SARCOCISTOSE HUMANA: MANIFESTAÇÕES, DESAFIOS E CAMINHOS PARA PREVENÇÃO  
1LEONARDO DE SOUZA ARAUJO, 2GLAUCIO MOURA CUSTODIO, 3MARCELA MADRONA MORETTO DE PAULA, 4LUCIANA VIEIRA PINTO RIBEIRO, 5RAPHAEL CHALBAUD BISCAIA HARTMANN
1Acadêmico do curso de Medicina da UNIPAR
2Acadêmico do Curso de Medicina da UNIPAR
3Docente da UNIPAR
4Docente da UNIPAR
5Docente da UNIPAR
Introdução: A sarcocistose é uma zoonose causada por protozoários do gênero Sarcocystis, que apresentam ciclo de vida heteroxênico, exigindo hospedeiros intermediários, onde se formam cistos musculares, e definitivos, responsáveis pela eliminação de oocistos ou esporocistos. Nos seres humanos, a infecção pode ocorrer de forma intestinal, pela ingestão de carne bovina ou suína crua ou malcozida contendo cistos (S. hominis e S. suihominis), ou na forma muscular, a partir da ingestão de água e alimentos contaminados, resultando em miosite (FAYER; ESPOSITO; DUBEY, 2015.,  Cães e gatos atuam como hospedeiros definitivos importantes, eliminando formas infectantes no ambiente, o que favorece a transmissão entre animais e pessoas. Os quadros clínicos variam de sintomas gastrointestinais leves até manifestações sistêmicas com febre e dores musculares, estando relacionados a hábitos alimentares e condições sanitárias.
Objetivo: O presente trabalho tem como objetivo discutir a sarcocistose em humanos, ressaltando seus sintomas, formas de diagnóstico e possibilidades de tratamento. Para isso, foi realizada uma busca em bases acadêmicas, como PubMed e Google Scholar, de 2004 a 2023, utilizando os descritores “Sarcocistose”, “Humano” e “Sarcocystis”.
Desenvolvimento: A sarcocistose é uma zoonose causada por protozoários do gênero Sarcocystis, que apresentam um ciclo de vida complexo, envolvendo hospedeiros intermediários, como bovinos, suínos, ovinos e equinos, e hospedeiros definitivos, como cães, gatos e seres humanos. Essa relação presa-predador é essencial para a manutenção da transmissão, uma vez que os hospedeiros definitivos eliminam oocistos ou esporocistos pelas fezes, contaminando o ambiente e possibilitando a infecção de outros animais e pessoas (SILVESTRINI et al, 2023). Nos humanos, a infecção pode ocorrer de duas formas distintas. Na forma intestinal, o homem atua como hospedeiro definitivo, adquirindo o parasita pela ingestão de carne bovina ou suína crua ou malcozida, contendo cistos de Sarcocystis hominis e Sarcocystis suihominis. Essa forma geralmente manifesta sintomas agudos como náuseas, vômitos, dor abdominal, diarreia e febre, horas após o consumo da carne contaminada (FAYER, 2004). Já na forma muscular, o ser humano atua como hospedeiro intermediário, ingerindo alimentos ou água contaminados com esporocistos. Nesses casos, o parasita pode se instalar na musculatura estriada, formando cistos que provocam um processo inflamatório. Os sintomas incluem mialgia, fraqueza, febre e, em alguns casos, evolução para miosite, que compromete a qualidade de vida e exige acompanhamento clínico (QUADROS et al, 2019., FAYER; ESPOSITO; DUBEY, 2015). O diagnóstico da sarcocistose humana representa um desafio, já que os sinais clínicos podem se confundir com outras doenças gastrointestinais ou musculares. Na forma intestinal, o exame coproparasitológico pode revelar a presença de oocistos nas fezes, enquanto na forma muscular a confirmação depende de métodos mais específicos, como a biópsia muscular com análise histológica, que permite visualizar os cistos, além de exames de imagem para apoiar a investigação (SILVESTRINI et al, 2023). O tratamento não apresenta protocolos padronizados. Nos casos intestinais, a infecção costuma ser autolimitada, necessitando apenas de cuidados de suporte, como hidratação e controle sintomático. Na forma muscular, alguns estudos relatam beneficio com o uso de medicamentos como a clindamicina, embora nem sempre se observe resposta eficaz e efeitos adversos possam limitar sua utilização. Além disso, medidas de prevenção são fundamentais, já que o controle total da disseminação ambiental é praticamente impossível. O cozimento adequado ou congelamento das carnes e vísceras de animais de produção, aliado a boas práticas de higiene alimentar, representam estratégias eficazes para reduzir a ocorrência da doença em humanos. O acompanhamento preventivo em animais domésticos, como cães e gatos, também é essencial, pois estes atuam como hospedeiros definitivos e fontes de eliminação do parasita no ambiente (SILVESTRINI et al, 2023). Dessa forma, a sarcocistose, embora muitas vezes negligenciada, deve ser lembrada tanto na prática clínica humana quanto veterinária. O conhecimento de seu ciclo, manifestações clínicas e desafios diagnósticos é essencial para orientar estratégias preventivas e garantir melhor abordagem dos casos suspeitos.
Conclusão: A sarcocistose humana é uma zoonose pouco relatada, mas relevante do ponto de vista clínico e sanitário. Sua transmissão está ligada ao consumo de carnes cruas ou malcozidas e à contaminação ambiental, tornando o diagnóstico desafiador e o tratamento limitado. Assim, a prevenção, com destaque para o preparo adequado das carnes e controle em animais domésticos, é fundamental. Ampliar o conhecimento sobre a doença favorece o diagnóstico precoce e medidas eficazes de controle.
Referências:
FAYER, Ronald. Sarcocystis spp. in human infections. Clinical microbiology reviews, v. 17, n. 4, p. 894-902, 2004.
FAYER, Ronald; ESPOSITO, Douglas H.; DUBEY, Jitender P. Human infections with Sarcocystis species. Clinical microbiology reviews, v. 28, n. 2, p. 295-311, 2015.
QUADROS, Rosiléia Marinho de et al. Sarcocistose em bovinos abatidos em frigorífico com inspeção federal em Santa Catarina. Pubvet. Londrina. Vol. 13, n. 1 (jan. 2019), a249, 5 p., 2019.
SILVESTRINI, Angela Ramos et al. Sarcocistose canina e a importância dos exames preventivos de rotina: Relato de caso. Pubvet, v. 17, n. 04, p. e1378-e1378, 2023.