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| O PAPEL DO ENFERMEIRO NA ASSISTÊNCIA AOS FAMILIARES DE BEBÊS NATIMORTOS | |
| 1BARBARA PASSAGLIA NOVAIS, 2GABRIEL RIBEIRO DA SILVA, 3GABRIELA FÁVERO ESPOLADOR | |
| 1Discente do Curso de Enfermagem da UNIPAR 2Discente do Mestrado em Ciência Animal com Ênfase em Produtos Bioativos 3Docente da UNIPAR |
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| Introdução: A natimortalidade é definida como a morte fetal a partir da 22ª semana de gestação ou quando o feto possui peso igual ou superior a 500g. Esse evento representa não apenas a perda do bebê, mas também a interrupção de expectativas e projetos familiares, causando grande impacto emocional e social (Silva; Silva, 2021). Diante dessa realidade, a atuação da enfermagem torna-se fundamental, pois envolve acolhimento, escuta ativa e comunicação terapêutica, aspectos que contribuem para o enfrentamento do luto (Souza; Oliveira, 2019). Assim, a relevância do tema está na necessidade de ampliar a discussão sobre a assistência de enfermagem frente à natimortalidade, ressaltando a importância do cuidado integral, humanizado e empático. Objetivo: Analisar o papel do enfermeiro na assistência aos familiares de bebês natimortos, destacando práticas de acolhimento, comunicação terapêutica e cuidado humanizado. Desenvolvimento: O cuidado de enfermagem diante da natimortalidade ultrapassa os procedimentos clínicos, abrangendo dimensões emocionais, sociais e espirituais. Cada gesto, palavra e atitude do profissional influenciam a experiência de luto da família. O acolhimento é essencial para que os pais possam expressar suas emoções e sentir-se amparados em um momento de dor intensa (Lopes; Almeida; Souza, 2019). A presença da equipe de enfermagem, sensível e empática, ajuda a reduzir o sentimento de culpa, medo e desamparo, promovendo conforto emocional e suporte integral. A comunicação terapêutica é uma ferramenta central nesse processo. A forma como a notícia é transmitida, por meio do tom de voz, da postura e da escolha das palavras, pode aliviar ou intensificar a dor vivida pelos pais, conforme apontam Pereira, Costa e Silva (2018). Atitudes simples, como oferecer aos pais a possibilidade de ver ou tocar o bebê, quando permitido, contribuem para a construção de memórias significativas e favorecem a elaboração do luto, permitindo que os familiares sintam que o bebê foi reconhecido e respeitado (Pereira; Costa; Silva, 2018). A preparação emocional do profissional também é apontada como fundamental na literatura, uma vez que muitos enfermeiros relatam insegurança ao lidar com a morte perinatal. Essa fragilidade pode levar a afastamento ou a respostas automáticas de distanciamento, comprometendo a qualidade do cuidado. Estudos ressaltam que treinamentos específicos, supervisão clínica e discussões de casos contribuem para desenvolver habilidades que favorecem uma assistência empática e integral (Lopes; Almeida; Souza, 2019). Muitos enfermeiros relatam insegurança ao lidar com a morte perinatal, o que pode resultar em respostas de distanciamento, como a evitação do contato direto com os familiares, o uso de comunicações estritamente técnicas ou até o silêncio diante da dor dos pais (Lopes; Almeida; Souza, 2019). Treinamentos específicos, supervisão clínica e discussões de casos ajudam a equipe a desenvolver habilidades comunicacionais, emocionais e relacionais, que possibilitam oferecer cuidado empático sem comprometer o equilíbrio emocional do profissional, garantindo atenção integral à família (Lopes; Almeida; Souza, 2019). Segundo Souza e Oliveira (2019), práticas de humanização, como respeitar crenças religiosas, permitir despedidas, fotografias ou pequenos rituais simbólicos, podem ampliar o suporte emocional e fortalecer o vínculo entre equipe e família. Essas ações mostram que a atuação da enfermagem vai além da técnica, promovendo dignidade e conforto e auxiliando os pais a atribuírem sentido à perda. A implementação de políticas institucionais que reconheçam o luto perinatal como experiência significativa, aliada ao suporte psicológico contínuo, reforça o papel da enfermagem como agente de acolhimento e humanização. A integração entre preparo técnico, sensibilidade e práticas humanizadas possibilita que o processo de luto seja vivenciado com respeito, dignidade e suporte contínuo, fortalecendo a atuação da enfermagem em momentos de grande vulnerabilidade emocional (Silva; Silva, 2021). Conclusão: A enfermagem desempenha papel essencial na assistência às famílias que vivenciam a natimortalidade, pois vai além do cuidado técnico, abrangendo dimensões emocionais, sociais e espirituais. O acolhimento humanizado, a comunicação terapêutica e a preparação adequada dos profissionais configuram-se como pilares fundamentais para oferecer uma assistência ética, empática e integral. Conclui-se que investir em capacitação contínua, protocolos institucionais e suporte à equipe multiprofissional é indispensável para que os enfermeiros estejam preparados para lidar com a complexidade do luto perinatal, garantindo dignidade e amparo às famílias em um dos momentos mais difíceis de suas vidas. |
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| Referências: BEZERRA, A. P.; LIMA, R. S.; SANTOS, M. C. O papel da enfermagem no cuidado à família enlutada por natimortalidade. Revista Brasileira de Enfermagem, v. 77, n. 4, p. 1123-1131, 2024. LOPES, J. R.; ALMEIDA, C. M.; SOUZA, R. F. Desafios da enfermagem na assistência às famílias em luto perinatal. Revista de Ciências da Saúde, v. 17, n. 3, p. 201-210, 2019. PEREIRA, L. M.; COSTA, A. P.; SILVA, E. B. Comunicação terapêutica e suporte emocional na enfermagem perinatal. Revista de Enfermagem e Saúde, v. 11, n. 1, p. 87-95, 2018. SANTOS, V. L.; SANTOS, F. V. Estratégias de humanização no cuidado à família enlutada: uma revisão integrativa. Revista de Enfermagem Atual, v. 9, n. 1, p. 34-42, 2022. SILVA, M. R.; SILVA, J. P. O impacto da natimortalidade na família e o papel da enfermagem. Revista Brasileira de Saúde Materno Infantil, v. 21, n. 2, p. 75-82, 2021. SOUZA, R. F.; OLIVEIRA, D. A. Luto perinatal: implicações para a prática da enfermagem. Enfermagem em Foco, v. 10, n. 3, p. 55-62, 2019. STREFLING, C.; ALMEIDA, P. R.; BARROS, L. A. Protocolos de enfermagem para assistência a famílias de bebês natimortos. Revista de Enfermagem e Pesquisa, v. 13, n. 2, p. 120-130, 2015. |
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