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| MORTALIDADE POR QUEDAS EM IDOSOS BRASILEIROS: DIFERENÇAS REGIONAIS E DE GÊNERO EM 2023 | |
| 1GEOVANA FACCIO GAINO, 2MARCELO AUGUSTO ALVES BATAIELO, 3MIRELLA MACHADO ORTIZ MODESTO | |
| 1Graduando em fisioterapia pelo Centro Universitário Ingá. Maringá, Paraná, Brasil. 2Graduando em enfermagem pelo Centro Universitário Ingá. Maringá, Paraná, Brasil. 3Docente de Enfermagem. Centro Universitário Ingá- Uningá. Maringá, Paraná, Brasil. |
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| Introdução: As quedas que ocorrem durante o ciclo de senescência e senilidade são um grande problema de saúde pública, pois estão relacionadas à diminuição da capacidade funcional e ao comprometimento da mobilidade (Novaes et al., 2023). O envelhecimento populacional representa um processo desafiador, devido ao aumento da população idosa, e ao crescimento de demandas relacionadas à procura por hospitalização (Nascimento, 2020). A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que um terço dos idosos sofre um episódio de queda por ano, o que leva a ser a segunda principal causa de morte por lesões não intencionais (OMS, 2021). Dessa forma, analisar a incidência de mortalidade decorrente das quedas, nas regiões brasileiras, permite compreender a necessidade de políticas públicas capazes de prevenir esses incidentes. Objetivo: Analisar as disparidades regionais nos índices de mortalidade em idosos do sexo masculino e feminino no ano de 2023. Material e Métodos: Trata-se de um estudo ecológico realizado com dados do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM) com dados referentes ao ano de 2023. Foi selecionado o CID W01, referente a queda no mesmo nível por escorregão, tropeção ou passos em falso. As variaveis adotadas para o estudo foram; regiões do Brasil, idade maior que 65 anos e sexo. A análise dos dados foi estatística descritiva, utilizando frequência absoluta e relativa para caracterizar a distribuição dos óbitos por quedas em idosos. Por se tratar de dados secundários foi dispensada a submissão ao Comitê de Ética em Pesquisa, em conformidade com a Resolução CNS nº 510/2016. Resultados: Em 2023, foram registrados um total de 2.475 óbitos de idosos por queda no Brasil. A análise dos dados revela uma disparidade significativa entre os sexos, com as mulheres representando 1.485 óbitos (60%) dos casos, enquanto os homens correspondem a 990 (40%) do total de óbitos. A distribuição regional desses dados mostra que a região Sudeste foi a que registrou o maior número de óbitos, 869, correspondendo a 35,11% do total nacional, seguido pela região Sul, com 842 (34,02%). A região Nordeste registrou 432 (17,45%) óbitos, enquanto as regiões Norte e Centro-Oeste apresentaram os menores números de óbitos, com 148 (5,98%) e 184 (7,43%), Com a analise da variavel sexo, nota-se um padrão em todas as regiões, a porcentagem de óbitos entre as mulheres é superior à de homens. A diferença é notável nas regiões Nordeste e Sul, onde as mulheres representam 63,43% e 63,42% dos óbitos, nesta ordem. A região Norte foi a que apresentou a menor mortalidade entre as regiões brasileiras, com um percentual de 53,38%. Discussão: Os resultados deste estudo evidenciam disparidades significativas nos índices de mortalidade por quedas entre idosos no Brasil, considerando-se variáveis como região, sexo e idade 65 anos mais. A maior concentração de óbitos ocorreu nas regiões Sudeste e Sul, o que pode estar relacionado à maior densidade populacional de idosos nessas áreas e um melhor acesso aos serviços de saúde, o que favorece a notificação e o registro desses eventos. Além disso, a urbanização e o envelhecimento populacional acelerado contribuem para uma maior exposição ao risco de quedas, especialmente em domicílios urbanos com infraestrutura inadequada (Silva; Idalino, 2024). Em relação a região Norte observa-se uma menor mortalidade, não necessariamente refletindo uma menor incidência de quedas, mas sim limitações no processo de notificação, o acesso reduzido aos serviços de saúde e a fragilidade dos sistemas de informação. A análise por sexo revelou um dado importante, as mulheres idosas representaram cerca de 60% dos óbitos por quedas, com destaque para as regiões Nordeste e Sul, trazendo um percentual que ultrapassa os 63%. Esse padrão de maior vulnerabilidade entre mulheres é discutido na literatura e pode estar associado a fatores biológicos, sociais e funcionais.(Vieira et al., 2018) Entre os fatores clínicos que contribuem para essa vulnerabilidade, destaca-se a sarcopenia, condição caracterizada pela perda progressiva de massa e força muscular, comum em mulheres idosas. A sarcopenia é um importante fator de risco para quedas, sendo que estudos mostram que mulheres com sarcopenia grave apresentam até 72% de incidência de quedas em um período de 18 meses (Gadelha et al., 2018). Esses dados reforçam a importância de estratégias preventivas específicas para essa população, que considerem tanto o contexto físico quanto social do envelhecimento. Conclusão: O estudo relatou as diferenças regionais e de gênero nos óbitos por quedas em idosos no Brasil, com maior mortalidade entre mulheres e nas regiões Sudeste e Sul. A vulnerabilidade feminina pode estar associada a fatores como a sarcopenia, reforçando a importância na atenção à saúde do idoso. Os resultados apontam para a necessidade de ações preventivas e políticas públicas que considerem as especificidades regionais e de gênero para a redução desses óbitos. |
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| Referências: GADELHA, André Bonadias. Associação entre estágios da sarcopenia, risco de quedas, equilíbrio estático e incidência de quedas em mulheres idosas. 2018. 153 f. Tese (Doutorado em Educação Física) – Universidade de Brasília, Brasília, 2018. Disponível em: http://repositorio.unb.br/handle/10482/32080. Nascimento MM. An overview of human aging theories. Saúde e Desenvolvimento Humano, 2020; 8(1): 161-168. Disponível em: https://doi.org/10.18316/sdh.v8i1.6192 https://doi.org/10.18316/sdh.v8i1.6192 NOVAES, A. D. C.; ABREU, D. R. O. M.; OLIVEIRA, R. R. D.; MATHIAS, T. A. F.; MARCON, S. S. Acidentes por quedas na população idosa: análise de tendência temporal de 2000 a 2020 e o impacto econômico estimado no sistema de saúde brasileiro em 2025. Ciência & Saúde Coletiva, v. 28, n. 11, p. 3101–3110, 2023. https://doi.org/10.1590/1413-812320232811.15722022 ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. Falls. 26 abr. 2021. Disponível em: https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/falls. Acesso em: 30 de ago. 2025. SILVA JÚNIOR, José Mário Nunes da; IDALINO, Rita de Cássia de Lima. Effects of age, period, and birth cohort on fall‑related mortality in older adults in Brazil from 1980 to 2019. Cadernos de Saúde Pública, Brasília, 2024. Disponível em: https://doi.org/10.1590/0102-311XEN136524. VIEIRA, Luna S. et al. Falls among older adults in the South of Brazil: prevalence and determinants. Revista de Saúde Pública, São Paulo, v. 52, 26 fev. 2018. Disponível em: https://doi.org/10.11606/S1518-8787.2018052000103. |
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