![]() | |
|---|---|
![]() | |
|
VARIABILIDADE DA FREQUÊNCIA CARDÍACA DE DUAS CANINANAS (Spilotes pullatus) SUBMETIDAS A CONTENÇÃO QUÍMICA COM DEXMEDETOMIDINA E CETAMINA |
|
| 1ADEMAR FRANCISCO FAGUNDES MEZNEROVVICZ, 2MARINA MARANGONI, 3ANA LETÍCIA RODRIGUES MARQUES, 4MEL TAKAZONO LEMES, 5NICOLE WIRSCHKE DE AZEVEDO, 6PAULO HENRIQUE BRAZ | |
| 1Pós-graduando em Saúde, Bem-Estar e Produção Animal Sustentável na Fronteira Sul – Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS) 2Mestre em Saúde, Bem-Estar e Produção Animal Sustentável na Fronteira Sul – Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS) 3Mestre em Saúde, Bem-Estar e Produção Animal Sustentável na Fronteira Sul – Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS) 4Discente do Curso de Graduação em Medicina Veterinária, Universidade Federal da Fronteira Sul, Campus Realeza, Paraná. 5Discente do Curso de Graduação em Medicina Veterinária, Universidade Federal da Fronteira Sul, Campus Realeza, Paraná. 6Docente da Universidade Federal da Fronteira Sul, Campus Realeza, Paraná |
|
| Introdução: As serpentes passaram a ser consideradas pets não convencionais, aumentando a frequência de atendimentos veterinários nos últimos anos. Contudo, muitos desses animais ainda entram em contato com humanos de forma acidental, resultando em acidentes ofídicos. Para reduzir riscos e minimizar o estresse, em determinadas situações torna-se necessária a realização de sedação profunda ou anestesia geral (Mader e Mader-Weidner, 2006; Almeida et al., 2022). Embora a contenção física seja mais viável economicamente, em animais silvestres ela não garante segurança nem ao manipulador nem ao animal, podendo induzir intenso estresse, hipercalemia, lesões musculares e ausência de analgesia, além de ser contraindicada em procedimentos invasivos. Além disso, representa risco significativo ao responsável pela contenção, considerando a gravidade de acidentes ofídicos e a possibilidade de transmissão bacteriana (Heard, 2001; Rodrigues et al., 2018). O trabalho tem como objetivo relatar a resposta eletrocardiográfica de duas serpentes (Spilotes pullatus), frente a utilização de um protocolo com objetivo de contenção química rápida e com possibilidade de reversão. Relato de Caso: Os dois animais utilizados da espécie Spilotes pullatus, um macho (850 gramas) e uma fêmea (650 gramas) foram provenientes de resgate de fauna, direcionados para o atendimento no serviço de animais silvestres da Superintendência Unidade Hospitalar Veterinária da Universidade Federal da Fronteira Sul, campus Realeza (UFFS). Foi utilizada uma combinação de dexmedetomidina (Dexdomitor®, Orion pharma, Espoo, Finlândia; 0,05 mg/kg) e cetamina (Cetamin©, Syntec, Brasil; 10 mg/kg), na segundo porção do corpo da serpente intramuscular, após 40 minutos (min) a dexmedetomida foi revertida com atipamezole (Antisedan®, Orion pharma, Espoo, Finlândia; 0,5mg/kg), pela mesma via de administração, os momentos de medição eletrocardiográfica se deu em três momentos, cada um com 10 min de monitoração, 1º momento (M1) logo após a aplicação do protocolo anestésico (2-12 min); 2º momento (M2) anterior a reversão farmacológica (30-40 min); 3º momento (M3) para obervação da variação em decorência da reversão (45-55 min). A variabilidade da frequência cardíaca (VFC) apresentou redução do SDNN de 220,869 ms em M1 para 169,485 ms em M2, seguida de aumento expressivo para 491,280 ms em M3. A média dos intervalos elevou-se de 1.136,811 ms em M1 para 2.185,254 ms em M2, diminuindo para 1.476,294 ms em M3, enquanto o RMSSD variou entre 61,929 ms, 67,861 ms e 50,401 ms, respectivamente. A frequência cardíaca mínima reduziu-se de 38 ± 6,5 bpm em M1 para 25 ± 5 bpm em M2 e 23,5 ± 6,5 bpm em M3; a média caiu de 55 ± 10,5 bpm para 28 ± 6 bpm, com recuperação parcial em M3 (44 ± 12,5 bpm); já a máxima variou de 69 ± 11,5 bpm em M1 para 35 ± 4 bpm em M2, voltando a 69,5 ± 8,5 bpm em M3. No balanço autonômico, predominou o simpático em M1 (64%) e M3 (83%), enquanto o parassimpático foi mais evidente em M2 (46%), apesar a diferença na sedação, os animais apresentaram um mesmo padrão de de VFC. Discussão: O uso combinado de cetamina e dexmedetomidina em serpentes mostrou-se restrito, com limitações relacionadas à recuperação prolongada e episódios de incoordenação muscular atribuídos à cetamina, eveidenciado na canina fêmea após a reversão (Heard, 2001; Rodrigues et al., 2018; Almeida et al., 2022; Morrison et al., 2023). A dexmedetomidina isolada apresentou sedação adequada apenas em alguns animais, podendo ser variável dependendo da dose e do animal (Bunk et al., 2018). No presente estudo, a fêmea respondeu satisfatoriamente à associação, enquanto o macho não, possivelmente devido a uma resposta específica do animal. A reversão farmacológica foi eficaz e evitou complicações respiratórias graves no estudo relatado, já no estudo de Karklus et al. (2021) acaba testando um farmaco para melhorar a resposta respiratória na sedação com dexmedetomidina. A bradicardia em Spilotes pullatus em cativeiro foi descrita por Cruz e Junkes (2008) como resposta de medo e estresse após a colocação dos eletrodos, associada à imobilidade durante o exame. No presente estudo, tal padrão não foi observado no M1, ocorrendo apenas na fêmea nos momentos M2 e M3, porem já sob ação farmacológica. A VFC, influenciada por fatores fisiológicos, emocionais e patológicos (Von Borell et al., 2007; Varga et al., 2018), bem como por dor ou medo (Cruz; Junkes, 2008), no relato em relação ao parassimpático, o momento M2 teve um aumento experessivo em relação aoss momentos M1 e M3, provável pela ação em receptores alfa-2 e predomínio expresivo do simpático em M3 devido à reversão farmacológica, efeito observado em curto intervalo após a reversão (Von Borell et al., 2007; Grimm et al., 2017; Varga et al., 2018; Lewis et al., 2020). Conclusão: Dessa forma, os achados deste estudo indicam que a dexmedetomidina, apesar do potencial sedativo e analgésico, promoveu alterações expressivas na VFC, evidenciando respostas distintas entre os indivíduos quando associada à cetamina. Assim, protocolos combinados merecem investigação em estudos futuros com Spilotes pullatus e outras serpentes nativas, a fim de aprimorar a previsibilidade dos efeitos sobre a VFC e a segurança anestésica desses animais. |
|
| Referências: ALMEIDA, D.; KENNEDY, M.; WENDT-HORNICKLE, E. Snake sedation and anesthesia. Veterinary Clinics of Exotic Animal Practice, v. 25, p. 97-112, 2022. BUNKE, Laura G.; SLADKY, Kurt K.; JOHNSON, Stephen M. Antinociceptive efficacy and respiratory effects of dexmedetomidine in ball pythons (Python regius). American Journal of Veterinary Research, v. 79, n. 7, p. 718-726, jul. 2018. CRUZ, J. G. P.; JUNKES, L. Controle autonômico da frequência cardíaca em Spilotes pullatus (Colubridae) como determinante das respostas de medo. Arquivo Brasileiro de Medicina Veterinária e Zootecnia, v. 60, n. 6, p. 1468-1471, 2008. HEARD, D. J. Reptile anesthesia. Veterinary Clinics of North America: Exotic Animal Practice, v. 4, n. 1, p. 83-117, 2001. KARKLUS, Alyssa A.; SLADKY, Kurt K.; JOHNSON, Stephen M. Respiratory and antinociceptive effects of dexmedetomidine and doxapram in ball pythons (Python regius). American Journal of Veterinary Research, v. 82, n. 1, p. 11-21, jan. 2021. LEWIS, M.; BOUVARD, J.; EATWELL, K.; CULSHAW, G. Standardisation of electrocardiographic examination in corn snakes (Pantherophis guttatus). Veterinary Record, 2020. DOI: https://doi.org/10.1136/vr.105713. MADER, D. R.; MADER-WEIDNER, B. S. Understanding the human-reptile relationship. In: MADER, D. R. Reptile Medicine and Surgery. 2. ed. St. Louis: Elsevier, 2006. p. 14-23. MORRISON, Heather L. et al. Retrospective assessment of general anesthesia-related challenges, morbidity, and death in snakes: 139 cases (2000–2022). Journal of the American Veterinary Medical Association, v. 261, n. 4, p. 536-543, abr. 2023. RODRIGUES, T. O. et al. Uso da cetamina via cólon-retal para contenção química de jiboias Boa constrictor Linnaeus, 1758 com teste de influência de droga sobre o sistema renal. Pesquisa Veterinária Brasileira, v. 38, n. 2, p. 328-334, 2018. VARGA, B. et al. Heart rate and heart rate variability during sleep in family dogs (Canis familiaris): moderate effect of pre-sleep emotions. Animals, v. 8, n. 7, p. 107, 2018. VON BORELL, E. et al. Heart rate variability as a measure of autonomic regulation of cardiac activity for assessing stress and welfare in farm animals: a review. Physiology & Behavior, v. 92, n. 3, p. 293-316, out. 2007 |
|