![]() | |
|---|---|
![]() | |
| TRATAMENTO DE FERIDAS COMPLEXAS - RELATO DE CASO | |
| 1RODRIGO HERMINIO ROPELATO, 2CLAUDIANE LOPES VARELA, 3CARLOS EDUARDO DE ARRAIS YKEDA BAPTISTA, 4GLESIÊ BERTULUCI MARTINS MACHADO, 5LUCAS PARIZI ALVES, 6EGUIMAR ROBERTO MARTINS | |
| 1Médico Residente em Medicina de Família e Comunidade – INSA 2Médico Residente em Medicina de Família e Comunidade – INSA 3Médico Preceptor da residência em Medicina de Família e Comunidade – INSA 4Médico Residente em Medicina de Família e Comunidade – NOROSPAR 5Médico Residente em Medicina de Família e Comunidade – NOROSPAR 6Docente da UNIPAR |
|
| Introdução: Segundo Ferreira et al., 2006, ferida complexa é uma nova definição para identificar aquelas feridas crônicas e algumas agudas já bem conhecidas e que desafiam equipes médicas e de enfermagem. São difíceis de serem resolvidas usando tratamentos convencionais e simples curativos. Feridas complexas são lesões que geram uma alta morbimortalidade ao paciente e têm apresentado um aumento significativo de prevalência. Devido ao alto custo de tratamento, há busca por tecnologias que acelerem seu processo de cura (LOPES, 2024). Relato de Caso: Paciente T.H.C.S., 29 anos, masculino, tabagista, etilista social, sem comorbidades, relata que sofreu acidente auto-moto no início de Abril de 2025, resultando em ferimento por queimadura de terceiro grau em face posterior de panturrilha direita. Na ocasião ficou hospitalizado por cinco dias e após recebeu alta hospitalar sem as devidas orientações sobre cuidados com a ferida em domicílio. Por indicação de familiares fez uso de babosa sobre a lesão, negou uso de pomadas e curativos. Após cerca de trinta dias do acidente se apresentou em consulta no Ambulatório de Feridas da UNIPAR, apresentando duas lesões em face posterior de panturrilha direita, com cerca de 10 e 12 cm2, com centro necrótico e esfacelo, bordos definidos com presença de epíbole, hiperemia circundante, drenagem de secreção sero-hemática, associado a dor local nas bordas das feridas e odor fétido. Em primeiro momento foi iniciado tratamento com limpeza utilizando SF 0,9%, antissepsia com PHMB, desbridamento mecânico de tecidos desvitalizados. No segundo momento foi utilizado creme barreira na região perilesional, cobertura primária com colagenase+cloranfenicol para desbridamento enzimático, cobertura com gaze e ataduras. Após quinze dias de tratamento se fez uso de cobertura primária com hidrofibra+alginato de cálcio e secundária com Melolin. Com 45 dias de tratamento e repetidas trocas de curativos as lesões apresentaram hipergranulação sendo necessário uso de cloreto de sódio a 20%, tela antiaderente e espuma absorvente. O prazo entre o início do tratamento, cicatrização das lesões e alta médica se fez em 90 dias. Discussão: Feridas complexas representam um desafio significativo na prática clínica, caracterizando-se por dificuldade de cicatrização, etiologia multifatorial e impacto negativo na qualidade de vida. São exemplos típicos como úlceras de pressão, úlceras venosas, úlceras de pé diabético e feridas associadas à isquemia crítica de membros. A fisiopatologia dessas feridas envolve desregulação dos processos inflamatórios, angiogênese reduzida, alterações na deposição e remodelação da matriz extracelular, além de colonização bacteriana e formação de biofilme (GALLAGHER et al., 2024). Diversos fatores prognósticos estão associados ao atraso na cicatrização, incluindo diabetes, doença renal, doença arterial periférica, infecção, localização e área da ferida, presença de gangrena (MARQUES et al., 2023). A identificação desses fatores é fundamental para o desenvolvimento de planos terapêuticos individualizados e para o manejo das feridas deve ser realizado de forma multidisciplinar e seguir princípios fundamentais: desbridamento regular (cirúrgico, autolítico, mecânico, enzimático), controle da infecção, otimização do leito da ferida com curativos que o acompanhamento frequente permita ajustes na estratégia terapêutica conforme a evolução. Quando as feridas não apresentam redução significativa (>50%) após quatro semanas de tratamento convencional, deve-se considerar terapias avançadas, como terapia por pressão negativa (ALAWI et al., 2024). A presença de biofilme e colonização bacteriana é frequente e dificulta a cicatrização, sendo necessário o uso de curativos específicos e, quando indicado, antibióticos sistêmicos (GALLAGHER et al., 2024). Conclusão: Uso de terapia combinada com múltiplas medicações de uso tópico, coberturas primária e secundária diversas e colaboração do paciente, boa dieta alimentar, exercício de caminhada e restrição de bebida alcoólica se mostrou eficiente no tratamento de feridas complexas por queimadura com necrose associada, reduzindo o tempo de cicatrização e excluindo a necessidade de hospitalização, com custo relativamente baixo para o paciente que teve parte das medicações custeadas pelo SUS. |
|
| Referências: ALAWI, S. A. et al. Use of a collagen-elastin matrix with split-thickness skin graft for defect coverage in complex wounds. Journal of Wound Care, v. 33, n. 1, p. 14-21, 2 jan. 2024. FERREIRA, M. C. et al. Complex wounds. Clinics, v. 61, n. 6, p. 571-578, 2006. GALLAGHER, K. A. et al. Council on Cardiovascular and Stroke Nursing; Council on Clinical Cardiology; and Council on Lifestyle and Cardiometabolic Health. Current Status and Principles for the Treatment and Prevention of Diabetic Foot Ulcers in the Cardiovascular Patient Population: A Scientific Statement From the American Heart Association. Set., 2024. (Declaração Científica). GUSSO, G.; CERATTI, M. Tratado de Medicina de Família e Comunidade. 2. ed. [S.l.]: Artes Médicas, 2018. LOPES, F. A. et al. Há espaço para o uso de terapia por pressão negativa no tratamento de feridas complexas de pacientes do SUS?. Revista Brasileira de Cirurgia Plástica, v. 39, n. 4, p. s0045180175, 2024. MARQUES, R. et al. Prognostic factors for delayed healing of complex wounds in adults: a scoping review. International Wound Journal, v. 20, n. 7, p. 2869-2886, set. 2023. |
|