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| TRANSTORNO DE ANSIEDADE NA INFÂNCIA: UMA ABORDAGEM NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE | |
| 1GLESIE BERTULUCI MARTINS MACHADO, 2CLAUDIANE LOPES VARELA, 3RODRIGO HERMINIO ROPELATO, 4LORENA RESENDE RAMOS, 5ANNA CÉLIA ARENAS RODRIGUES, 6EGUIMAR ROBERTO MARTINS | |
| 1Médica Residente em Medicina de Saúde de Família e Comunidade, Associação Beneficente de Saúde do Noroeste do Paraná – NOROSPAR 2Médica Residente em Medicina de Saúde de Família e Comunidade, Instituto Nossa Senhora Aparecida – INSA 3Médico Residente em Medicina de Saúde de Família e Comunidade, Instituto Nossa Senhora Aparecida – INSA 4Médica Residente em Medicina de Saúde de Família e Comunidade, Associação Beneficente de Saúde do Noroeste do Paraná – NOROSPAR 5Médica preceptora do Programa de Residência Médica de Saúde de Família e Comunidade, Associação Beneficente de Saúde do Noroeste do Paraná 6Docente da UNIPAR |
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| Introdução: A infância é considerada um período marcante na formação dos aspectos cognitivos, emocionais e sociais do indivíduo, sendo fundamental para o desenvolvimento das habilidades e da personalidade que o acompanharão durante toda a vida. Nessa fase, fatores psicológicos, biológicos e ambientais se confluem e influenciam diretamente o bem-estar mental das crianças (VIEIRA et al., 2025). Desse modo, compreendendo a real importância desse período associado ao aumento significativo na prevalência de transtornos mentais, como a ansiedade, torna-se fundamental a presente abordagem na Atenção Primária à Saúde (APS), principalmente na Estratégia de Saúde da Família (ESF), visto que essa é a principal porta de entrada do Sistema Único de Saúde (SUS). Esse setor é responsável por articular estratégias eficazes de detecção precoce e consequente intervenção no sofrimento psíquico nesse grupo populacional de forma a minimizar seus efeitos negativos, prevenindo sua progressão e melhorando os desfechos em longo prazo (COSTA et al., 2024). Objetivo: O presente trabalho se conceitua como um resumo de revisão que visa expressar a ansiedade como um dos transtornos mentais mais prevalentes na infância e a necessidade e importância de sua abordagem no contexto da APS. Desenvolvimento: Os transtornos de ansiedade (TAs), caracterizados como uma disfunção da atividade mental onde se compartilham características de medo, tensão ou desconforto derivados da antecipação de perigo, de algo desconhecido ou estranho (AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION, 2014), são as formas mais comuns de psicopatologia infantil que, por consequência, quando presentes, comprometem significativamente o desenvolvimento, o bem-estar e a qualidade de vida de crianças e adolescentes (ARANGO et al., 2021; MOOG et al., 2023). Atualmente, estima-se que aproximadamente 10 a 20% dos indivíduos nessa faixa etária (entre 10 a 19 anos), em todo o mundo, enfrentam problemas de saúde mental, com ênfase nos TAs (CARROLL et al., 2022), entretanto, a maioria destes não recebe diagnóstico ou tratamento adequado (VIEIRA et al., 2025). Os casos de sofrimento mental em crianças são subdiagnosticados, na maioria das vezes, pois as mesmas não sabem como expressar as suas emoções de forma livre, bem como, não possuem consciência acerca de seus sentimentos, o que faz com que seus temores sejam estimados como excessivos, ainda que sejam verdadeiros (PESSOA et al., 2024). Os TAs na infância apresentam etiologia multifatorial, tais como gênero, características individuais e comportamentais (Ex. capacidade de adaptação, inibição e temor), bem como fatores socioambientais (Ex. pobreza, exposição a ambientes estressantes, rejeição e/ou negligencia parental) e hereditariedade (EMERICK; ROSSO, 2020; MELO;LIMA, 2019). Seu diagnóstico é feito através da escuta ativa qualificada da criança e responsáveis, buscando compreender seus sinais e sintomas, atrelado a confirmação pelos critérios predefinidos no Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais (DSM-5). Fundamentalmente a presente abordagem se conduz de forma excepcional pelas equipes multiprofissionais pertencentes à ESF, sendo elas a porta de entrada do SUS, que atuam visando identificar precocemente tais sinais de sofrimento psíquico nesse grupo etário, pois possuem como característica diferencial o acompanhamento do desenvolvimento destes desde os primeiros anos de vida (VIEIRA et al., 2025). Quando confirmado o diagnóstico, a APS auxilia no tratamento da criança com o acompanhamento longitudinal por meio da articulação das redes de apoio, cujo intuito é fortalecer e priorizar uma atenção integral à saúde mental, encaminhamento, quando oportuno, para terapias adequadas (DE CARVALHO et al., 2024), bem como a prescrição medicamentosa, quando necessária, com Inibidores Seletivos da Recaptação de Serotonina e Inibidores da Receptação de Serotonina e Noradrenalina, que são as primeiras escolhas terapêuticas (LOPES et al., 2021). Conclusão: Sendo a ansiedade a psicopatologia mais incidente que compromete a qualidade de vida de crianças e adolescentes em todo o mundo (PESSOA et al., 2024), torna-se imprescindível a compreensão desta e a consequente abordagem do presente tema na APS. Sua detecção precoce e acompanhamento longitudinal pelas equipes da ESF são ferramentas primordiais para o cuidado integral e na prevenção de danos posteriores, proporcionando maior qualidade de vida para as crianças e seus respectivos familiares (VIEIRA et al., 2025). |
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| Referências: AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION. Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais: DSM 5. Porto Alegre: Artmed, 2014 ARANGO, C. et al. Fatores de risco e proteção para transtornos mentais além da genética: um atlas baseado em evidências. Psiquiatria mundial: revista oficial da Associação Psiquiátrica Mundial (WPA), v. 20, n. 3, p. 417–436. 2021. CARROLL, R. et al. Examinando transtornos de saúde mental em pacientes pediátricos com sobrepeso e obesidade. Journal of pediatric health care: publicação oficial da National Association of Pediatric Nurse Associates & Practitioners, v. 36, n. 6, p. 507–519. 2022. COSTA, M. R. et al. Saúde mental infantil: Detecção precoce e intervenções em transtornos de ansiedade e depressão. LUMEN ET VIRTUS, v. 15, n. 39, p. 3106-3115, 2024. DE CARVALHO, M. L. S. N. D. et al. Saúde mental infantil: Detecção precoce e intervenções em transtornos de ansiedade e depressão. LUMEN ET VIRTUS, v. 15, n. 39, p. 3106–3115, 2 set. 2024. EMERICK, A. S. V.; ROSSO, M.L. A relação da estrutura familiar e o desenvolvimento da ansiedade infantil. 2020. 19 f. TCC (Graduação em Psicologia) – Curso de Psicologia, Universidade do Sul de Santa Cataria, 2020. LOPES, A.B. et al. Transtorno de ansiedade generalizada: uma revisão narrativa. Revista Eletrônica Acervo Científico, v. 35, p. e8773-e8773, 2021. MELO, B. A. D.; LIMA, A. C. R. A efetividade da terapia cognitivo-comportamental na redução da ansiedade infantil. Revista Psicologia e Saúde em Debate. v. 6, n. 1, p. 213-226, jul. 2020. MOOG, N.K. et al. Transmissão intergeracional dos efeitos da exposição materna a maus-tratos na infância nos EUA: um estudo de coorte retrospectivo. The Lancet. Saúde pública, v. 8, n. 3, p. 226–237. 2023. PESSOA, M.S.G. et al. ANSIEDADE INFANTIL: relação com a estrutura familiar e suas consequências. Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences, v. 6, n. 4, p. 1680-1693, 2024. VIEIRA, F.D.S. et al. Atenção primária à saúde mental infantil: a atuação da Estratégia Saúde da Família na detecção precoce e no cuidado integral. Cognitus Interdisciplinary Journal, v. 2, n. 2, p. 126-136, 2025. |
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