AUTISMO, SELETIVIDADE ALIMENTAR E O IMPACTO À SAÚDE
1CELSO RODRIGUES TEIXEIRA, 2GEOVANNA BARBOSA ROCHA, 3LIDIANE NUNES BARBOSA
1Acadêmico do curso de Nutrição da UNIPAR
2Acadêmico do curso de Nutrição da UNIPAR
3Docente da UNIPAR
Introdução: Primeiramente, deve-se entender que o TEA (transtorno do espectro autista) nada mais é que o distúrbio no neurodesenvolvimento de um indivíduo tornando-o atípico, se manifestando como padrões de comportamento, déficits na atenção, problemas na interação social, dentre outros. A seletividade alimentar, uma das consequências do autismo, gera a recusa de diversos alimentos, sendo uma parcela deles frutas e hortaliças, dois grandes pilares para o desenvolvimento de uma vida saudável (Martins et al., 2023).
Objetivo: Abordar por meio de revisão da literatura a seletividade alimentar em indivíduos autistas e os seus impactos à saúde.
Desenvolvimento: Um estudo realizado em 613 crianças e adolescentes de dois  a 17 anos com TEA evidenciou dados preocupantes de perfil clínico e nutricional. A pesquisa mostrou que cerca de 33,8% dos indivíduos apresentavam alergias alimentares e 54,1% problemas gastrointestinais. Enquanto isso, a seletividade alimentar estava presente em 77,2% dos participantes, com maior recusa de alimentos como frutas, vegetais e folhas verdes. Cerca de 44,5% dos participantes realizavam uma dieta com exclusão alimentar passada pelos seus cuidadores, sendo sua maioria alimentos com trigo, glúten e leite, porém, apenas 22,8% deles tinham acompanhamento com nutricionista. Devido a seletividade alimentar, 50,6% não consumiam frutas, porém o consumo de biscoitos, doces e refrigerantes passavam dos 10% cada. Eventualmente as comorbidades atingiram esses jovens, sendo a constipação em 54%,logo após diarreia 37%, dor abdominal 34% dentre outras (Corrêa et al., 2025).  O cuidado na alimentação de crianças autistas é crucial, uma vez que estas tendem a se adaptar de forma mais recorrente a alimentos ultraprocessados, deixando de variar sua alimentação causando como consequência a falta de vitaminas D, vitamina A, vitaminas do complexo B, minerais como cálcio e ferro e podem futuramente apresentar algumas deficiências como  xeroftalmia e raquitismo por exemplo. É de extrema importância que os cuidadores de pessoas com autismo levem-os aos seus devidos tratamentos, sejam eles na psiquiatria, terapia alimentar e principalmente, acompanhamento com nutricionista qualificado para a prevenção de doenças crônicas não transmissíveis (DCNTs), desnutrição além de uma melhoria na qualidade de vida dentre outras razões (Daniel, Jiang, Wood, 2024). Hoje, desenvolvida no Brasil, temos o auxílio de uma escala de avaliação do comportamento alimentar no TEA, um instrumento bem estruturado que pode auxiliar no processo de reintrodução gradual de alimentos negligenciados considerando as sensibilidades sensoriais, comportamentais e gastrointestinais. A escala em si é formada por 7 dimensões, a motricidade na mastigação, seletividade alimentar, habilidades nas refeições, comportamento inadequado relacionado às refeições, comportamentos rígidos relacionados à alimentação, comportamento opositor relacionado à alimentação e alergias/intolerância alimentar. Isso permite que o profissional da saúde como o nutricionista, identifique a individualidade da pessoa com TEA e consiga trabalhar de melhor forma na intervenção e reestruturação da sua alimentação (Lázaro; Siquara; Pondé, 2019).  Em abril de 2025 foi sancionada a lei nº 15.131, que garante o direito à nutrição adequada e à terapia nutricional para pessoas com TEA (Brasil, 2025). Desta forma, facilitando a qualidade de vida dos cuidadores de pessoas portadoras do espectro autista e principalmente, com seletividade alimentar, pois deve-se levar em consideração as dificuldades e desgaste  a serem enfrentados ao se relacionar com uma pessoa com essas determinadas especificações. O cansaço pode vir a ser sem dúvidas eminente, e não se deve deixar de lado a saúde mental destas pessoas. De acordo com o Jornal USP (2023) cerca de 78% dos pais abandonam as mães de crianças portadores de deficiências e doenças raras antes dos seus 5 anos, sobrecarregando-as ainda mais, levando em conta que ainda devem seguir suas rotinas como trabalho e participação ativa na sociedade.
Conclusão: A seletividade alimentar associada ao TEA é extremamente prejudicial à saúde tanto da pessoa portadora do espectro autista, quanto para seus cuidadores. É fundamental que o governo continue com iniciativas de incentivo aos cuidados desse grupo na sociedade e que eles possam, por sua vez, buscar e utilizar esses recursos, trazendo uma maior qualidade de vida aos envolvidos. E que dessa forma, diminua a quantidade de DCNTs e os impactos nutricionais em pessoas com autismo através de uma boa alimentação variada e acessível, terapia alimentar, acompanhamento com psiquiatras quando houver necessidade e principalmente, nutricionistas e psicólogos capacitados para ofertar uma boa terapia alimentar. Uma vez que, o bem-estar de uma pessoa com TEA não reflete apenas nela, mas sim, em todos que os convivem diariamente.
Referências:
BRASIL. Nova lei garante nutrição adequada e terapia nutricional a pessoas com transtorno do espectro autista. Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, publicado em 6 maio 2025. Disponível em: