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| A FAMÍLIA DA CRIANÇA COM O TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA (TEA): PERCEPÇÃO DE UMA PSICÓLOGA | |
| 1RAQUEL LEMES WALKER, 2ANGELA ARIANE DALZOTO GRANISKA RIBAS | |
| 1Acadêmica do Curso de Enfermagem da Universidade Paranaense - UNIPAR 2Docente Orientadora do Departamento de Enfermagem da Universidade Paranaense – UNIPAR |
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| Introdução: O TEA é um transtorno do neurodesenvolvimento que afeta principalmente a comunicação e a interação social, surgindo principalmente na primeira infância, sendo um transtorno crônico e evolutivo. O diagnóstico baseia-se na avaliação de dificuldades nas relações interpessoais e em padrões comportamentais específicos ( Morais; Pereira; Anache, 2025;). O DSM-5 traz especificadores de gravidade para descrever os sintomas de cada paciente. Sendo classificado em 3 categorias: "Exigindo apoio" (Nível 1), "Exigindo apoio substancial" (Nível 2) e "Exigindo apoio muito substancial" (Nível 3). Para cada destes níveis apresenta-se um nível de dificuldades de comunicação social e dos comportamentos restritivos e repetitivos (APA, 2014). O profissional deve avaliar a criança e a família, oferecendo suporte, orientação, trazer uma aceitação do diagnóstico, fortalecer o vínculo entre profissionais, familiares e criança, e promover a adesão ao tratamento. Além disso, busca esclarecer dúvidas, levar conhecimento e incentivar a autonomia da família na tomada de decisões, trazendo qualidade de vida à criança (Moreira; Lima; Guerra, 2023). Esse estudo é relevante, pois abordou a experiência de uma psicóloga que atua com crianças com TEA e a família desta, possuindo uma visão prática em virtude da sua experiência para criar estratégias de intervenção e adaptações necessárias para lidar com as especificidades do TEA. Objetivo: O objetivo geral foi analisar a percepção de uma psicóloga frente às repercussões na vida da família de uma criança com TEA. Material e Métodos: Estudo descritivo, qualitativo, tendo como desenho metodológico um estudo de caso, de caráter qualitativo. Participou do estudo uma psicóloga que atua no acompanhamento de crianças com TEA há 8 anos. Após o aceite da participação foi solicitada assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido - TCLE. A pesquisa foi submetida e aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa da UNIPAR - Universidade Paranaense (CAAE: 88614725.2.0000.0109). Para a coleta de dados foi realizada uma entrevista conduzida com uso de um roteiro de perguntas estruturadas, gravado com um dispositivo celular, após foi realizada a transcrição das respostas. Resultados: A entrevistada relatou que atualmente atua majoritariamente no processo de avaliação para intervenção, tendo em vista que comumente as crianças já chegam com o diagnóstico. Porém, em alguns casos, realiza-se um processo de diagnóstico por meio de uma avaliação neuropsicológica com instrumentos de rastreio (M-Chat e o Protea-R), mas o diagnóstico é clínico, sendo necessário ter conhecimentos sobre o desenvolvimento infantil típico e ter conhecimentos sólidos do TEA. Quanto aos principais fatores que se considera ao realizar um diagnóstico a entrevistada destacou novamente a necessidade de conhecer sobre o desenvolvimento infantil e sobre o TEA. Além disso, um fator crucial é conhecer a realidade da família e da criança, Isso se explica pela importância em descartar qualquer outra coisa que justifique os sinais e sintomas que possam estar próximos ao diagnóstico. Infere-se que o TEA deve ser compreendido à luz dos aspectos econômicos, sociais, financeiros, de saúde mental, de saúde pública, e de políticas que deveriam ser efetivas para melhor inserção social dessas pessoas, sem preconceito, sem discriminação e com atenção. Discussão: A prática dessa profissional também se pauta em realizar diagnóstico precoce. Esse processo é muito relevante em crianças com alterações no desenvolvimento, trazendo uma melhora no prognóstico e subsidia uma intervenção precoce, o que é fundamental para o desenvolvimento do comportamento geral e da comunicação, possibilitando que a expressão oral e a compreensão para que a criança possa participar ativamente nos seus contextos de interação (Pichini et al., 2016). O profissional a família devem ter um bom vínculo, pois ele trará informações adequadas e de qualidade aos pais, um espaço para minimizar as dúvidas e anseios, contribuem para a estruturação familiar, colaboração na tomada de decisão e o apoio necessário a ser oferecido ao filho a partir desse momento (Souza; Souza, 2025). O estudo de Bhaskaran, Scaria e George (2024) evidenciam que mediante a um diagnóstico de TEA, a família lida com a turbulência, sentimento de desamparo e de luto, uma sensação inesperada de perder um filho idealizado, juntamente com choque, negação, medo, culpa, raiva e/ou tristeza. Dessa forma, a estabilidade emocional e o enfrentamento dos pais são altamente essenciais para a reabilitação da criança. Conclusão: Conclui-se que a prática dessa psicóloga está condizente com as evidências apresentadas na literatura atual acerca do diagnóstico em TEA, demonstrando conhecimento sobre a condição e como deve ocorrer seu diagnóstico, compreendendo a relevância de uma avaliação ampla, considerando não somente os sintomas, mas o histórico de desenvolvimento e o contexto familiar, ou seja, muito importantes para o entendimento do quadro clínico para elaborar hipóteses diagnósticas mais precisas. |
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| Referências: APA. AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION. Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais: DSM-5. Artmed. Porto Alegre. v.5. p 1-1381. Disponível em: DSM_5_Atualizado_Portugues_DSM_5_TR_Amer. Acesso em: 12 mar. 2025. BHASKARAN, D; SCARIA, L; GEORGE, B. Grief among parents of children with autism spectrum disorders: a systematic review. International Journal of Developmental Disabilities, p. 1-9, 2024. Disponível em: https://www.tandfonline.com/doi/full/10.1080/20473869.2024.2387401. Acesso em: 19 ago. 2025. MORAIS, J. J. L.; PEREIRA, R. F.; ANACHE, A. A. Estudos sobre os instrumentos diagnósticos do transtorno do espectro autista. Revista psicologia e saúde. Campo grande. v.17, p,1-12., jan/dez. 2025. Disponível em: https://www.pssa.ucdb.br/pssa/article/view/3013/1777. Acesso em: 08 set. 2025. MOREIRA, T; LIMA, A. M. N; GUERRA, M. M. Sobrecarga do cuidador informal de crianças com transtorno do espectro do autista. Journal Health NPEPS, v. 5, n. 1, p. 38-51, 2020. Disponível em: https://bdigital.ufp.pt/handle/10284/9727. Acesso em: 25 ago. 2025. PICHINI, F. D. S.; RODRIGUES, N. D. G. S.; AMBRÓS, T. M. B.; SOUZA, A. P. R. D. Family and therapist perception of child evolution in an interdisciplinary approach on early intervention. Revista CEFAC, v. 18, n. 1, 2016, p. 55-66. Disponível em: scielo.br/j/rcefac/a/pHzCB3TVndFxjt39XfqHrpG/?format=pdf&lang=pt. Acesso em: 15 jul. 2025. SOUZA, R. F. A; SOUZA, J. C. P. Os desafios vivenciados por famílias de crianças diagnosticadas com transtorno de espectro autista. Perspectivas em Diálogo: Revista de educação e sociedade, v. 8, n. 16, p. 164-182, 2021. Disponível em: file:///C:/Users/User/Downloads/10668-Texto%20do%20artigo-44852-2-10-20210107.pdf. Acesso em: 19 ago. 2025. |
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