VACINAS, AUTISMO E FAKE NEWS: O PAPEL DA ENFERMAGEM NA PROMOÇÃO DA SAÚDE  
1GABRIEL BONIFÁCIO, 2ANDREIA ASSUNCAO SOARES
1ACADÊMICO DO PIC/UNIPAR
2Docente da UNIPAR
Introdução: A vacinação representa uma das mais importantes estratégias de prevenção em saúde pública, sendo responsável pela erradicação e controle de diversas doenças imunopreveníveis desde a implantação do Programa Nacional de Imunizações (PNI) em 1973. Contudo, nas últimas décadas, observa-se um movimento crescente de resistência vacinal, fortemente alimentado pela circulação de informações falsas (fake news) em redes sociais e aplicativos de mensagens. Um dos mitos mais disseminados é a suposta associação entre a vacina tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola) e o Transtorno do Espectro Autista (TEA). Essa narrativa teve origem em 1998, a partir de um estudo fraudulento, já retratado, mas que ainda encontra eco na sociedade, resultando em queda da cobertura vacinal e risco de reemergência de doenças antes controladas (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2024; BUTANTAN, 2023). O TEA é um transtorno do neurodesenvolvimento multifatorial, envolvendo fatores genéticos e ambientais, sem qualquer relação causal comprovada com vacinas (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2025). Diante disso, a enfermagem assume papel estratégico no enfrentamento da desinformação, orientando pacientes, familiares e comunidades, e promovendo a adesão ao calendário vacinal.
Objetivo: Demonstrar a disseminação de fake news que relacionam vacinas ao autismo e discutir o papel do enfermeiro na promoção da saúde e no combate à desinformação.
Desenvolvimento: Vacinas – tríplice viral: Estudos confirmam a eficácia e segurança da vacina tríplice viral. A associação com autismo carece de base científica e decorre de um estudo fraudulento já desmentido (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2024; BUTANTAN, 2023). Autismo: O TEA é caracterizado por déficits na comunicação social e padrões comportamentais repetitivos. Pesquisas genômicas recentes apontam mais de 130 genes relacionados à condição, evidenciando sua origem multifatorial, sem vínculo com imunizações (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2025). Fake news e desinformação: No Brasil, verificou-se crescimento de até 15.000% de conteúdos conspiratórios relacionados ao autismo em aplicativos de mensagens entre 2019 e 2025, segundo estudos da Fundação Getúlio Vargas (2025). Esse cenário contribui para a hesitação vacinal e aumenta o risco de surtos de doenças, como o sarampo, já observado em algumas regiões. Papel do enfermeiro: A enfermagem atua na linha de frente da educação em saúde, sendo essencial na comunicação clara e acessível com a população. O uso de estratégias educativas presenciais e digitais fortalece a confiança nas vacinas e combate a desinformação.
Conclusão: A revisão evidencia que vacinas não causam autismo e que a disseminação de fake news compromete a saúde pública ao reduzir a adesão vacinal. O enfermeiro, por sua proximidade com a comunidade, tem papel estratégico no combate à desinformação, devendo atuar como agente educativo, disseminador de informações baseadas em evidências científicas. Conclui-se que o enfrentamento das fake news demanda ações interdisciplinares, políticas públicas de comunicação em saúde e maior valorização da enfermagem como protagonista na promoção da imunização e na defesa da saúde coletiva
Referências:
AGÊNCIA BRASIL. Desinformação sobre autismo no Telegram cresceu 15000% em cinco anos, diz estudo da FGV. Brasília: EBC, 2025. Disponível em: https://agenciabrasil.ebc.com.br/saude/noticia/2025-04/desinformacao-sobre-autismo-no-telegram-cresceu-15000. Acesso em: (Adicionar a data de acesso aqui, ex: 25 set. 2025).
BUTANTAN. Por que é mentira que vacinas causam autismo: conheça a história por trás desse mito. São Paulo: Instituto Butantan, 2023. Disponível em: https://butantan.gov.br/covid/butantan-tira-duvida/tira-duvida-noticias/por-que-e-mentira-que-vacinas-causam-autismoconheca-a-historia-por-tras-desse-mito. Acesso em: (Adicionar a data de acesso aqui).
FUNDAÇÃO GETULIO VARGAS. Brasil lidera desinformação sobre autismo com crescimento de 15000% em cinco anos. Rio de Janeiro: FGV, 2025. Disponível em: https://portal.fgv.br/noticias/brasil-lidera-desinformacao-sobre-autismo-com-crescimento-de-15000-em-cinco-anos. Acesso em: (Adicionar a data de acesso aqui).
MINISTÉRIO DA SAÚDE (Brasil). Não existe nenhuma relação entre vacinas e autismo. Brasília: Ministério da Saúde, 2024. Disponível em: . Acesso em: (Adicionar a data de acesso aqui).
Observação: O acréscimo "(Brasil)" é usado após o nome do órgão (Ministério da Saúde) para desambiguação e padronização.
MINISTÉRIO DA SAÚDE (Brasil). Vacinas infantis não causam autismo. Brasília: Ministério da Saúde, 2025. Disponível em: <[link suspeito removido] am-autismo>. Acesso em: (Adicionar a data de acesso aqui).
UNICEF BRASIL. Fake news e vacinas: entenda os impactos da desinformação. Brasília: UNICEF, 2024. Disponível em: https://www.unicef.org/brazil/blog/fake-news-e-vacinas. Acesso em: (Adicionar a data de acesso aqui).