UTILIZAÇÃO DE INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NA SAÚDE: DESAFIOS E BENEFÍCIOS DA IMPLEMENTAÇÃO DESSA FERRAMENTA  
1IAN CARLOS DA SILVA PERES, 2LYNCON RODRIGUES NUNES, 3MARCOS PAULO MACEDO, 4FABIO ALEXANDRE TAFFE, 5RODRIGO ANGELO TOMAZI, 6LEDIANA DALLA COSTA
1Acadêmico do Curso de Enfermagem/Universidade Paranaense – Unidade de Francisco Beltrão.
2Acadêmico do Curso de Enfermagem/Universidade Paranaense – Unidade de Francisco Beltrão.
3Discente do Curso de Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas da UNIPAR – Universidade Paranaense, Campus Francisco Beltrão – PR
4Docente do Curso de Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas da UNIPAR – Universidade Paranaense, Campus Francisco Beltrão – PR
5Docente do Curso de Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas da UNIPAR – Universidade Paranaense, Campus Francisco Beltrão – PR
6Docente do Curso de Enfermagem da Unipar – Universidade Paranaense, Campus Francisco Beltrão – PR
Introdução: Com o avanço tecnológico na última década, a IA tornou-se comum em diversas áreas, incluindo a saúde. Ela utiliza várias tecnologias para identificar características, processar dados e chegar a padrões (Souza et al., 2021). Atualmente, já é realidade em campos da medicina como detecção assistida, diagnóstico assistido, análise quantitativa e suporte à decisão clínica. Ainda assim, por tratar-se da saúde humana, é essencial atentos a possíveis equívocos e à ocultação de informações relevantes na prescrição e no cuidado, mantendo a necessidade da conferência manual de dados e resultados (Silva, 2024). A Inteligência Artificial (IA), apoiada pelas definições citadas, pode ser deliberada como campo da ciência da computação que desenvolve sistemas e algoritmos, capazes de executar tarefas que normalmente exigiriam inteligência humana, como raciocínio, aprendizado, reconhecimento de padrões e tomada de decisão. Quando aplicada no contexto da saúde, a Inteligência Artificial (IA) se configura como ferramenta tecnológica estratégica, e, assim, embasada pelo conteúdo operacional da área de saúde, vinculada ao plano tático e estratégico, pode ser aplicada para apoiar diagnósticos, personalizar tratamentos, otimizar processos clínicos e administrativos, além de potencializar a análise de grandes volumes de dados médicos.
Objetivo: Este estudo tem o objetivo de analisar, com base na literatura existente, os desafios da adaptação da IA no campo da saúde humana e os potenciais benefícios para a assistência prestada.
Desenvolvimento: Com base no Sistema Único de Saúde (SUS), desafios estruturais e organizacionais são recorrentes em quase todos os níveis de atenção em saúde, alguns destes desafios acabam dificultando o acesso ou a qualidade do serviço prestado à população. Ao considerar a Assistência Primária em Saúde (APS), como a base de entrada do Sistema Único de Saúde, esta enfrenta desafios quanto à análise de dados demográficos e aos levantamentos com base na característica da população assistida. A implementação de IA nesse cenário, considerando o grande volume de dados a serem analisados para identificação de possível padrão, diagnóstico ou riscos, pode fazer com que tomadas de decisões sejam mais eficazes, desde uma campanha para erradicação de algum possível fator de risco para a população, até mesmo para alocação de recursos humanos e financeiros, por meio das gestões e dos membros dos conselhos em saúde para, assim, prestar assistência mais focalizada nas áreas de maior vulnerabilidade (Torres et al., 2025). Além do serviço realizado pela APS, a IA toma grande destaque no quesito de análise de imagens, pode-se relacionar isso com exames radiológicos. Ao tomar como exemplo possíveis diagnósticos oncológicos realizados por exames de imagem, a ferramenta demonstra ser muito mais do que um possível “sim” ou “não” para confirmação ou não do diagnóstico, com todos os dados atuais, esta mostrou ir além e pode até mesmo sugerir se tratar de uma lesão maligna ou benigna, se apresenta mutações, quais as possíveis chances do paciente apresentar resposta positiva ao tratamento e, inclusive, da sobrevida do mesmo (Silva et al., 2025). Contudo, além dos possíveis benefícios, a implementação possui também alguns obstáculos, como a quebra do sigilo de dados dos pacientes. A LGPD assegura o compartilhamento ou não dos dados dos usuários, inclusive dos sistemas de saúde. O National Health Sistem (NHS) da Inglaterra mostra mais experiências positivas do que divergências na troca de dados. Por envolver grande processamento de dados, não é possível descaracterizar divergências ou informações incorretas da ferramenta; é necessária forte capacitação e treinamento dos profissionais no uso de sistemas e máquinas, para evitar complicações e assegurar o direito à saúde do paciente de forma integral (Silva et al., 2025).
Conclusão: Com o contexto apresentado, é nítido que a Inteligência Artificial (IA) representa ferramenta tecnológica com elevado potencial de transformação na área da saúde, sobretudo, ao possibilitar maior precisão diagnóstica, melhor utilização dos recursos disponíveis e maior efetividade nas decisões estratégicas. Apesar dos desafios estruturais, legais e éticos que envolvem a implementação, os benefícios associados ao uso da Inteligência Artificial (IA), tanto na Assistência Primária em Saúde (APS), quanto em exames especializados, reforçam a importância como aliada para melhoria da qualidade da assistência e da gestão em saúde. Com abordagem sistêmica, visando implementação e uso de tecnologia aplicada a sistemas com algoritmos capacitados tecnicamente e com visão holística dos níveis organizacionais na gestão da saúde, o estratégico, o tático e o operacional, que representam diferentes níveis de planejamento e tomada de decisão, desde as decisões de longo prazo da alta direção (estratégico) até as atividades do dia a dia (operacional), passando pelas metas de médio prazo dos departamentos (tático), a Inteligência Artificial (IA) desponta como recurso inovador na saúde, equilibrando benefícios diagnósticos e de gestão com desafios éticos e estruturais a serem superados.
Referências:
SILVA, Gabriela Gomes da et al. Desafios do Uso da Inteligência Artificial nos diagnósticos de saúde: uma revisão integrativa. Caderno Ibero-Americanos de Direito Sanitário, [S.l.], v. 13, n. 2, 2024. Disponível em: https://www.cadernos.prodisa.fiocruz.br/index.php/cadernos/article/view/1241. Acesso em: 7 set. 2025.
RODRIGUES, Joanna Pinheiro et al. Aplicações da IA na Saúde Humana. Anais do Congresso Nacional Universidade, EAD e Software Livre, [S.l.],  v. 2, n. 12, 2021. Disponível em: https://ueadsl.textolivre.pro.br/index.php/UEADSL/article/view/631. Acesso em: 7 set. 2025.
TORRES, Douglas Rodrigues et al. Aplicação da Inteligência Artificial na Atenção Primária à Saúde: revisão de escopo e avaliação crítica. Saúde em Debate, São Paulo, v. 45, n. 145, p.e10070, 2025. Disponível em: https://www.scielo.br/j/sdeb/a/PVB3n8hZ4WJpg9x3zVHTTxg/?format=html&lang=pt. Acesso em: 7 set. 2025.