SIMULAÇÃO DE SEMEADURA NO PÓ: EFEITOS DE DIFERENTES REGIMES HÍDRICOS E TEMPERATURAS NA EMERGÊNCIA DE SEMENTES DE MILHO  
1LEANDRO ANTONIO LIMA CARVALHO, 2DANIEL VINCENTINI DOS SANTOS, 3JOAO PAULO FRANCISCO, 4THIAGO ALBERTO ORTIZ
1Discente de Agronomia, PIC, Universidade Paranaense (UNIPAR)
2Discente de Agronomia, PIC, Universidade Paranaense (UNIPAR)
3Professor, Agronomia, Universidade Estadual de Maringá (UEM)
4Professor titular, Orientador, Biotecnologia aplicada à agricultura e Agronomia, Universidade Paranaense (UNIPAR)
Introdução: A cultura do milho é uma das mais importantes mundialmente, fornecendo alimento para humanos e animais, e o crescimento da população aumenta a demanda por estratégias que elevem sua produtividade (Crispin, Sartori e Alencar, 2025). O desempenho das culturas depende da qualidade fisiológica das sementes, a qual é influenciada por fatores ambientais, como solo, água e temperatura, que afetam a germinação e o estabelecimento das plântulas. Estudos indicam que sementes de soja semeadas em solo seco mantêm sua viabilidade por até 14 dias sem prejuízo à produtividade; entretanto, períodos mais longos, como 21 dias, resultam em queda acentuada (Rezende et al., 2003). No milho, quando a semeadura não ocorre na janela ideal, torna-se fundamental avaliar os efeitos das condições ambientais sobre germinação e emergência, a fim de garantir o estabelecimento inicial da cultura.
Objetivo: Avaliar como diferentes regimes hídricos e temperaturas afetam a emergência de sementes de milho de distintos genótipos.
Material e Métodos: O experimento foi conduzido na Universidade Paranaense (UNIPAR), campus Umuarama–PR, utilizando dois híbridos de milho (AG 1051 e DKB 360 PRO3). Adotou-se o delineamento inteiramente casualizado, em esquema fatorial 3 × 3 + 1, com três temperaturas (30, 35 e 40 °C) e três períodos de restrição hídrica (5, 11 e 15 dias), além da testemunha mantida a 25 °C e em capacidade de campo, com quatro repetições. As unidades experimentais foram caixas Gerbox® (11,5 × 11,5 × 3,5 cm) contendo 400 g de solo arenoso (0–10 cm), seco a 65 °C por 48 h, semeadas com 25 sementes distribuídas em cinco linhas. Após cada período de restrição, o solo foi mantido em capacidade de campo com reposição diária de água, e as unidades foram transferidas para sala climatizada a 28 °C até o término das avaliações. Foram avaliadas as seguintes variáveis: porcentagem de emergência (PE, coleóptilo ≥ 1 mm); índice de velocidade de emergência (IVE, Maguire, 1962); tempo médio de emergência (TME, Lima et al., 2006), por meio de contagens diárias durante 20 dias, até a estabilização da emergência; comprimento da parte aérea (CPA) e da raiz (CR); massa seca da parte aérea (MSPA) e da raiz (MSR). Além disso, 25 dias após a semeadura, foram analisados parâmetros bioquímicos e fisiológicos, incluindo índices de balanço de nitrogênio (NBI), clorofilas (CHL), flavonoides (FLAV) e antocianinas (ANTH), bem como o rendimento quântico efetivo do fotossistema II (PSII) (Y), rendimento quântico máximo do PSII (Fv/Fm), potencial fotoquímico (Fv/Fo), coeficiente de extinção fotoquímica (qP), coeficiente de extinção não fotoquímica (qN), parâmetro de extinção não fotoquímica (NPQ) e rendimento quântico de energia não dissipada (Y[NO]). Os dados foram submetidos à análise de variância (ANOVA), e as médias comparadas pelo teste de Dunnett (p < 0,05), utilizando o software Sisvar.
Resultados: As variáveis de vigor das plântulas foram mais sensíveis aos fatores avaliados (temperatura e restrição hídrica) do que os parâmetros fisiológicos e bioquímicos. No híbrido DKB 360 PRO3, a emergência reduziu a 40 °C e a partir de 11 dias de restrição; IVG diminuiu e TMG aumentou em temperaturas superiores a 25 °C, CPA elevou-se acima de 25 °C e com mais de 5 dias de restrição, e MSR aumentou a 35 °C e com 11 dias de restrição. NBI e CLOR reduziram em temperaturas elevadas e sob déficit hídrico, enquanto qP aumentou a 40 °C e 15 dias, caracterizando condição de estresse. No híbrido AG 1051, a emergência reduziu a 40 °C e a partir de 15 dias de restrição; IVG diminuiu e TMG aumentou em temperaturas superiores a 25 °C e a partir de 5 dias de restrição, enquanto CPA, CR e MSPA reduziram em condições de estresse térmico e hídrico. NBI e CLOR também diminuíram em altas temperaturas e períodos prolongados de restrição. Já ANT aumentou e Y reduziu a 30 °C e com 5 dias de restrição, enquanto Fv/Fo e Y(NO) aumentaram a partir de 11 dias, indicando maior eficiência do PSII sob estresse, acompanhada da redução de qP no mesmo período.
Discussão: Segundo Rezende et al. (2003), a água é essencial para o desenvolvimento das plantas, mas seu suprimento nem sempre é ideal em condições de campo, podendo atrasar a germinação e aumentar a exposição a patógenos, reduzindo o estande inicial. Em soja, sementes mantidas em solo seco por até 14 dias não apresentam comprometimento na produtividade, oferecendo maior flexibilidade ao produtor, enquanto períodos mais longos, como 21 dias, resultam em perdas significativas (22,2% – 572 kg ha⁻¹). Os mesmos autores relatam que a prática de semeadura em solo seco tem sido utilizada há alguns anos na cultura do milho, geralmente sem problemas; entretanto, no presente estudo, não foi observada a mesma resposta.
Conclusão: Os materiais genéticos responderam de forma distinta às variações ambientais. No híbrido DKB 360 PRO3, a CPA aumentou em temperaturas mais elevadas e sob restrição hídrica, enquanto no AG 1051 observou-se redução. De forma geral, temperaturas superiores a 25 °C após a semeadura e períodos de restrição hídrica acima de 5 dias tendem a comprometer o desenvolvimento das plântulas.
Referências:
Crispin, E. F.; Sartori, T. dos S.; Alencar, J. R. de C. C. de. Interação entre manejo fitossanitário e genético da cultura do milho sobre o complexo de molicutes e viroses. Revista Foco, v. 18, n. 8, 2025.
Rezende, P. M. de; Machado, J. da C.; Gris, C. F.; Gomes, L. L.; Botrel, É. P. Efeito da semeadura a seco e tratamento de sementes na emergência, rendimento de grãos e outras características da soja (Glycine max (L.) Merrill). Ciência e Agrotecnologia, v. 27, n. 1, p. 76-83, 2003.