MANIPULAÇÃO NEURAL EM PACIENTES COM HÉRNIA DE DISCO LOMBAR: UMA REVISÃO LITERÁRIA  
1MILENA ALMEIDA DA SILVA, 2KENNY TSUYOSHI SAKANE
1Acadêmica do curso de Fisioterapia da UNIPAR
2Docente da UNIPAR
Introdução: A hérnia de disco lombar é uma das principais causas de lombalgia e dor irradiada para membros inferiores, afetando consideravelmente a qualidade de vida e a capacidade funcional de uma grande parte da população adulta (SILVA et al.,2020). A degeneração discal, combinada com fatores mecânicos, pode causar compressão radicular, levando a dor neuropática, restrição de movimento e dificuldades nas atividades diárias (FERNANDES et al., 2010; LINS et al., 2017). Na fisioterapia, diversos métodos têm sido utilizados para o tratamento dessa condição, destacando-se a mobilização neural (MN), uma técnica que vem ganhando cada vez mais destaque na literatura (ALMEIDA; MOTA, 2011; ARAÚJO et al., 2011). Sendo um recurso que traz benefícios não apenas para hérnias discais, mas também para várias condições de dor de origem neural (SILVA et al., 2020).
Objetivo: Este trabalho visa revisar a literatura sobre a manipulação neural, enfatizando seus efeitos na dor, amplitude de movimento e qualidade de vida em pacientes com hérnia de disco lombar ou condições correlatas, buscando verificar sua aplicabilidade e eficácia clínica como recurso fisioterapêutico.
Desenvolvimento: Estudos experimentais e clínicos têm evidenciado o potencial da manipulação neural no tratamento da dor de origem radicular. Em modelos animais, a técnica mostrou-se superior ao alongamento estático para restaurar parâmetros funcionais após a indução de ciatalgia. Ratos submetidos à compressão do nervo isquiático que receberam mobilização neural apresentaram normalização mais rápida do tempo de elevação da pata, parâmetro utilizado como indicador de dor, quando comparados ao grupo submetido apenas a alongamento (ALMEIDA; MOTA, 2011). Esse achado sugere que a MN não atua apenas sobre a flexibilidade muscular, mas influencia diretamente a resposta neural à compressão (ALMEIDA; MOTA, 2011). Segundo Araújo et al. (2011), em indivíduos saudáveis, a técnica também se mostrou eficaz para promover ganho de amplitude articular. Pesquisas envolvendo universitários com teste de tensão neural positivo demonstraram que a mobilização do nervo mediano resultou em aumento imediato e estatisticamente significativo da extensão do cotovelo, reforçando o potencial da técnica em modular a mecânica neural. No campo clínico, investigações com pacientes acometidos por lombalgia crônica e hérnia de disco lombar apontaram reduções significativas da dor após ciclos de intervenções com mobilização neural. A aplicação de séries curtas, realizadas de forma sistemática, promoveu alívio da sintomatologia dolorosa em até 70% dos casos, além de incremento na mobilidade lombar e na amplitude articular dos quadris (SILVA et al., 2020). Esses efeitos positivos foram acompanhados por alterações bioquímicas, como diminuição de citocinas pró-inflamatórias e aumento de citocinas anti-inflamatórias, evidenciando que a técnica pode contribuir não apenas mecanicamente, mas também na modulação de processos inflamatórios relacionados à compressão neural (SILVA et al., 2020). Além da redução da dor, houve melhora expressiva nos indicadores de qualidade de vida avaliados por instrumentos validados, como o Índice de Incapacidade de Oswestry e o Questionário Roland-Morris. Pacientes submetidos à mobilização neural apresentaram evolução clínica compatível com maior funcionalidade, menor dependência nas atividades de vida diária e maior percepção de bem-estar (FERNANDES et al., 2010; LINS et al., 2017). Esses resultados reforçam a relevância da técnica como intervenção conservadora e de baixo risco, que pode ser utilizada isoladamente ou em associação a outras abordagens fisioterapêuticas. Outro ponto importante evidenciado pela literatura é a comparação da mobilização neural com outros recursos fisioterapêuticos, como alongamento estático e exercícios convencionais. Embora algumas técnicas demonstrem benefícios semelhantes no curto prazo, a MN frequentemente se destaca por promover respostas mais rápidas e consistentes, sobretudo em parâmetros funcionais relacionados à mobilidade neural (ALMEIDA; MOTA, 2011). Esse diferencial a posiciona como um recurso promissor e de grande aplicabilidade clínica em pacientes com hérnia de disco lombar.
Conclusão: Esta análise da literatura demonstra que a mobilização neural é uma intervenção eficaz no tratamento da dor e das limitações funcionais decorrentes da hérnia de disco lombar. Seus efeitos positivos abrangem desde a redução significativa da dor até o ganho de amplitude de movimento e a melhora da qualidade de vida dos pacientes. Evidências provenientes de estudos experimentais e clínicos sustentam seu papel como recurso fisioterapêutico conservador e seguro, capaz de atuar tanto em mecanismos mecânicos quanto inflamatórios. Apesar dos resultados encorajadores, ainda se faz necessária a realização de ensaios clínicos controlados com amostras mais amplas, a fim de consolidar evidências e definir protocolos de aplicação mais padronizados. Em síntese, a mobilização neural configura-se como ferramenta valiosa na reabilitação de pacientes com hérnia de disco lombar, oferecendo perspectivas reais de melhora funcional e de qualidade de vida.
Referências:
ALMEIDA, A. F.; MOTA, D. D. C. F. Neural mobilization and static stretching in an experimental sciatica model: an experimental study. Revista Brasileira de Fisioterapia, São Carlos, v. 15, n. 5, p. 370-375, 2011. DOI: https://doi.org/10.1590/S1413-35552009005000062.
ARAÚJO, A. S. et al. Avaliação da mobilização neural sobre o ganho de amplitude de movimento. Fisioterapia em Movimento, Curitiba, v. 24, n. 2, p. 309-318, abr./jun. 2011. DOI: https://doi.org/10.1590/S0103-51502011000400010.
FERNANDES, A. P. R. et al. Efeitos da mobilização neural em pacientes com lombalgia crônica: ensaio clínico. Revista Inspirar – Movimento & Saúde, Curitiba, v. 2, n. 3, p. 25-31, 2010. Disponível em: https://doi.org/10.14295/idonline.v11i38.956.
LINS, C. A. A. et al. Análise do efeito da mobilização neural na dor lombar em pacientes com hérnia de disco. Id on Line Revista Multidisciplinar e de Psicologia, Fortaleza, v. 11, n. 38, p. 118-126, 2017. DOI: https://doi.org/10.14295/idonline.v11i38.956.
SILVA, V. R. et al. Neural mobilization in individuals with chronic low back pain: effects on pain, mobility and inflammatory markers. Fisioterapia Brasil, Rio de Janeiro, v. 21, n. 4, p. 344-353, 2020. DOI: https://doi.org/10.5935/2595-0118.20200041.