CATARATA SENIL: UMA REVISÃO  
1PEDRO HENRIQUE MAIA SANTANA, 2ALANNE MAIA SANTANA, 3ISADORA ALEGRIA PEREIRA, 4MARIA OLIVIA STANISCHESCK DE ARAUJO, 5PEDRO HENRIQUE MARTINS FERNEDA, 6ROSILEY BERTON PACHECO
1Acadêmico do Curso de Medicina da UNIPAR
2Acadêmica do Curso de Medicina da UNIPAR
3Acadêmica do Curso de Medicina da UNIPAR
4Acadêmica do Curso de Medicina da UNIPAR
5Acadêmico do Curso de Medicina da UNIPAR
6Docente da UNIPAR
Introdução: A catarata representa a principal causa de cegueira tratável em escala global, sendo responsável por aproximadamente 40% dos casos entre os 45 milhões de pessoas cegas no mundo. Caracteriza-se pela opacificação progressiva do cristalino ou de sua cápsula, comprometendo a passagem da luz até a retina e afetando indivíduos de todas as faixas etárias, desde crianças até idosos (Sheeladevi, et al., 2016). A fisiologia do cristalino, sua estrutura biconvexa e mecanis mos de microcirculação são essenciais para a manutenção da transparência ocular e da função visual. Com o envelhecimento, alterações como a presbiopia e a maturação da catarata tornam-se mais frequentes, interferindo significativamen te na qualidade de vida (Qureshi MH; Steel DHW, 2020). A doença pode ser classificada quanto à etiologia, localiza ção e grau de opacidade, e seu tratamento varia desde correção óptica até intervenção cirúrgica, considerada a aborda gem mais eficaz (Dubois VDJP; Bastawrous A, 2017). Este trabalho tem como objetivo oferecer uma visão abrangente sobre a catarata, abordando aspectos epidemiológicos, etiológicos, fisiopatológicos, clínicos e terapêuticos, além de discutir suas complicações e prognóstico.
Objetivo: Apresentar uma análise abrangente sobre a catarata, destacando seus principais aspectos clínicos e científicos, incluindo epidemiologia, etiologia, fisiopatologia, manifestações clínicas, métodos diagnósticos, opções terapêuticas, possíveis complicações e prognóstico.
Desenvolvimento: A catarata é uma das principais causas de cegueira tratável, com alta prevalência em idosos. Nos Estados Unidos, cerca de 10% da população é afetada, podendo atingir 75% em indivíduos acima de 75 anos (Sheeladevi S, et al., 2016). A forma senil está associada ao envelhecimento, enquanto casos congênitos podem decorrer de infecções intrauterinas, má nutrição materna e hipóxia placentária (Gignac DB, et al., 2020; Liu Y; Cai Q, 2020; Moshirfar M, et al., 2021). Outros fatores incluem traumas oculares, exposição à radiação, lesões químicas, doenças sistêmicas como diabetes, dermatite atópica, distrofia miotônica e hipocalcemia (Sharma B, et al., 2020; Kelkar A, et al., 2018). Condições oftalmológicas, medicamentos (corticosteroides e inibidores de anticolinesterase) e fatores ambientais, como tabagismo, alcoolismo e dietas pobres em antioxidantes, também aumentam o risco (Singh K, et al., 2017).Fisiopatologicamente, a catarata decorre da perda de transparência do cristalino, formado por fibras epiteliais organizadas em córtex e núcleo (Dubois VDJP; Bastawrous A, 2017). O estresse oxidativo leva à desnaturação proteica e à formação de agregados insolúveis, originando opacidades subcapsulares, nucleares, corticais ou congênitas (Shorstein NH; Myers WG, 2020). Mutações genéticas estão associadas à catarata congênita, enquanto a forma senil envolve múltiplos genes e fatores ambientais (Moshirfar M, et al., 2021).Clinicamente, manifesta-se por diplopia, poliopia, fotossensibilidade, embaçamento visual, alteração da percepção de cores e troca frequente de óculos (Montero MG, et al., 2019). O exame oftalmológico revela opacidades em cunha, córtex edemaciado, ausência da sombra da íris e líquido leitoso em estágios avançados (Kelkar, et al., 2018).O tratamento depende da opacidade e do impacto funcional. Casos leves podem ser manejados com óculos, dilatação pupilar ou colírios experimentais (Naderi K, et al., 2020). A cirurgia é indicada quando a acuidade visual é inferior a 6/24 ou há risco de complicações (Do DV, et al., 2018), incluindo irrigação e aspiração da lente, vitrectomia anterior, capsulotomia posterior e implante de lentes intraoculares, sendo a facoemulsificação preferida (Grzybowski A, et al., 2019). Avaliações pré-operatórias consideram diabetes, hipertensão, infarto do miocárdio e doenças reumatológicas ou infecciosas (Leffler CT, et al., 2020).Complicações incluem glaucoma, subluxação do cristalino, hemorragia expulsiva, irite, amaurose, queimadura da córnea, ruptura da cápsula posterior, descolamento de retina, endoftalmite, disfotopsia, ptose, mau posicionamento da lente intraocular, edema macular cistóide e espessamento capsular posterior (Ling JD; Bell NP, 2018). O prognóstico depende da idade, tipo e grau da catarata, envolvimento ocular, tempo de intervenção e comorbidades, sendo que avanços tecnológicos têm melhorado os resultados visuais, inclusive em casos congênitos, embora a ambliopia ainda represente desafio (Dubois VDJP; Bastawrous A, 2017).
Conclusão: A catarata permanece como uma das principais causas de cegueira tratável em todo o mundo, com impacto significativo na qualidade de vida, especialmente entre idosos. Sua etiologia multifatorial, envolvendo fatores genéti cos, ambientais, sistêmicos e oculares, reforça a complexidade da doença e a importância do diagnóstico precoce. Em bora o tratamento clínico possa oferecer alívio temporário em estágios iniciais, a intervenção cirúrgica continua sendo a única abordagem curativa, com técnicas cada vez mais avançadas e seguras. O conhecimento aprofundado sobre os me canismos fisiopatológicos, biomoleculares e clínicos da catarata é essencial para orientar condutas terapêuticas eficazes e minimizar complicações, contribuindo para melhores prognósticos visuais e funcionais.
Referências:
Do DV, et al. Surgery for postvitrectomy cataract. Cochrane Database of Systematic Reviews, 2018;2018(1):CD006366. Dubois VDJP, Bastawrous A. N‐acetylcarnosine (NAC) drops for age‐related cataract. Cochrane Database of Systema tic Reviews, 2017; 1(2):CD009493.
Gignac DB, et al. Recent developments in the management of congenital cataract. Annals of Translational Medicine, 2020; 8(22):1545.
Grzybowski A, et al. Diabetes and phacoemulsification cataract surgery: difficulties, risks and potential complications. Journal of Clinical Medicina, 2019; 8(5):716
Kelkar A, et al. Cataract surgery in diabetes mellitus: a systematic review. Indian Journal of Ophthalmology, 2018; 66(10):1401–1410.
Leffler CT, et al. The history of cataract surgery: from couching to phacoemulsification. Annals of Translational Medi cine, 2020; 8(22):1551.
Ling JD, Bell NP. Role of cataract surgery in the management of glaucoma. International Ophthalmology Clinical, 2018; 58(3):87–100
Liu Y, Cai Q. Does cataract surgery improve the progression of age-related macular degeneration? A meta-analysis. Journal of Ophthalmology, 2020; 2020:7863987.
Montero MG, et al. Binocular vision alterations after refractive and cataract surgery: a review. Acta Ophthalmologica, 2019; 97(2):e145–e155.
Moshirfar M, et al. Cataract surgery. StatPearls, 2021; 1–7.
Naderi K, et al. Cataract surgery and dry eye disease: a review. European Journal of Ophthalmology, 2020; 30(5):840 855.
Qureshi MH, Steel DHW. Retinal detachment following cataract phacoemulsification—a review of the literature. The Scientific Journal of The Royal College of Ophthalmologists, 2020; 34(4):616–631.
Sheeladevi, S. et al. Prevalence of refractive error in children in India. Eye, v. 30, p. 1337-1349, 2016.
Sharma, A. et al. Biomolecules in ocular physiology and pathology. Biomolecules, v. 10, n. 3, p. 401, 2020.
Singh, S. et al. Outcome of macular hole surgery. Nepalese Journal of Ophthalmology, v. 9, n. 17, p. 46-52, 2017.