ABSTINÊNCIA ALCOÓLICA: IMPLICAÇÕES CLÍNICAS E PSICOSSOCIAIS NO PROCESSO DE REABILITAÇÃO
1THALIA DA SILVA CAMARGO, 2LAUANA EMANUELLY FERREIRA, 3CAMILY VICTORIA HAUS BARBOSA, 4DAISY CRISTINA RODRIGUES
1Acadêmica do Curso de Enfermagem da UNIPAR
2Acadêmica do Curso de Enfermagem da UNIPAR
3Acadêmica do Curso de Enfermagem da UNIPAR
4Docente da UNIPAR
Introdução: A síndrome de abstinência alcoólica (SAA) constitui uma condição clínica complexa, com manifestações que variam de sintomas leves a complicações graves, impactando de forma significativa a saúde pública. Estudos recentes apontam que o uso abusivo do álcool associado ao contexto de vulnerabilidade social e psicológica intensifica o risco de recaídas e agrava o quadro clínico (Gerbaldo et al., 2022; Schlindwein et al., 2024).
Objetivo: Revisar a literatura científica sobre a síndrome de abstinência alcoólica, enfatizando seus aspectos clínicos, farmacológicos e psicossociais, além de estratégias para manejo e prevenção de recaídas.
Desenvolvimento: A literatura descreve a SAA como resultado da interrupção abrupta do uso de álcool, com alterações no sistema nervoso central que podem desencadear crises convulsivas, alucinações e delirium tremens (Zaleski et al., 2004). O tratamento farmacológico baseia-se no uso de benzodiazepínicos, comprovadamente eficazes para reduzir a excitabilidade neuronal e prevenir complicações graves (Gonçalves et al., 2020). Além do manejo clínico, torna-se essencial considerar os determinantes psicossociais da abstinência, os fatores socioeconômicos influenciam diretamente na capacidade do indivíduo manter-se abstinente após o tratamento. Desemprego, pobreza, baixa escolaridade e ausência de suporte comunitário estão entre os principais fatores de risco para recaída. Investimentos em políticas públicas que promovam reinserção social, geração de renda e fortalecimento de redes de apoio comunitário são determinantes para garantir o sucesso a longo prazo do processo de reabilitação. Estudos demonstram que o apoio familiar e os grupos terapêuticos fortalecem a manutenção da sobriedade e favorecem a ressignificação da experiência com o álcool (Sílvio et al., 2024). O cenário pandêmico evidenciou ainda mais a fragilidade no cuidado a usuários de álcool, destacando a necessidade de reorganização dos serviços de saúde mental (Gerbaldo et al., 2022).
Conclusão: A SAA deve ser compreendida a partir de uma perspectiva integral, que considere tanto os aspectos clínicos e farmacológicos quanto os fatores psicossociais relacionados ao tratamento. A integração entre cuidados médicos, suporte psicossocial e estratégias comunitárias se mostra fundamental para reduzir riscos e promover a reabilitação efetiva de pessoas em abstinência alcoólica.
Referências:
GERBALDO, Tiziana Bezerra. et al. O impacto da pandemia de covid-19 na assistência à saúde de usuários de álcool no Brasil. Saúde e Sociedade, São Paulo, v. 31, n. 2, p. 1-15, 2022. Disponível em: https://www.scielo.br/j/sausoc/a/ghyVcNB8RxnSgjzzJTxmqXF/?format=html&lang=pt. Acesso em: 27 ago. 2025. GONÇALVES, Otávio Henrique Polles. et al. Benzodiazepinics and the treatment of delirium: a literature review. Revista da Associação Médica Brasileira, São Paulo, v. 66, n. 8, p. 1092-1098, 2020. Disponível em: https://www.scielo.br/j/ramb/a/rnkRbbPBstspG8DsJHB647z/?format=html&lang=en. Acesso em: 27 ago. 2025. SÍLVIO, Éder Dias da Silva. et al. Representações sociais do alcoolismo: Vivências de um grupo de usuários abstêmios. Cogitare Enfermagem, São Paulo, v. 29, e93340, 2024.. Disponível em: https://www.scielo.br/j/cenf/a/Kj6YHXqLPHL5SqKXLGFgdkv/?format=pdf&lang=pt. Acesso em: 27 ago. 2025. ZALESKI, Marcos et al. Aspectos neurofarmacológicos do uso crônico e da Síndrome de Abstinência do Álcool. Brazilian Journal of Psychiatry, v. 26, p. 40-42, 2004.. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rbp/a/3hV8JQfxyb4WLXjSwJ6x75Q/?lang=pt&format=html. Acesso em: 27 ago. 2025. SCHLINDWEIN, Vanderléia de Lurdes Dal Castel et al. Sofrimento psíquico, uso de drogas e trabalho. Revista Brasileira de Saúde Ocupacional, v. 49, p. edcinq17, 2024.. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rbso/a/tPGJ4sK9rYvmN4PyfxTLsfM/?format=pdf&lang=pt. Acesso em: 27 ago. 2025.