão implementadas, onde nesta primeira etapa foi avaliado e mesurado os sinais vitais, anamnese de enfermagem e exame físico. Durante o tempo de internação clínica o PE é necessário para o planejamento de ações humanizadas e individualizadas que visam a reabilitação clínica do paciente. O enfermeiro tem papel fundamental nesse processo, aplicando o PE o cuidado prestado é de alta qualidade e contribui significativamente para a recuperação e a melhoria da qualidade de vida dos pacientes (ALMEIDA et al., 2023). Atuando diretamente no cuidado ao paciente, como profissional responsável pela SAE, o enfermeiro monitora o quadro clínico do paciente, identificando precocemente possíveis complicações; além disso, através da aplicação do PE ocorre a avaliação dos fatores de risco e determinantes sociais que podem influenciar na evolução da doença (ARGENTA; ADAMY e BITENCOURT, 2020). A orientação do enfermeiro sobre as medidas terapêuticas, incentivam o paciente a adesão ao tratamento, autocuidado e a prática de hábitos de vida saudáveis, como a realização de atividades físicas regulares e a alimentação equilibrada; o auxílio do enfermeiro ao paciente para lidar com as limitações impostas pela doença, contribui para o fortalecimento da autonomia e da autoestima do paciente, promovendo uma maior qualidade de vida e bem-estar. Desenvolver habilidades técnico-científicas no ambiente acadêmico, favorece a qualificação profissional, bem como representa um avanço no ensino do cuidado de enfermagem, haja visto que futuros profissionais podem, em ambiente acadêmico, integrar raciocínio clínico e simulação clínica em conjunto com a prática profissional realística.
Conclusão: DPOC é uma condição crônica que demanda acompanhamento contínuo e multiprofissional, com estratégias de cuidado sistematizadas e contínuas. Portanto, o PE assume um papel fundamental, pois organiza a assistência, favorece a detecção precoce de complicações, contribui para um melhor manejo para os sintomas e estimula o paciente ao autocuidado, garantindo maior qualidade de vida. Assim, o PE não apenas auxilia no controle da doença, mas também reforça a integralidade do cuidado, destacando a relevância da enfermagem na promoção de uma vida mais digna e saudável ao paciente.
Referências:
ALMEIDA, Deybson Borba de et al. (orgs.). Processo de Enfermagem e Sistematização da Assistência: possibilidades e perspectivas de qualificação do cuidado. Salvador: EDUFBA, 2023. 
ARANBURU-IMATZ et al. Nurse-Led Interventions in Chronic Obstructive Pulmonary Disease Patients: A Systematic Review and Meta-Analysis. International Journal of Environmental Research and Public Health*Basel, v. 19, n. 15, p. 9101, Jul. 2022. DOI: 10.3390/ijerph19159101. Acesso em: 03 de setembro de 2025.
ARGENTA, Carla; ADAMY, Edlamar Kátia; BITENCOURT, Julia Valeria de Oliveira Vargas (org.). Processo de Enfermagem: história e teoria. [S.l.]: Editora UFFS, 2020. Disponível em: https://doi.org/10.7476/9786586545234 Acesso em: 04 de setembro de 2025.
COELHO et al. Abordagem geral da Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC): uma revisão narrativaRevista Eletrônica Acervo Médico v. 1 n. 1 (2021).. Disponível em: https://doi.org/10.25248/reamed.e8657.2021. Acesso em: 03 de setembro de 2025.
RANKINGS. O processo de enfermagem na concepção de profissionais de Enfermagem de um hospital de ensino. Revista Brasileira de Enfermagem. 2013. Disponível em: https://doi.org/10.1590/S0034-71672013000200003. Acesso em: 04 de setembro de 2025.
SANTOS et al. Alterações Fisiopatológicas da DPOC e Asma. Acta MSM: Periódico da Escola de Medicina Souza Marques v. 10 n. 1 (2023).. Disponível em: https://revista.souzamarques.br/index.php/ACTA_MSM/article/view/540 Acesso em: 03 de setembro de 2025.