DISSECÇÃO DE AORTA: DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL E MANEJO CLÍNICO   
1ARTHUR LUIZ CHIULLI, 2BEATRIZ BARCELLOS RAMOS, 3ENRICO DA SILVA RAMPASIO, 4LUIZ ANTONIO FASSINI FONT, 5PABLO ALVAREZ AUTH
1Acadêmico de Medicina da UNIPAR
2Acadêmica do Curso de Medicina da UNIPAR
3Acadêmico do Curso de Medicina da UNIPAR
4Acadêmico do Curso de Medicina da UNIPAR
5Docente da UNIPAR
Introdução: As doenças cardiovasculares representam a principal causa de mortalidade no mundo, conforme dados da World Health Organization (2021). Nesse sentido, a dissecção de aorta consiste como uma delaminação da túnica média com formação de um falso lúmen, um espaço que não deveria existir (LARISSA et al., 2021). A dissecção de aorta é uma condição grave, em que o diagnóstico precoce e intervenção imediata é essencial para a sobrevivência do paciente. Sendo a patologia de maior mortalidade entre as síndromes aórticas agudas com início súbito de dor torácica, tendo mais de 90% dos pacientes não tratados, sobrevivido mais de 1 ano (CEDÁLIA et al., 2015). Assim, no contexto da dor torácica aguda no setor de emergência, o reconhecimento pode ser facilmente negligenciado, exigindo, portanto, um elevado grau de raciocínio clínico para que seja realizado em tempo adequado.
Objetivo: Analisar a importância do diagnóstico precoce e das estratégias terapêuticas no manejo da dissecção aguda da aorta, com implicações que contribuem para a redução da mortalidade e melhora do prognóstico dos pacientes.
Desenvolvimento: A incidência de dissecção aguda da aorta na população geral é estimada em 2,6 a 3,5 casos para cada 100.000 pessoas/ano (MELVINSDOTTIR et al., 2016). Considerando o tempo de apresentação dos sintomas, a dissecção é definida como aguda quando o período de início da dor for menor ou igual há 14 dias; e crônica quando o primeiro sintoma ocorreu há mais de 14 dias, sendo que as complicações fatais da doença ocorrem com mais frequência nas primeiras horas ou dias (LUCAS et al., 2024). Dessa forma, compreender os critérios diagnósticos e as estratégias terapêuticas disponíveis torna-se fundamental para reduzir a alta taxa de mortalidade associada à dissecção de aorta, uma vez que a rapidez no reconhecimento e no manejo clínico influencia diretamente o prognóstico do paciente. O diagnóstico de dissecção da aorta deve ser suspeitado através da identificação de sinais e sintomas de alto risco, o que direcionará para a escolha correta dos exames complementares de imagem, sendo estes obrigatórios para a confirmação do diagnóstico, visto que são capazes de demonstrar a lâmina de dissecção separando a luz verdadeira da luz falsa (MELVINSDOTTIR et al., 2016). Nesse sentido, o sintoma mais marcante da dissecção da aorta, a dor, pode ser idêntica a do infarto agudo do miocárdio, sendo diferencial a sua intensidade que diminui progressivamente, em aspecto rasgante ou cortante e caráter migratório, sintomatologia presente em 90% dos casos de dissecção da aorta, podendo estar associado a diferença de pulsos entre os membros (CEDÁLIA et al., 2015). Assim, com sua identificação, o manejo clínico da dissecção aguda de aorta consiste no controle da dor, da frequência cardíaca e da pressão arterial, medidas que reduzem a força de contração ventricular e o estresse sobre a parede aórtica, diminuindo o risco de progressão da dissecção, seguindo para evolução cirúrgica ou terapia medicamentosa em pacientes com dissecção de aorta não complicada (LUCAS et al., 2024). Novas tecnologias também têm sido investigadas nesse cenário. Pesquisas de Larissa et al. (2021), apontam perspectivas promissoras para o diagnóstico diferencial das doenças da aorta por meio de biomarcadores, como a Tenascina-C, uma glicoproteína associada a processos de lesão tecidual. 
Conclusão: A dissecção aguda da aorta configura uma emergência cardiovascular de alta letalidade, cuja sobrevida depende diretamente do reconhecimento precoce e do manejo imediato. A identificação dos sinais clínicos de risco, associada ao emprego rápido de exames de imagem, é determinante para a confirmação diagnóstica e definição da conduta. O avanço contínuo em métodos diagnósticos, terapias farmacológicas e técnicas endovasculares tem ampliado as possibilidades de intervenção e melhorado os desfechos clínicos, orientando estratégias promissoras para o futuro. Assim, a integração entre diagnóstico ágil, tratamento adequado e inovação científica é essencial para reduzir a mortalidade e melhorar o cuidado e prognóstico dos pacientes acometidos por essa condição complexa.
Referências:
BEZERRA, Lucas Mainardo Rodrigues; MELO, Carlos Daniel Spindola; ARAÚJO, Luis Gustavo Caldas de; SANTOS, Eduardo Vidal da Mota; MOTA, Maria Eduarda Lima Teixeira; PEREIRA, Jader Moura Fernandes; AGUIAR, Luma Neves Osterno; LIMA, Thiago Carvalho. Dissecção de aorta: estratégias diagnósticas e terapêuticas – uma revisão bibliográfica. RECIMA21 – Revista Científica Multidisciplinar, v. 5, n. 3, 2024.
MELVINSDOTTIR  IH, Lund SH, Agnarsson BA, Sigvaldason K, Gudbjartsson T, Geirsson A. The incidence and mortality of acute thoracic aortic dissection: results from a whole nation study. Eur J Cardiothorac Surg. 2016;50(6):1111-17.
SANTOS, Cedália Rosane Campos dos; GANDOLFI, Thays Dornelles; GOLDANI, Marco Antônio. Dissecção de aorta: diagnóstico diferencial e manejo. Acta Médica (Porto Alegre), v. 36, n. 9, 2015.
SANTOS, Larissa Cristina França; PAIVA, Mylenne Alinne Falcão de; SANTANA, Matheus Valois Lapa; MENDES, Rodrigo; TENÓRIO, Pedro Pereira. Could we adopt serum Tenascin-C assays to determine prognosis in aortic aneurysms and dissections? Jornal Vascular Brasileiro, [S. l.], v. 20, e20200165, 2021.
WORLD HEALTH ORGANIZATION. The top 10 causes of death. 7 ago. 2024.