![]() | |
|---|---|
![]() | |
| OSTEOSSÍNTESE COM FIXADOR EXTERNO EM ÚMERO DE SOCÓ-DORMINHOCO (Nycticorax nycticorax) | |
| 1NICOLE WIRSCHKE DE AZEVEDO, 2ADEMAR FRANCISCO FAGUNDES MEZNEROVVICZ, 3ANA LETÍCIA RODRIGUES MARQUES, 4ANDRIEL GUSTAVO FELICHAK, 5GENTIL FERREIRA GONÇALVES, 6PAULO HENRIQUE BRAZ | |
| 1Acadêmica do curso de Medicina Veterinária da Universidade Federal da Fronteira Sul 2Programa de Pós-graduação em Saúde, Bem-Estar e Produção Animal Sustentável na Fronteira Sul da Universidade Federal da Fronteira Sul 3Mestre em Saúde, Bem-Estar e Produção Animal Sustentável na Fronteira Sul da Universidade Federal da Fronteira Sul 4Acadêmico do curso de Medicina Veterinária da Universidade Federal da Fronteira Sul 5Docente de Medicina Veterinária na Universidade Federal da Fronteira Sul 6Docente da Medicina Veterinária na Universidade Federal da Fronteira Sul |
|
| Introdução: Dentre os principais casos cirúrgicos relatados em aves, destacam-se às fraturas, principalmente nos ossos longos de membros pélvicos e asas. Quando comparado aos ossos dos mamíferos, os ossos das aves possuem canal medular maior e apresenta uma cortical fina (Ünsaldi; Ünsaldi, 2023). No caso do úmero, há ainda a presença do forame pneumático, localizado na extremidade proximal, que se comunica com o saco aéreo clavicular e, subsequentemente, com o saco aéreo torácico cranial e pulmão ipsilateral (Rocha et al., 2009). Desta forma, para a correção das fraturas, podem ser utilizadas técnicas de fixadores externos, pinos intramedulares e suas associações e placas e parafusos (Dalmolin et al., 2007; Dal-Bó et al., 2011) Portanto, este trabalho objetiva descrever o procedimento cirúrgico de osteossíntese utilizando fixador externo em úmero de ave socó-dorminhoco. Relato de caso: Foi encaminhado à Superintendência Hospitalar Veterinária Universitária da Universidade Federal da Fronteira Sul, campus Realeza, um socó-dorminhoco, jovem, resgatado pelo Instituto Água e Terra (IAT). Ao exame físico, a ave pesava 500g, apresentava escore de condição corporal 2,5, estado alerta, fratura exposta em asa esquerda e aumento de volume no lado esquerdo em região de saco aéreo torácico, compatível com extravasamento de ar. Ao exame radiográfico foi observada uma fratura simples, completa, aberta, com direcionamento oblíquo longo, em terço distal da diáfise de úmero esquerdo, associado a desvio proximal e cranial do eixo ósseo distal com sinais de processo inflamatório de tecidos moles adjacentes ao foco de fratura. Para correção da fratura, a ave foi submetida à osteossíntese de úmero. O protocolo anestésico incluiu: como medicação pré-anestésica cetamina (10 mg/kg), midazolam (1 mg/kg) e morfina (2 mg/kg) por via intramuscular, manutenção e indução anestésica com isoflurano e bloqueio do plexo braquial com bupivacaína (1 mg/kg). Para o procedimento cirúrgico o membro foi isolado, realizou-se a incisão de pele e subcutâneo na face lateral utilizando bisturi. Seguido de divulsão do tecido conjuntivo e exposição do fragmento proximal. O canal medular foi higienizado, em seguida, introduziu-se retrogradamente um fio de Kirschner de 1 mm até a margem da lesão óssea. Expôs-se o fragmento distal com remoção do tecido de granulação. O fio de Kirschner foi reduzido com ajuste distal e efetuou a cerclagem utilizando fio de náilon n° 2-0, promovendo aposicionamento dos fragmentos em bisel longo. Para confecção do fixador externo, aplicaram-se dois fios de Kirschner de 1 mm de forma transóssea na face lateral, sendo um em fragmento proximal e outro no distal. Os três fios foram estabilizados lateralmente e cortados, unidos externamente por aplicação de resina autopolimerizável. Por fim, a dermorrafia foi realizada com fio náilon n° 2-0 em padrão colchoeiro isolado. Realizou-se o enfaixamento em oito na asa. Após o procedimento o tratamento incluiu tramadol (5 mg/kg), meloxicam (0,1 mg/kg) e ampicilina (40 mg/kg) por 14 dias. Durante a internação o paciente não se alimentou sozinho, por isso foi realizada alimentação enteral de 2 a 3 vezes ao dia utilizando papa para filhotes Alcon®, ovo e sardinha enlatada. Após 15 dias da cirurgia, foi realizado exame de raio-x que constatou bom alinhamento do eixo ósseo, com sinal de formação de calo ósseo. Por fim, em 2 semanas o calo ósseo estava completamente formado, o fixador externo foi retirado e a ave foi reintroduzida na natureza. Discussão: A utilização de fixadores externos em aves demonstram ser uma opção eficaz para correção de fraturas, com adaptações para reduzir o peso do material utilizado, tendo em vista a densidade da massa corpórea das aves (Lima et al., 2014; Ozsemir; Altunatmaz, 2021). Estudos realizados com pombos domésticos (Columba livia), constataram que a adaptação do fixador utilizando dois pinos perpendiculares garante maior estabilidade no local e impede a migração do pino, além de reduzir o tempo de consolidação da fratura. Aos 15 dias de pós-operatório foi identificado formação de calo ósseo na radiografia e o tempo para consolidação da fratura no presente caso mostrou-se equivalente ao descrito no estudo com pombos domésticos (Dalmolin et al., 2007). No presente trabalho a ave demonstrou condições adequadas para retornar à natureza. Contudo, a reintrodução dos pacientes não é uma prática frequentemente observada. A taxa de óbitos e de animais que não podem ser soltos supera a de reintrodução das aves ao seu habitat natural (Jang et al., 2019). Conclusão: A técnica cirúrgica utilizada para correção da fratura foi eficaz e proporcionou recuperação funcional do paciente em curto prazo. O procedimento cirúrgico associado com o tratamento pós-operatório, manejo nutricional adequado e repouso permitiu a reintrodução da ave à natureza. Desta forma, esse relato reforça a importância de adaptação das técnicas cirúrgicas devido às particularidades anatômicas das aves e o atendimento especializado para conservação da fauna silvestre. |
|
| Referências: DAL-BÓ, I. S. et al. Osteossíntese de tibiotarso com miniplaca de titânio em Arara Canindé (Ara ararauna). Arquivo brasileiro de medicina veterinária e zootecnia, v. 63, n. 4, p. 1003–1006, 2011. Disponível em: https://www.scielo.br/j/abmvz/a/QRbcW8bvJcsMPpQRbSBKpgB/?format=html&lang=pt. Acesso em: 9 set. 2025. DALMOLIN, F. et al. Modificações do fixador externo para osteossíntese umeral em pombos domésticos. Ciência rural, v. 37, n. 2, p. 443–449, 2007. Disponível em: https://www.scielo.br/j/cr/a/btbVhLH3fM6fLpPssW9YHmF/?lang=pt. Acesso em: 9 set. 2025. JANG, H. K. et al. Fracture analysis of wild birds in South Korea. Journal of veterinary clinics, v. 36, n. 4, p. 196-199, 2019. Disponível em: https://www.cabidigitallibrary.org/doi/full/10.5555/20193447654. Acesso em: 9 set. 2025. LIMA, D. B. C. et al. Técnica de Doyle na correção de fratura completa em úmero de tucano (Ramphastos toco): relato de caso. Arquivo brasileiro de medicina veterinária e zootecnia, v. 66, n. 6, p. 1676–1680, 2014. Disponível em: https://www.scielo.br/j/abmvz/a/RYKjRvN8jNsKht4nFTmkMpj/?lang=pt&format=html. Acesso em: 9 set. 2025. OZSEMIR, K. G.; ALTUNATMAZ, K. Treatment of extremity fractures in 20 wild birds with a modified Meynard external fixator and clinical assessment of the results. Veterinární medicína, v. 66, n. 6, p. 257, 2021. Disponível em: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC11975390/. Acesso em: 9 set. 2025. ROCHA, L. B. et al. Osteossíntese em fratura de epífise distal de úmero em papagaio verdadeiro (Amazona aestiva). Revista de Medicina Veterinária, v. 3, p. 26-30, 2009. Disponível em: https://core.ac.uk/download/pdf/228886315.pdf. Acesso em: 9 set. 2025. ÜNSALDI, S.; ÜNSALDI, E. A retrospective study on the treatment of bone fractures in 14 wild birds of different species and ages by bone muffs. Veterinarski Arhiv, v. 93, p. 367-380, 2023. Disponível em: https://hrcak.srce.hr/clanak/443742. Acesso em: 9 set. 2025. |
|