![]() | |
|---|---|
![]() | |
| TENDINOPATIAS DO MANGUITO ROTADOR: TRATAMENTOS MODERNOS E AVALIAÇÃO DA RECUPERAÇÃO PÓS-TRATAMENTO | |
| 1LEONARDO RIGHETTO FERNANDES DOS SANTOS, 2CAIO TREIN MONTIEL, 3PEDRO HENRIQUE MARTINS FERNEDA, 4JORGE ANTONIO RIGONI JUNIOR | |
| 1Acadêmico do Curso de Medicina da UNIPAR 2Acadêmico do Curso de Medicina da UNIPAR 3Acadêmico do Curso de Medicina da UNIPAR 4Docente da UNIPAR |
|
| Introdução: A dor no ombro é a terceira causa mais comum de dor musculoesquelética e afeta de 7% a 26% dos adultos, com maior prevalência em mulheres e indivíduos acima de 45 anos. A síndrome da dor subacromial representa uma parcela significativa dessas condições (44% a 65%). O manguito rotador (MR) é um conjunto de 4 tendões musculares (supraedpinhal, subescapular, infraespinhal e redondo menor) que garantem a estabilidade e funcionalidade do ombro. As tendinopatias do MR incluem edema, hemorragia, degeneração grave e até mesmo rupturas, classificadas em estágios I, II e III, respectivamente, conforme a idade e gravidade. A etiologia é multifatorial, incluindo fatores intrínsecos como fraqueza muscular e hipovascularização, e extrínsecos como impacto mecânico e instabilidade glenoumeral. Caracterizam-se por dor (frequentemente noturna), fraqueza, limitação funcional e arco doloroso (70º a 120º). A percepção da dor é complexa, influenciada por fatores psicossociais como cinesiofobia e catastrofização, que afetam a função pré e pós-operatória. Objetivo: Este resumo visa analisar os tratamentos mais modernos para tendinopatias do manguito rotador, incluindo lesões parciais e calcificações, e discutir as abordagens de avaliação da recuperação pós-tratamento, com base nas diretrizes clínicas e evidências científicas. Desenvolvimento: O tratamento inicial é conservador, priorizando alívio da dor, repouso e ganho funcional. A fisioterapia ativa é fundamental, focando em exercícios progressivos para fortalecimento do MR, deltoide e estabilizadores escapulares, com ênfase em contrações excêntricas e alongamentos, demonstrando melhora na dor e função. A educação do paciente e programas domiciliares estruturados são importantes. Farmacologicamente, paracetamol e anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs) são usados para dor a curto prazo, enquanto opioides são para dor intensa refratária, mas não como primeira escolha. Infiltrações com corticosteroides não são recomendadas como primeira linha pelo risco de enfraquecimento tendíneo, sendo limitadas e preferencialmente guiadas por ultrassom. Ortobiológicos, como Plasma Rico em Plaquetas (PRP), Ácido Hialurônico (AH), Concentrado de Medula Óssea (BMAC) e terapia com gordura autóloga buscam acelerar a cicatrização e regenerar tecidos. A combinação de AH e PRP mostrou-se mais efetiva para dor e função a curto prazo, e para ganho funcional a médio e longo prazo. O PRP pode reduzir taxas de re-ruptura cirúrgica a longo prazo e melhorar dor/função a curto prazo, mas com evidências conflitantes e não universalmente eficaz. BMAC e terapia com gordura autóloga se mostram promissores na melhora da dor, função e cicatrização, reduzindo a atrofia muscular, mas ainda demandam mais estudos de alto nível e estão disponíveis em protocolos de pesquisa no Brasil. Agentes físicos como ultrassom terapêutico não são recomendados, e ondas de choque têm indicação limitada para tendinopatia calcária. O tratamento cirúrgico, incluindo reparo artroscópico, é indicado para lesões graves refratárias ao tratamento conservador, com boa recuperação precoce. A avaliação da recuperação envolve histórico detalhado, observação de deformidades e fatores psicossociais. Medidas objetivas incluem amplitude de movimento (ADM) com inclinômetro/goniômetro (ou aplicativos) e força muscular com dinamômetro portátil. A monitorização da evolução deve ser feita por questionários validados como DASH, SPADI, WORC, CMS e ASES. Exames de imagem (ultrassonografia prioritária) são reservados para sintomas persistentes por mais de 12 semanas ou suspeita de patologia grave. A recuperação total pode levar de 4 a 12 meses, com critérios de alta pela avaliação da força muscular, treinamento funcional sem sintomas e retorno às atividades diárias e esportivas, acompanhado de especialistas para atletas. Conclusão: O tratamento das tendinopatias do manguito rotador baseia-se em uma abordagem ativa e individualizada da fisioterapia, complementada por farmacologia e, em casos específicos, por infiltrações ou cirurgia. Embora ortobiológicos e certas infiltrações apresentem resultados promissores, especialmente a curto e médio prazo para dor e função, a evidência ainda é heterogênea, não justificando o uso como primeira linha. A avaliação da recuperação deve ser abrangente, integrando aspectos clínicos, medidas objetivas e questionários validados, sob uma perspectiva biopsicossocial. Há necessidade de mais pesquisas de alta qualidade para consolidar evidências e refinar as práticas de manejo e avaliação. |
|
| Referências: AGER, A. L. et al. The effectiveness of an upper extremity neuromuscular training program on the shoulder function of military members with a rotator cuff tendinopathy: a pilot randomized controlled trial. Military Medicine, v. 184, n. 5-6, p. e385–e393, 2018. BELLEY, A. F. et al. Anodal transcranial direct-current stimulation to enhance rehabilitation in individuals with rotator cuff tendinopathy: a triple-blind randomized controlled trial. Journal of Orthopaedic & Sports Physical Therapy, v. 48, n. 7, p. 541–551, 2018. BORDIN, F. R.; PEREIRA, K.; ZILMER, V. D. Ruptura do manguito rotador. In: LECH, O. et al. Membro superior – abordagem fisioterapêutica das patologias ortopédicas mais comuns. 1. ed. Rio de Janeiro: Revinter, 2005. p. 111-121. BORSTAD, J.; WOESTE, C. The role of sensitization in musculoskeletal shoulder pain. Brazilian Journal of Physical Therapy, v. 19, n. 4, p. 251-256, 2015. BOUDREAU, N. et al. The addition of glenohumeral adductor coactivation to a rotator cuff exercise program for rotator cuff tendinopathy: a single-blind randomized controlled trial. [S. l.], [202–?] |
|