O USO DE ÁCIDO FÓLICO NA PREVENÇÃO DE MALFORMAÇÕES NO FETO DURANTE A GESTAÇÃO  
1NICOLE GIOVANA TELES DA SILVA, 2MARILEISA BARBOSA, 3CRISTIANE CLAUDIA MEINERZ
1Acadêmica de Enfermagem.
2Docente da UNIPAR
3Docente da UNIPAR
Introdução: O ácido fólico, pertencente ao complexo vitamínico B e também denominado vitamina B9 ou folato, é encontrado em vegetais folhosos de coloração verde-escura (por exemplo, couve e brócolis), leguminosas como feijão, lentilha e grão-de-bico, frutas cítricas e vísceras animais. Entretanto, por ser uma vitamina hidrossolúvel, entre 50% e 95% do seu conteúdo pode ser perdido durante o preparo dos alimentos. Este micronutriente é essencial para a divisão celular e, consequentemente, para o adequado desenvolvimento embrionário, sendo particularmente crítico durante a gestação (Marqui, 2019). As malformações congênitas associadas à deficiência de ácido fólico ocorrem principalmente no tubo neural, estrutura embrionária formada nas primeiras semanas de desenvolvimento e responsável pela formação do sistema nervoso central. O fechamento do tubo neural ocorre entre o 23º e o 26º dia de gestação (Cavalcante et al., 2018).
Objetivo: Analisar e disseminar evidências científicas sobre a importância da suplementação de ácido fólico na prevenção de malformações fetais, com ênfase nos defeitos do tubo neural.
Desenvolvimento: A prevalência de defeitos do tubo neural está fortemente associada à baixa adesão à suplementação de ácido fólico. Diversos fatores socioculturais, como o nível educacional e a ocorrência de gravidez não planejada, contribuem para esse cenário. Mulheres com menor escolaridade apresentam menor conhecimento acerca da importância da suplementação pré-natal e, com frequência, não realizam planejamento reprodutivo adequado (Cavalcante et al., 2018). Os defeitos de fechamento do tubo neural resultam de falhas na embriogênese e incluem malformações graves, como anencefalia — condição incompatível com a vida —, espinha bífida (nas formas aberta e oculta), meningocele, mielomeningocele e encefalocele (Conrado et al., 2023). A suplementação adequada de vitamina B9 é particularmente relevante para mulheres em idade reprodutiva, inclusive na ausência de planejamento gestacional. Além disso, a deficiência de ácido fólico está associada a complicações obstétricas e perinatais, como descolamento prematuro de placenta, síndromes hipertensivas, parto prematuro, abortos espontâneos recorrentes, baixo peso ao nascer, bem como a condições crônicas, incluindo doenças cardiovasculares, depressão e demência (Bittencourt et al., 2014). Em gestações planejadas, recomenda-se iniciar a suplementação três meses antes da concepção e mantê-la até o final do primeiro trimestre. Na ausência de planejamento, a suplementação deve começar imediatamente após a confirmação da gestação, preferencialmente antes da 12ª semana. A Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia orienta a ingestão diária de 0,4 a 0,8 mg de ácido fólico para mulheres sem histórico de defeitos do tubo neural. Para aquelas com antecedentes familiares ou pessoais, uso de anticonvulsivantes, diabetes mellitus tipo 1 ou gestação gemelar prévia, recomenda-se uma dose preventiva até dez vezes maior (Bittencourt et al., 2014). No Brasil, políticas públicas como a fortificação obrigatória de farinhas de trigo e milho com ácido fólico têm contribuído significativamente para a redução da incidência de defeitos do tubo neural. Adicionalmente, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece suplementação gratuita de ácido fólico e fornece orientações específicas às gestantes desde a primeira consulta pré-natal (Martins et al., 2022).
Conclusão: O ácido fólico desempenha papel central na prevenção de defeitos do fechamento do tubo neural, configurando-se como um dos principais pilares da saúde materno-fetal. A promoção de sua suplementação deve ser priorizada tanto no período pré-concepção quanto durante o início da gestação, sobretudo por meio de estratégias educativas e de políticas públicas eficazes. A ampla divulgação de informações científicas por profissionais de saúde é essencial para garantir adesão adequada e, assim, reduzir o risco de malformações e complicações associadas à deficiência dessa vitamina.
Referências:
BITTENCOURT, Walkiria Shimoya; et al. Principais fatores da baixa adesão ao uso do ácido fólico. UNOPAR Cient. Ciênc. Biol. Saúde; v. 16, n. 2, p. 141-148, 2014. Disponível em: https://pesquisa.bvsalud.org/portal/resource/pt/lil-712252. Acesso em: 12/07/2025.
CAVALCANTE, Matheus Santos; et al. Utilização do ácido fólico na prevenção de doenças do tubo neural. Revista Cientifica FAEMA; v. 9, n. ed esp, p. 615-619, 2018. Disponível em: https://doi.org/10.31072/rcf.v9iedesp.626. Acesso em: 12/07/2025.
CONRADO, Paloma Luna Maranhão; et al. Utilização do ácido fólico na prevenção de malformações do tubo neural: uma perspectiva geral. Revista COOPEX; v. 14, n. 01, p. 1765-1779, 2023. Disponível em: http://coopex.unifip.edu.br. Acesso em: 20/07/2025.
MARTINS, Érica Maria Fernandes; et al. A importância do ácido fólico para prevenção da meningomielocele. Uma revisão integrativa da literatura. Research, Society and Development; v. 11, n. 6, 2022. Disponível em: http://dx.doi.org/10.33448/rsd-v11i6.29130. Acesso em:25/07/2025.
MARQUI, Alessandra Bernadete Trovó. Ácido fólico, prevenção de defeitos do tubo neural e fatores associados: uma reflexão. Temas em Educ. e Saúde; v. 15, n. 2, p. 186-193, 2019. Disponível em: https://doi.org/10.26673/tes.v15i2.12712. Acesso em: 20/07/2025.