A FISIOTERAPIA NA REABILITAÇÃO DE PROTETIZADOS COM SÍNDROME DO MEMBRO FANTASMA  
1MILENA ALMEIDA DA SILVA, 2KENNY TSUYOSHI SAKANE
1Acadêmica do curso de Fisioterapia da UNIPAR
2Docente da UNIPAR
Introdução: A síndrome do membro fantasma (SMF) e a dor do membro fantasma (DMF) são manifestações frequentes após amputações, caracterizadas por sensações ou dor em um segmento corporal ausente. Essas alterações interferem na adaptação protética, marcha, reintegração social e na qualidade de vida dos indivíduos. A literatura aponta que a fisioterapia desempenha um papel fundamental no manejo desta condição, ao atuar tanto na preparação do coto quanto na modulação da dor e na readaptação funcional (Freitas et al., 2025; Almeida et al., 2025). Considerando o impacto biopsicossocial da SMF, compreender as abordagens fisioterapêuticas é essencial para fundamentar práticas clínicas e otimizar resultados.
Objetivo: Realizar uma revisão biliográfica a fim de demonstrar a atuação e a importância da fisioterapia na reabilitação de indivíduos protetizados com síndrome do membro fantasma.
Desenvolvimento: A reabilitação fisioterapêutica do amputado inicia-se ainda no período pré-protetização, com cuidados voltados ao preparo do coto, incluindo controle de edema, conformação, cicatrização e dessensibilização. Essa etapa contribui para a redução de complicações locais e favorece a adaptação ao encaixe da prótese (Salles et al., 2024). Além disso, o condicionamento físico global, o fortalecimento muscular e a manutenção da amplitude articular são fundamentais para prevenir compensações e facilitar a marcha (Souza dos Santos et al., 2025). No manejo da SMF/DMF, diferentes recursos fisioterapêuticos têm sido descritos. A terapia do espelho e a imagética motora graduada destacam-se por promover reorganização cortical, reduzindo a percepção dolorosa (Freitas et al., 2025). Técnicas de dessensibilização com estímulos táteis variados, aplicação de TENS, alongamentos e exercícios graduados também apresentam evidências positivas no controle da dor neuropática associada à amputação (Almeida et al., 2025; Querino; Silva; Silva, 2023). Durante a fase de protetização, a fisioterapia atua no alinhamento e na adaptação da prótese, orientando o treino de descarga de peso, a propriocepção e a reeducação da marcha. Estudos demonstram que o acompanhamento fisioterapêutico adequado contribui para a economia de marcha, reduz sobrecarga no membro preservado e melhora a qualidade funcional do paciente (Melo; Guimarães, 2021; Souza et al., 2023). A literatura ressalta ainda que a atuação multiprofissional integrada potencializa os resultados, especialmente no retorno ao trabalho e nas atividades da vida diária (Melo; Guimarães, 2021). As revisões analisadas reforçam que protocolos individualizados, que combinem estratégias de dessensibilização, terapia do espelho, fortalecimento muscular e treino funcional com prótese, apresentam melhores resultados. A integração dessas abordagens favorece não apenas a redução da dor, mas também a reinserção social e ocupacional do indivíduo amputado (Souza et al., 2023; Querino; Silva; Silva, 2023).
Conclusão: A revisão da literatura evidencia que a fisioterapia é indispensável no processo de reabilitação de pacientes protetizados com síndrome do membro fantasma. Sua atuação vai desde a preparação do coto até a reeducação funcional com a prótese, contemplando também estratégias eficazes para o controle da dor. Intervenções multimodais e precoces, pautadas em evidências científicas e adaptadas às necessidades individuais, demonstram alcançar resultados significativos em termos de funcionalidade, qualidade de vida e participação social.
Referências:
ALMEIDA, R. C. R. de A.; et al. Estudo fisioterapêutico da dor neuropática em pacientes com síndrome do membro fantasma. Cognitionis Scientific Journal, v. 8, n. 1, p. e639, 2025. DOI: https://doi.org/10.38087/2595.8801.639.
FREITAS, R. C. R. de A.; et. al. Fisioterapia na dor do membro fantasma: abordagens e evidências científicas. Revista Foco, v. 18, n. 3, p. e07885, 2025. DOI: https://doi.org/10.54751/revistafoco.v18n3-075.
MELO, L. K. M.; GUIMARÃES, J. E. V. Atuação do fisioterapeuta na recuperação de pacientes na adaptação de próteses após acidente de trabalho. Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação, v. 7, n. 10, p. 2611-2622, 2021. DOI: https://doi.org/10.51891/rease.v7i10.2894.
QUERINO, V. A. S.; SILVA, B. G. da M.; SILVA, C. E. de S. Fisioterapia no controle de sensação de membro fantasma e dor fantasma pós-amputação de membro inferior. RECIMA21 – Revista Científica Multidisciplinar, v. 4, n. 1, p. e453232, 2023. DOI: https://doi.org/10.47820/recima21.v4i1.3232.
SALLES, R. E. F.; et. al. Atuação fisioterapêutica na protetização de tíbia pós-amputação transtibial. Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação, v. 10, n. 7, p. 852-866, 2024. DOI: https://doi.org/10.51891/rease.v10i7.14845.
SOUZA, S. L. R.; et al. Abordagem intervencional fisioterapêutica frente a pacientes submetidos a amputações de membros inferiores: uma revisão da literatura. Revista Multidisciplinar do Sertão, v. 6, n. S1, p. S34, 2023. DOI: https://doi.org/10.37115/rms.v6iS1.682.
SOUZA DOS SANTOS, M. L. Os efeitos da reabilitação fisioterapêutica em indivíduos com amputação de membros inferiores. Omnia Sapientiae, v. 5, n. 1, p. 10-20, 2025. DOI: https://doi.org/10.61228/os.v5i1.85.