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| ENSINO, APRENDIZAGEM E TREINAMENTO TÉCNICO-TÁTICO, ATRAVÉS DE JOGOS, NA INICIAÇÃO AO FUTEBOL E FUTSAL | |
| 1DIEGO CARVALHO CASSITA, 2VINÍCIUS MONTEIRO DA COSTA, 3AMANDA FIAUX HERNANDES, 4ISABELLA SARDIM GATTI, 5GABRIELA ROSSA TESSAROTTO, 6MARCELO FIGUEIRO BALDI | |
| 1PIC Unipar 2Acadêmico do Curso de Educçaão Física da UNIPAR 3Acadêmica do Curso de Educçaão Física da UNIPAR 4Acadêmica do Curso de Educçaão Física da UNIPAR 5Fisioterapia 6Docente da UNIPAR |
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| Introdução: Existem diferentes abordagens metodológicas que os treinadores podem utilizar para o desenvolvimento técnico-tático de crianças em escolinhas de futebol e futsal. Contudo, independentemente das diferenças nas abordagens adotadas pelos treinadores fato é que, os pressupostos teóricos têm se firmado no sentido de apontar o jogo ou “atividades-jogo” (isto é, jogo formal, jogo reduzido, jogo condicionado, jogo recreativo) como a principal estratégia para se desenvolver os aspectos técnico-táticos neste contexto (BUNKER; THORPE, 1982; SCAGLIA, 2003). Entretanto, são escassas as evidências científicas empíricas sobre as suas potencialidades e limitações para o desenvolvimento técnico-tático na iniciação ao futsal. Objetivo: analisar as evidências científicas mais atuais sobre o desenvolvimento técnico-tático, através de uma abordagem de jogos, na iniciação ao futsal. Desenvolvimento: a importância de estimular o desenvolvimento técnico-tático na iniciação ao futsal, através do próprio jogo, fundamenta-se em diferentes argumentos em sua defesa sendo 3 os principais. Primeiro porque, neste contexto, “jogar” é o que realmente atende aos interesses das crianças (CÔTÉ et al., 2013). Segundo, porque nestes jogos o treinador pode criar diferentes cenários de prática (GARGANTA, 2006) que estimulam um determinado fluxo de ações (técnico-táticas) em contexto real de jogo (BALDI, 2018). E terceiro porque a partir de diferentes atividades-jogo os treinadores podem elaborar determinadas situações-problema (GRÉHAIGNE et al., 2005) de ordem técnico-tática com maior ou menor densidade do que acontece no jogo (ZISKIND, 2011). Com isso, estimulando a participação efetiva de todos os jogadores (BALDI, 2018). Paralelamente, argumenta-se que estas atividades devem ser cuidadosamente manipuladas (MARTENS, 2004) e compatíveis com a idade/estágio de desenvolvimento dos praticantes (GRAÇA, 1998) para que uma aprendizagem efetiva possa ocorrer (GARGANTA et al., 2013). Neste sentido, não se trata, simplesmente, de “jogar-a-bola-e-deixar-que-joguem” e esperar que por conta disso, os jogadores sejam capazes de ensinar a si mesmos tudo aquilo que precisam aprender (MARTENS, 2004). Pelo contrário, tratam-se de situações que requerem uma cuidadosa estruturação para que junto à intervenção do treinador possam atingir os objetivos propostos. Contudo, apesar da coerência e da riqueza de proposições teóricas sobre a utilização de jogos para o desenvolvimento técnico-tática de crianças e adolescentes, fato é que este tipo de abordagem carece de evidências científica acerca da sua utilidade e eficácia. De fato, uma extensa e minuciosa revisão de literatura nas principais bases de dados científicas revela apenas um estudo que analisou o desenvolvimento técnico-tático no futsal realizando um acompanhamento longitudinal (SAAD et al, 2012). Entretanto, a abordagem metodológica utilizada não foi propriamente de jogos. Além disso, este estudo focou na avaliação de adolescentes de equipes de futsal de elite as quais tinham como objetivo principal a competição e formação de atletas, configurando um contexto de formação diferente de uma escolinha de futsal. Outros estudos longitudinais sobre o desenvolvimento técnico-tático também têm sido realizados. No entanto, abordando outras modalidades esportivas coletivas como é o caso, por exemplo, do vôlei (RAMOS; NASCIMENTO; COLLET, 2009) e badminton (HASTIE; SINELNIKOV; GUARINO, 2009). Estes últimos, embora demonstrem algumas evidências empíricas, trazem limitadas ilações para a prática pedagógica de escolinhas de futsal. Ainda, alguns estudos trazem evidências empíricas do desempenho técnico-tático em jogos de futebol (ABRANTES et al., 2012; DELLAL et al., 2012) todavia realizando uma análise descritiva transversal e em outros contextos de exercitação (atletas adultos de alto rendimento) que mais uma vez se distanciam da realidade do ambiente de escolinha. Deste modo, observa-se a perpetuação do famigerado abismo entre teoria e prática, deixando os treinadores de escolinhas de futsal em um “limbo” sem a evidência científica para consubstanciar a sua tomada de decisão e com isso restringindo o estabelecimento e verificação de metas de aprendizagem. Conclusão: Após uma minuciosa revisão de literatura nas principais bases de dados científicas, constatou-se que, os pressupostos teóricos para a aplicação da abordagem de jogos, embora continuem a soar altamente coerentes, carecem ainda de evidência científica empírica sobre as suas potencialidades e limitações. |
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| Referências: ABRANTES, C. I. et al. Effects of the number of players and game type constraints on heart rate, rating of perceived exertion, and technical actions of small-sided soccer games. Journal of Strength and Conditioning Research, v. 26, n. 4, p. 976-981, 2012. BALDI, M. F. et al. Efeito do número de jogadores na frequência e distribuição dos fundamentos técnicos em jogos reduzidos na iniciação ao futsal. Arquivos de Ciências da Saúde da Unipar, 2018. BUNKER, D.; THORPE, R. A model for the teaching of games in secondary schools. Bulletin of Physical Education, v. 18, n.1, p. 5-8. 1982. CÔTÉ, J.; ERICKSON, K.; ABERNETHY, B. Play and practice during childhood. In: CÔTÉ, J.; LIDOR, R. Conditions of Childrenʼs Talent Development in Sport. Morgantow: Fitness Information Technology, 2013, p. 9-19. DELLAL, A. et al. Technical and physical demands of small vs. large sided games in relation to playing position in elite soccer. Human Movement Science, n. 31, p. 957-969, 2012. GARGANTA, J. Ideias e competências para “pilotar” o jogo de futebol. In: TANI, G.; BENTO, J. O.; PETERSEN, R. D. S. Pedagogia do Desporto. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2006, p. 313-325. GARGANTA, J. et al. Fundamentos e práticas para o ensino e treino do futebol. In: TAVARES, F. Jogos Desportivos Coletivos: ensinar a jogar. Porto: FADEUP, 2013, p. 199-263. GRAÇA, A. Os comos e os quandos no ensino dos jogos. In: GRAÇA, A.; OLIVEIRA, J. O ensino dos jogos desportivos. Porto: Rainho & Neves, 1998, p. 27-34. GRÉHAIGNE, J.F.; NATHALIE, W; GODBOUT, P. Tactical-decision learning model and studentsʼ practices. Physical Education and Sports Pedagogy, v. 10, n. 3, p. 255-269, 2005. HASTIE, P. A.; SINELNIKOV, O. A.; GUARINO, A.J. The development of skill and tactical competencies during a season of badminton. European Journal of Sport Science, v. 9, n. 3, p. 133-140, 2009. MARTENS, R. Successful coaching. 3ª ed. Estados Unidos da America: Human Kinetics, 2004. RAMOS, M. H. K. P.; NASCIMENTO, J. V.; COLLET, C. Avaliação do desenvolvimento das habilidades técnico-táticas em equipes de voleibol infantil masculino. Revista Brasileira de Cineantropometria e Desempenho Humano, v. 11, n.2, p.181-189, 2009. SAAD, M. A. A formação técnico-tática de jogadores de futsal nas categorias sub-13 e sub-15: análise do processo de ensino-aprendizagem-treinamento. 2012. Tese (Doutorado em Educação Física) – Universidade Federal de Santa Catarina, 2012. SCAGLIA, A. J. O futebol e os jogos/brincadeiras de bola com os pés: todos semelhantes, todos diferentes. Tese de doutorado. Faculdade de Educação Física da Unicamp, Campinas, 2003. ZISKIND. F. S. Jogos reduzidos e adaptados no futebol. Universidade do Futebol. Disponível em: . Acesso em: 01 nov. 2011. |
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