MULTIRRESISTÊNCIA BACTERIANA NO AMBIENTE HOSPITALAR VETERINÁRIO  
1ANDRESSA MARTINS DA NOBREGA, 2RODRIGO GARCIA MOTTA
1Mestranda no Programa de Pós-graduação em Produção Sustentável e Saúde Animal da UEM (PPS/UEM)
2Professor Doutor no curso de Medicina Veterinária e no Programa de Pós-Graduação em Produção Sustentável e Saúde Animal da UEM (PPS/UEM)
Introdução: A resistência antimicrobiana é um problema que abrange a saúde humana e animal. Considera-se uma bactéria multirresistente, quando esta se mostra não susceptível a pelo menos um antimicrobiano de três ou mais classes diferentes. Como acontece nos hospitais humanos, os hospitais veterinários favorecem a seleção e transmissão de microrganismos multi-droga resistentes, devido a alta densidade de pacientes imunocomprometidos e o uso frequente de antimicrobianos de amplo espectro (Dazio et al., 2020). Muitos patógenos multirresistentes encontrados em animais também podem contaminar humanos, seja por contato direto ou pelo contato indireto através do ambiente, sendo essa uma questão relevante no contexto de Saúde Única (Sfaciotte et al., 2021).
Objetivo: A finalidade deste trabalho consiste em abordar a resistência antimicrobiana, destacando a importância do ambiente hospitalar veterinário na seleção de microrganismos multirresistentes. Pretende ainda discorrer sobre as principais cepas encontradas e medidas para controle.
Desenvolvimento: O uso de agentes antimicrobianos é essencial para o tratamento de infecções, contudo o uso indiscriminado desses fármacos tem sido um dos principais colaboradores para o desenvolvimento da resistência antimicrobiana (Sfaciotte et al., 2021). Blake, Choi e Dantas (2021) afirmam que esses patógenos podem persistir no ambiente em superfícies de alto contato, como interruptores de luz, botões e grades, bem como no encanamento do edifício. A contaminação do ambiente hospitalar veterinário com esses patógenos coloca em risco não apenas os animais hospitalizados, mas também afeta médicos veterinários, tutores de animais e demais funcionários. De maneira semelhante ao que é observado na medicina humana, as principais estirpes bacterianas associadas a infecções nosocomiais na medicina veterinária são: Staphylococcus resistente a Meticilina, Enterococcus resistente a Vancomicina, além de Enterobactérias, Pseudomonas aeruginosa e Acinetobacter baumannii produtoras de Cefalosporinases, Beta-Lactamases de Espectro Estendido e Carbapenemases (Sfaciotte et al., 2021). Os desafios diagnósticos frente aos patógenos resistentes são inúmeros e isso têm implicações significativas para a saúde. Um dos principais desafios é a identificação precisa de cepas resistentes, especialmente aquelas que apresentam níveis de resistência intermediários, pois a resistência intermediária dificulta a interpretação dos testes diagnósticos e isso dificulta o estabelecimento de um protocolo terapêutico eficaz. Além disso, a variabilidade nos mecanismos de resistência entre diferentes patógenos exige uma abordagem diagnóstica ampla e adaptável, que muitas vezes falta em muitos ambientes de saúde (Batista et al., 2024). Para tornar mais lento o desenvolvimento de resistência antimicrobiana, é essencial adotar medidas como fornecer informações aos tutores sobre os riscos de resistência e conscientizá-los quanto a correta utilização dos fármacos. Além disso, é indispensável que os profissionais tenham consciência dessa problemática e que assim, sejam estabelecidas medidas de rotina nos hospitais, para que se tenha como hábito aprofundar a investigação do quadro clínico e a necessidade de utilização de antibióticos (Machado et al., 2021).
Conclusão: A resistência antimicrobiana representa um dos maiores desafios para a saúde única, afetando tanto a medicina humana quanto a medicina veterinária. A complexidade do problema reside no fato de que esses patógenos não afetam apenas os indivíduos diretamente acometidos, mas também os profissionais de saúde, tutores de animais, o meio ambiente e consequentemente, a sociedade em geral, uma vez que muitos desses microrganismos são zoonóticos. Esses fatores reforçam a necessidade de medidas eficazes de controle, tanto para prevenir a disseminação de infecções nosocomiais como para mitigar os riscos associados à resistência antimicrobiana. A implementação de estratégias, como a educação continuada de profissionais da saúde, a conscientização dos tutores sobre o uso responsável dos antimicrobianos e o estabelecimento das comissões de controle de infecção hospitalar são essenciais para a contenção dessa crescente ameaça.
Referências:
BATISTA, P. H. M.; et al. Implicações da resistência antimicrobiana na prática clínica. International Journal of Health Management Review, v. 10, n. 1, p. e356-e356, 2024. Disponível em: . Acesso em: 30 ago. 2025.
BLAKE, K. S.; CHOI, J.; DANTAS, G. Approaches for characterizing and tracking hospital-associated multidrug-resistant bacteria. Cellular and Molecular Life Sciences, v. 78, n. 6, p. 2585-2606, 2021. Disponível em: . Acesso em: 28 ago. 2025.
DAZIO, V.; et al. Duration of carriage of multidrug-resistant bacteria in dogs and cats in veterinary care and co-carriage with their owners. One Health, v. 13, p. 100322, 2021. Disponível em: . Acesso em: 07 set. 2025.
MACHADO, C. S.; et al. Resistência antimicrobiana e os impactos na sociedade. Saúde e Desenvolvimento Humano, v. 9, n. 1, 2021. Disponível em: . Acesso em: 07 set. 2025.
SFACIOTTE, R. A. P.; et al. Detection of the main multiresistant microorganisms in the environment of a teaching veterinary hospital in Brazil. Pesquisa Veterinária Brasileira, v. 41, p. e06706, 2021. Disponível em: . Acesso em: 05 ago. 2025