VIOLÊNCIA OBSTÉTRICA  
1LAUANA EMANUELLY FERREIRA, 2CAMILY VICTORIA HAUS BARBOSA, 3THALIA DA SILVA CAMARGO , 4SARA LAMBARDOZI GALDINO DA SILVA , 5DAISY CRISTINA RODRIGUES
1Graduanda em Enfermagem – Centro Universitário Universidade Paranaense UNIPAR
2Acadêmica do Curso de Enfermagem da UNIPAR
3Acadêmica do Curso de Enfermagem da UNIPAR
4Acadêmica do Curso de Enfermagem da UNIPAR
5Docente da UNIPAR
Introdução: A assistência ao parto, embora seja um processo fisiológico e natural, historicamente foi marcada pela padronização médica e por intervenções práticas, muitas vezes desprovidas de respaldo científico, ou mesmo que traga benefício a algo que acontece naturalmente (Araújo et al., 2025). Esse modelo biomédico, junto a relações hierárquicas e patriarcais, contribuiu para a permanência da violência obstétrica (VO), caracterizada por desrespeito, negligência, abuso físico e psicológico, imposição de condutas sem autorização e negação de direitos fundamentais. A VO compromete a autonomia feminina e viola direitos humanos e reprodutivos (Moreira, Souza, 2023; Mesquita et al, 2024).
Objetivo: Compreender, a partir da literatura analisada, como mulheres e profissionais de saúde percebem a assistência ao parto e como ambos interpretam a VO, destacando os desafios estruturais, formativos e assistenciais que permeiam o cuidado ao nascimento.
Desenvolvimento: Trata-se de uma revisão de literatura realizada nas bases de dados Biblioteca Virtual de Saúde (BVS), Scientific Electronic Library Online (ScIELO) e National Center for Biotechnology Information (NCBI/PubMed), no período de 2020 a 2025. Os critérios de inclusão adotados foram: artigos completos, gratuitos, publicados em português, inglês ou espanhol, com autoria ou coautoria de profissionais da enfermagem. Foram excluídos trabalhos incompletos, pagos, em outros idiomas ou que não se relacionassem com a temática da violência obstétrica. Para a estratégia de busca, utilizaram-se os descritores “parto”, “violência obstétrica”, “assistência” e “enfermagem”, combinados pelo operador booleano AND. Ao final, foram encontrados 6 artigos, dos quais 4 atenderam plenamente aos critérios estabelecidos e compuseram a análise.
Os estudos apontam que a VO se manifesta por procedimentos sem respaldo científico, como a manobra de Kristeller, episiotomia rotineira, restrição de movimentos e imposição da posição litotômica (Araújo et al., 2025). Também são relatadas negligência, falas agressivas, desconsideração da autonomia e ausência de privacidade, fatores que resultam em forte desconforto emocional (Mattei et al., 2024; Mesquita et al., 2024). A percepção das mulheres é marcada pelo medo, pela desinformação acerca do parto e pela limitação nas escolhas, cenário agravado pela ausência de protocolos institucionais e pela prevalência da autoridade médica (Araújo et al., 2025).
No campo formativo, residentes de enfermagem reconhecem a VO como prática frequente, abrangendo procedimentos invasivos e reprodução de condutas hierárquicas prejudiciais. Contudo, relatam uma formação fragilizada, com abordagem superficial do tema e dificuldade de questionar condutas inadequadas devido à hierarquia (Moreira, Souza, 2023). Isso reforça a necessidade de educação continuada e de revisão curricular. Nesse sentido, a presença da enfermeira obstétrica aparece como central para a humanização da assistência, promovendo deambulação, uso de métodos não farmacológicos, liberdade de posição e elaboração de planos de parto (Mattei et al., 2024; Araújo et al., 2025). A precariedade estrutural de muitos serviços também contribui para a perpetuação da VO, uma vez que a superlotação, a falta de privacidade e a infraestrutura inadequada limitam a autonomia e favorecem práticas desnecessárias (Araújo et al., 2025). Além disso, a legislação que assegura o direito de escolha pela cesariana, embora represente um avanço em termos de autonomia feminina, muitas vezes reforça a cultura intervencionista, legitimando condutas que não necessariamente atendem às necessidades individuais.
Conclusão: A assistência ao parto no Brasil ainda apresenta contradições, visto que alguns profissionais seguem recomendações internacionais, enquanto outros mantêm práticas antigas que caracterizam a violência obstétrica. O estudo evidenciou que mulheres e profissionais de saúde apontam a necessidade de mudanças estruturais, curriculares e culturais. Destaca-se a importância da educação em saúde no pré-natal, do fortalecimento da autonomia feminina por meio do plano de parto e do protagonismo das enfermeiras obstétricas na humanização. Assim, é possível alinhar teoria e prática, garantindo um parto seguro, respeitoso e centrado na mulher.
Referências:
ARAÚJO, Elizabeth Pinheiro, et al. A percepção da violência obstétrica pelos enfermeiros residentes da enfermagem obstétrica na Região Norte. Revista Enfermagem Atual In Derme, v. 99, 2025. Disponível em: https://docs.bvsalud.org/biblioref/2025/06/1606637/2167en.pdf. Acesso em: 27 ago. 2025.  
MATTEI, Greici Naiara, et al. Childbirth care by health professionals: conflicting practices in obstetrics. Revista Brasileira de Enfermagem, Brasília, v. 77, n. 6, 2024. Disponível em: https://www.scielo.br/j/reben/a/NvQGFysTYHbKsmz4TKsrYXS/?format=pdf&lang=pt. Acesso em: 27 ago. 2025.   
MESQUITA, Elizabeth de Paula, et al. Parto humanizado: o papel da enfermagem na prevenção da violência obstétrica. Revista Nursing, São Paulo, v. 28, n. 315, p. 9411-9415, 2024. Disponível em: https://www.revistanursing.com.br/index.php/revistanursing/article/view/3216/3918. Acesso em: 27 ago. 2025.  
MOREIRA, Michelle Araújo; SOUZA, Mariana Xavier de. Social representations of women in the pregnancy-puerperal cycle on obstetric violence. Enfermería: cuidados humanizados, Montevideo, v. 12, n. 2, 2023. Disponível em: http://www.scielo.edu.uy/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2393-66062023000201210&lng=en&nrm=iso&tlng=en. Acesso em: 27 ago. 2025.