IMPACTO DA QUALIDADE DO SONO NA RECUPERAÇÃO MUSCULAR DE PRATICANTES DE MUSCULAÇÃO: UM ESTUDO DE REVISÃO  
1JOYCE CRISTINA CLARO MENOTI, 2MIQUEIAS ALVES SILVA, 3ADEMIR FARIA PIRES
1Docente na Universidade Estadual de Londrina - UEL
2Acadêmico da Universidade Paranaense – Unipar – Unidade Cianorte
3Docente da Universidade Paranaense - Unipar - Unidade Cianorte e da Universidade Estadual de Londrina - UEL
Introdução: O sono é um processo fisiológico essencial para a manutenção da saúde e do bem-estar geral, desempenhando papel crucial na restauração física e mental do organismo. Estruturado em fases, o sono alterna entre os estágios NREM e REM, que se complementam para garantir reparação celular, regulação hormonal e equilíbrio das funções vitais (Brinkman; Reddy; Sharma, 2023). Estudos apontam que a privação do sono está associada a prejuízos significativos, como maior risco de obesidade, doenças cardiovasculares e mortalidade precoce (Cappuccio et al., 2010). No campo da Educação Física, sua importância se destaca por estar diretamente relacionada à recuperação muscular, especialmente entre praticantes de musculação, prática amplamente difundida em função de seus benefícios à saúde física, psicológica e social (Liz, 2011; Nahas, 2013). A metodologia adotada foi a pesquisa bibliográfica exploratória, fundamentada em artigos científicos, livros e relatórios técnicos disponíveis em bases como SciELO, PubMed e Google Acadêmico. Foram utilizados descritores como “exercício físico”, “sono”, “fadiga” e “descanso”, possibilitando a seleção de trabalhos que abordam tanto os aspectos fisiológicos do sono quanto sua relação direta com a recuperação muscular.
Objetivo: O presente estudo teve como objetivo principal analisar os impactos da qualidade do sono na recuperação muscular de praticantes de musculação, considerando os diferentes níveis de experiência (iniciante e avançado).
Desenvolvimento:   No desenvolvimento, o estudo identificou fatores que influenciam a qualidade do sono, como a rotina, a alimentação, o ambiente de descanso e o nível de estresse (Yaffe; Falvey; Hoang, 2014). A literatura evidencia que o sono exerce influência direta sobre processos como a síntese proteica, a liberação de hormônios anabólicos, como o hormônio do crescimento (GH), e o equilíbrio metabólico (Instituto do Sono, 2024). A privação de sono, por sua vez, pode induzir resistência anabólica e comprometer a hipertrofia muscular (Lamon et al., 2021). Além disso, durante o sono ocorre regulação neuroendócrina importante, incluindo a liberação de melatonina e a modulação do sistema nervoso parassimpático, elementos indispensáveis à recuperação tecidual (Reiter, 2003). Outro ponto evidenciado refere-se à relação bidirecional entre sono e musculação. A prática regular de exercícios de força pode contribuir para melhorar a qualidade do sono, desde que acompanhada por profissionais capacitados e adaptada às condições individuais (Simões et al., 2011). Entretanto, quando associada a privação de sono, a musculação pode acentuar quadros de fadiga, diminuir o rendimento e elevar o risco de lesões (Watson, 2017). Ainda, Ribeiro (2024) ressalta que o sono deve ser considerado parte integrante da rotina de condicionamento físico, tão relevante quanto o treinamento e a nutrição. A má qualidade do sono repercute em sintomas como sonolência diurna, irritabilidade e fraqueza muscular, comprometendo o desempenho e a recuperação. Dessa forma, estratégias que incluem higiene do sono, manejo do estresse e equilíbrio entre carga de treino e repouso tornam-se indispensáveis.
Conclusão: Conclui-se que a qualidade do sono é determinante para a recuperação muscular de praticantes de musculação, sejam iniciantes ou avançados. Os achados da literatura demonstram que os processos de síntese proteica, regeneração de microlesões e equilíbrio hormonal ocorrem majoritariamente durante o sono, sendo este indispensável para otimizar resultados e prevenir lesões. Assim, compreender e valorizar o papel do sono como componente essencial do treinamento pode contribuir para maior eficiência nos programas de musculação e para a promoção de saúde integral.
Referências:
BRINKMAN, J. E.; REDDY, V.; SHARMA, S. Fisiologia do Sono. In: StatPearls [Internet]. Ilha do Tesouro (FL): StatPearls Publishing, 2023. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK482512/. Acesso em: 12 de mai. 2025.
CAPPUCCIO, F. P. et al. Sleep duration predicts cardiovascular outcomes: a systematic review and meta-analysis. Sleep, v. 33, n. 5, p. 585-592, 2010.
INSTITUTO DO SONO. O papel vital do sono para o funcionamento do organismo. 2024. Disponível em: https://institutodosono.com/artigos-noticias/o-papel-vital-do-sono-para-o-funcionamento-do-organismo/. Acesso em: 08 de jun. 2025.
LAMON, S. et al. The effect of acute sleep deprivation on skeletal muscle protein synthesis and the hormonal environment. Physiology Reports, v. 9, n. 1, p. e14660, 2021.
LIZ, Carla Maria de. Motivação para a prática de musculação de aderentes e desistentes de academias. 2011. Dissertação (Mestrado em Ciência do Movimento Humano) – Universidade do Estado de Santa Catarina, Florianópolis, 2011.
NAHAS, M. V. Atividade física, saúde e qualidade de vida: conceitos e sugestões para um estilo de vida ativo. 6. ed. Londrina: Midiograf, 2013.
REITER, R. J. Melatonin: from basic research to clinical applications. Naturwissenschaften, v. 90, n. 5, p. 237-244, 2003.
RIBEIRO, M. Como a prática de exercícios físicos pode melhorar o sono? Drauzio Varella, 05 abr. 2024. Disponível em: https://drauziovarella.uol.com.br/atividade-fisica/como-a-pratica-de-exercicios-fisicos-pode-melhorar-o-sono/. Acesso em: 15 jun. 2025.
SIMÕES, M. S. C. et al. Análise da qualidade de vida dos professores e alunos de musculação: um estudo comparativo. Revista Brasileira de Atividade Física e Saúde, v. 16, n. 2, p. 111, 2011.
WATSON, A. M. Sleep and athletic performance. Current Sports Medicine Reports, v. 16, n. 6, p. 413-418, 2017.
YAFFE, Kristine; FALVEY, Cherie M.; HOANG, Tina. Connections between sleep and cognition in older adults. Lancet Neurology, v. 13, n. 10, p. 1017-28, 2014.