DESENVOLVIMENTO DE BRINQUEDO TERAPÊUTICO PARA CRIANÇAS COM GASTROSTOMIA: RELATO DE EXPERIÊNCIA  
1JULIANA DOS SANTOS ZANELATO, 2LETICIA DE LIMA ALVES, 3DION LENON FILHO FERREIRA, 4NATALIA APARECIDA DA COSTA , 5DAISY CRISTINA RODRIGUES
1Acadêmica do Curso de Enfermagem da UNIPAR
2Acadêmica do Curso de Enfermagem da UNIPAR
3Acadêmico do Curso de Enfermagem da UNIPAR
4Acadêmica do Curso de Enfermagem da UNIPAR
5Docente da UNIPAR
Introdução: Os procedimentos médico-hospitalares se caracterizam pelo seu caráter invasivo, comum para o dia a dia do profissional mas marcado por insegurança e ansiedade para o paciente que vai recebê-lo, essa característica se intensifica no setor pediátrico. Uma das estratégias usadas para a redução da insegurança, medo e ansiedade dentro do setor pediátrico é a aplicação do brinquedo terapêutico (BT), que segundo (Caleffi et al., 2016), o BT se tornou um instrumento eficaz na aplicação em crianças que passaram ou vão passar pelo procedimento cirúrgico. A gastrostomia e a realização de uma abertura artificial no estômago, através da parede abdominal, e inserida uma sonda diretamente até o estômago sem precisar que o alimento seja inserido pela boca (BRASIL, 2021). Indicado para pessoas que não conseguem se alimentar via oral, seja por condições neurológicas ou patológicas de deglutição, que se estendem por longos períodos necessitando de suporte nutricional contínuo.
Objetivo: Relatar a experiência vivenciada por acadêmicos de enfermagem durante o desenvolvimento de brinquedo terapêutico voltado para crianças com gastrostomia e fundamentando as vivências com suporte da literatura científica.
Desenvolvimento: Neste relato abordaremos a criação do brinquedo terapêutico instrucional que passou pelo procedimento de gastrostomia. Após realizar o levantamento teórico, através dos canais de informação do ministério da saúde e bases de dados bibliográficas referente a importância e aplicabilidade do brinquedo terapêutico para equipe, família e criança (Fonteles et al., 2016). A partir deste levantamento, definiu-se o brinquedo terapêutico como um instrumento de aplicabilidade da equipe multiprofissional, mas em destaque a equipe de enfermagem. O propósito do Brinquedo terapêutico para pacientes prestes a fazer a gastrostomia ou pós gastrostomia se caracteriza para o esclarecimento de dúvidas da criança de forma lúdica, colocando ela como protagonista da sua saúde e cuidado, exibindo como acontece o curativo e a administração da alimentação e promovendo o acolhimento da criança e da família. Os materiais usados para a realização do brinquedo terapêutico instrucional foram um urso de pelúcia hipoalergénico, válvula de boneco inflável (com o objetivo de representar o botton), sonda de alívio (para representa o extensor), seringa, gaze e flaconete de soro fisiológico vazio. A fim de criar um vínculo entre a criança e o brinquedo com a mesma ʻʼcondiçãoʼʼ que ela, optamos por nomear o BT por ʻʼZecaʼʼ com um crachá de identificação. O cenário principal de atuação do ʻʼZecaʼʼ é no âmbito hospitalar, consultas de enfermagem perioperatória e pós operatória, além de ambulatórios e na atenção primária em processo de preparo ou adaptação com o procedimento de gastrostomia com crianças a partir de 3 até 10 anos de idade. A hospitalização é um evento crítico na vida da criança que desencadeia sentimentos negativos como medo e insegurança, associados à perda de controle sobre seu corpo e cotidiano (Caleffi et al., 2016). Durante a internação, a utilização do BT, tem mostrado ser eficaz para a aceitação e entendimento das crianças, promovendo a participação nos cuidados. O estudo de Maia et al. (2022) destaca também a importância do BT na prática do cuidado humanizado da equipe de enfermagem com o paciente pediátrico e como um meio facilitador na comunicação com a criança além de contribuir na contenção de traumas relacionados ao ambiente hospitalar. As famílias relataram que, ao utilizarem o BT durante a admissão hospitalar, as crianças passaram a compreender melhor o processo e desenvolveram uma imagem mais positiva dos profissionais e do ambiente hospitalar. Já em contextos ambulatórias, o BT também mostrou-se eficaz. Apesar dos benefícios conhecidos, é possível identificar barreiras importantes como: a sistematização do BT, falta de formalização nos processos de enfermagem, ausência de espaços adequados, escassez de materiais e sobrecarga de trabalho onde muitos profissionais utilizam o brincar “quando sobra tempo”, devido à alta demanda de atividades e recurso humano reduzido. Mas um obstáculo significativo observado na literatura é a formação profissional, na qual o brinquedo terapêutico não é abordado até mesmo na especialização de pediatria e, quando é abordado, é feito de maneira superficial. No entanto, os autores defendem que o BT deve ser reconhecido como parte essencial da filosofia de cuidado, e não apenas como atividade recreativa pois permite ao enfermeiro identificar com maior clareza as demais necessidades da criança e sua família e além disso proporcionar intervenções mais efetivas.
Conclusão: O uso do BT instrucional (urso Zeca com gastrostomia), Em crianças que realizaram ou vão realizar o procedimento, configura-se como uma ferramenta de cuidado humanizado com a criança e sua família, ao simular de maneira lúdica através do brincar, os procedimentos e cuidados realizados, com o objetivo principal a redução do medo, ansiedade e cooperação, promovendo um ambiente seguro para a criança e sua família, principalmente com a equipe que prestará os cuidados de saúde. Além disso, colocamos a criança como protagonista da própria saúde, onde tem o direito de ser informada, de acordo com os limites da sua compreensão, sobre os cuidados de saúde que irá receber. Desta forma, concluímos a importância desta intervenção de enfermagem na prática da assistência.
Referências:
BRASIL. Ministério da Saúde. Guia de atenção à saúde da pessoa com estomia. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2021. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/guia_atencao_saude_pessoa_estomia.pdf Acesso em: 7 set. 2025.
CALEFFI, Camila Cristina Ferreira; ROCHA, Patrícia Kuerten; ANDERS, Jane Cristina; SOUZA, Ana Izabel Jatobá de; BURCIAGA, Verônica Berumén; SERAPIÃO, Leonardo da Silva. Contribuição do brinquedo terapêutico estruturado em um modelo de cuidado de enfermagem para crianças hospitalizadas. Revista Gaúcha de Enfermagem, Porto Alegre, v. 37, n. 2, e58131, 2016. Disponível em: https://doi.org/10.1590/1983-1447.2016.02.58131 Acesso em: 7 set. 2025.
FONTELES, Mariana Neves; RODRIGUES, Lidiane do Nascimento; AZEVEDO, Camila Mota de Lima; ALVES, Luisa Lucas; MAURÍCIA, Amanda Cristie da Silva; MELO FILHO, Antonio Aldo. Boneco-modelo de gastrostomia para treinamento de profissionais de saúde e familiares (Liga Acadêmica de Cirurgia Pediátrica – QE00.2012.PJ.1060). Revista Encontros Universitários da UFC, Fortaleza, v. 1, n. 1, 2016. Disponível em: https://repositorio.ufc.br/handle/riufc/59735
Acesso em: 7 set. 2025.
MAIA, Edmara Bazoni Soares; LA BANCA, Rebecca Ortiz; FONSECA, Lívia Maria Moraes da; FONSECA, Luciana Mara Monti; LIMA, Regina Aparecida Garcia de. O poder do brincar-cuidar na enfermagem pediátrica: perspectivas de enfermeiros participantes de grupos focais. Texto & Contexto – Enfermagem, Florianópolis, v. 31, e20210170, 2022. Disponível em: https://doi.org/10.1590/1980-265X-TCE-2021-0170 Acesso em: 7 set. 2025.