MONOTONIA ALIMENTAR E SEU IMPACTO A SAÚDE PÚBLICA 
1CELSO RODRIGUES TEIXEIRA, 2GEOVANNA BARBOSA ROCHA, 3LIDIANE NUNES BARBOSA
1Acadêmico do curso de Nutrição da UNIPAR
2Acadêmico do curso de Nutrição da UNIPAR
3Docente da UNIPAR
Introdução: A alimentação é essencial quando o assunto é saúde, o modo como nos alimentamos está diretamente ligado ao bem-estar, mente e corpo. Porém, como destaca o IPEA (2023), a dificuldade de acesso a alimentos frescos e variados tem levado muitas pessoas a consumirem com frequência os mesmos itens, muitos deles produzidos em larga escala com conservantes e baixo valor biológico. Esse cenário favorece a chamada monotonia alimentar, caracterizada pela repetição constante das escolhas alimentares e pela ausência de diversidade no prato, o que pode comprometer o equilíbrio do organismo e aumentar as chances de desenvolver doenças ao longo da vida.
Objetivo: Este estudo foi reunido para fornecer alguns aspectos que favorecem a falta de acesso a uma alimentação variada e quais consequências viver na monotonia alimentar tem para o estado de saúde da população por meio de revisão da literatura.
Desenvolvimento: Conforme destaca o Instituto Nacional de Pesquisa para Agricultura, Alimentação e Ambiente da França-INRAE, o acesso limitado à diversidade de alimentos in natura está ligado a fatores socioeconômicos e a carência de políticas públicas que promovam uma alimentação saudável e sustentável. O texto enfatiza que pessoas com rendas limitadas tendem a suprir suas necessidades calóricas por meio de alimentos processados, porém, indivíduos com uma condição financeira estável seguem quase a mesma linha, não por conta de valores, mas pela falta de variedade e disponibilidade de alimentos saudáveis onde realizam suas compras. Infelizmente não é questão apenas da política para que esta situação seja resolvida, apesar de que ele venha ser a peça principal para o caso. Para que se tenha alimentos saudáveis e variados nas prateleiras, deve-se olhar para o agronegócio e seus futuros impactos socioeconômicos e ambientais (INRAE, 2021).
 Um estudo realizado por Mendonça et al. (2019) nas unidades básicas de saúde (UBS) de Belo Horizonte, com foco em pessoas de baixa renda, identificou um comportamento alimentar repetitivo, marcado pelo baixo consumo de frutas e hortaliças. Os participantes ao realizarem suas compras escolhiam com frequência os mesmos alimentos in natura, reflexo da limitada variedade disponível em suas redes como sacolão, mercados ou feiras livres. Essas redes, por sua vez, não eram as principais responsáveis pela escassez, já que os fornecedores também não possuíam uma longa e diversificada lista de frutas e hortaliças para ofertar. Isso evidencia como a limitação na disponibilidade interfere diretamente na qualidade da alimentação de populações mais vulneráveis. O agronegócio do Brasil é uma monocultura com ênfase em soja, cana-de-açúcar e milho (IBGE, 2023). Como aponta o Instituto Ibirapitanga (2021), garantir o direito à alimentação adequada no Brasil exige mais do que combater a fome: é preciso fortalecer políticas públicas que incluam a diversidade alimentar, com apoio à produção local e à agricultura familiar. Além disso, o IPEA (2023) destaca que o acesso ampliado a alimentos in natura demanda investimentos, especialmente na logística e no armazenamento, já que esses produtos são mais perecíveis e exigem cuidados específicos. Mudanças nesse cenário, se feitas sem planejamento, podem gerar conflitos com pequenos produtores e aumentar desigualdades. Por isso, qualquer ação deve ser pensada envolvendo o governo, produtores e consumidores.  É urgente adotar medidas eficazes frente ao avanço do consumo de alimentos processados, uma vez que esse tipo de alimentação está diretamente relacionado ao surgimento de doenças em sua maioria evitáveis que sobrecarregam o Sistema Único de Saúde (SUS), com custos que chegam a bilhões de reais ao ano. Dietas baseadas nesses produtos, frequentemente ricos em sódio, gorduras modificadas e aditivos e limitadas na oferta de nutrientes como vitaminas e minerais, favorecem o desenvolvimento de condições crônicas como obesidade, hipertensão, diabetes tipo 2 e até alguns tipos de câncer. Além disso, a repetição constante de opções pouco benéficas e com baixo valor biológico afeta a imunidade, compromete o bem-estar mental e reduz a qualidade de vida ao longo dos anos. Vale refletir que, se parte desses recursos fossem destinados à prevenção com investimentos na oferta e acesso a alimentos frescos e variados no comércio local, haveria não só economia para o sistema de saúde, mas também uma melhora significativa na qualidade e na dignidade de vida da população (Andersen, 2024).
Conclusão:  A análise evidencia que a monotonia alimentar não é fruto de escolha individual, mas sim de uma cadeia que envolve limitações na oferta de alimentos frescos. A repetição alimentar, especialmente nas populações de baixa renda, revela falhas que impactam diretamente a saúde pública. Diante disso, pensar em prevenção é essencial: como refletido no texto, os altos custos do SUS com doenças associadas à má alimentação poderiam ser melhor investidos em políticas que promovam o acesso contínuo a uma variedade de alimentos frescos, respeitando os territórios e fortalecendo a produção local, garantindo a promoção de justiça social e reduzindo desigualdades no acesso a alimentos de qualidade.
Referências:
ANDERSEN, A. Ultraprocessados: o gasto bilionário que o consumo gera ao SUS por ano. Revista Fórum, 25 nov. 2024. Disponível em: https://revistaforum.com.br/saude/2024/11/25/ultraprocessados-gasto-bilionario-que-consumo-gera-ao-sus-por-ano-169815.html. Acesso em: 25 abr. 2025.
IBGE. Produção agropecuária. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, 2023. Disponível em: https://www.ibge.gov.br/explica/producao-agropecuaria/. Acesso em: 25 abr. 2025.
INRAE. Lutter contre les inégalités sociales dʼaccès à une alimentation saine et durable. Institut National de Recherche pour lʼAgriculture, lʼAlimentation et lʼEnvironnement, 2021. Disponível em: https://www.inrae.fr/actualites/lutter-contre-inegalites-sociales-dacces-alimentation-saine-durable. Acesso em: 25 abr. 2025.
INSTITUTO IBIRAPITANGA. Pauta alimentar em emergência: da influência às candidaturas à atuação junto a novos mandatos. 2021. Disponível em: https://www.ibirapitanga.org.br/historias/pauta-alimentar-em-emergencia-da-influencia-as-candidaturas-a-atuacao-junto-a-novos-mandatos/. Acesso em: 8 maio 2025.
IPEA. Relatório de atividades Ipea 2023. Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada. Rio de Janeiro: IPEA, 2024. Disponível em: https://repositorio.ipea.gov.br/handle/11058/13722. Acesso em: 24 abr. 2025.
MENDONÇA, R. D. et al. Monotonia no consumo de frutas e hortaliças e características do ambiente alimentar. Revista de Saúde Pública, v. 53, p. 63, 2019. Disponível em: https://www.revistas.usp.br/rsp/article/view/161497/155431. Acesso em: 25 abr. 2025.