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| MECANISMOS ENVOVIDOS NA RESISTÊNCIA BACTERIANA A ANTIBIÓTICOS | |
| 1KAUANY APARECIDA DA SILVA MALACHIAS, 2LIVIA EDUARDA CEZAR OLIVEIRA, 3APOLIANA EBERHARDT, 4EVERTON PADILHA | |
| 1Acadêmico do curso de Biomedicina da UNIPAR - Cascavel 2Acadêmico do Curso de Biomedicina da UNIPAR 3Acadêmico do Curso de Biomedicina da UNIPAR 4Docente da UNIPAR |
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| Introdução:Desde que Alexander Fleming descobriu a penicilina, os antibióticos transformaram a medicina contemporânea, salvando milhões de vidas. No entanto, o uso excessivo desses fármacos, tanto em seres humanos quanto em animais, tem contribuído de forma significativa para a emergência e a disseminação da resistência bacteriana (ELSHOBARY et al., 2025). Previsões indicam que, se não forem adotadas medidas adequadas, até 2050 a resistência a antimicrobianos poderá resultar em mais óbitos do que o câncer (HALAWA, 2024). A Organização Mundial da Saúde (OMS) classifica a resistência aos antimicrobianos como uma crise de saúde global. No Brasil, a situação se agrava devido à automedicação, à falta de controle na prescrição e a práticas hospitalares inadequadas (REVISTA PESQUISA FAPESP, 2024). Portanto, é essencial entender as causas e propor soluções para mitigar essa ameaça crescente. Objetivo:Analisar os principais mecanismos envolvidos na resistência bacteriana a antibióticos, destacando os fatores que contribuem para sua disseminação em escala global e nacional e na necessidade de inovação terapêutica. Desenvolvimento:As bactérias podem desenvolver resistência a antibióticos por diferentes mecanismos adaptativos. Entre os mais comuns estão: a modificação do alvo do fármaco, a inativação enzimática, o bombeamento ativo (efflux) e a redução da permeabilidade da membrana celular. Esses processos reduzem a eficácia do antibiótico, tornando os tratamentos menos efetivos (SUN et al., 2025).Um dos aspectos mais preocupantes é a transferência horizontal de genes de resistência por meio de plasmídeos, que permite a disseminação rápida entre diferentes espécies bacterianas. Genes como o blaNDM, responsável pela resistência a carbapenêmicos — antibióticos de última linha — têm sido identificados com frequência crescente em ambientes hospitalares brasileiros, representando um desafio para a terapêutica (BARTH et al., 2025).Diversos fatores favorecem o aumento da resistência bacteriana. Entre eles destacam-se o uso indiscriminado de antibióticos na medicina humana e veterinária, a automedicação, a interrupção precoce de tratamentos, a falta de controle em infecções hospitalares e a poluição ambiental causada pelo descarte inadequado de resíduos farmacêuticos (FERREIRA; OLIVEIRA, 2021; DROPA et al., 2024).Além disso, hospitais brasileiros enfrentam surtos recorrentes de bactérias multirresistentes, como Klebsiella pneumoniae e Acinetobacter baumannii, frequentemente associadas a pneumonias e infecções urinárias graves em pacientes internados (DALMOLIN et al., 2022; ARAÚJO NETO et al., 2023).No Brasil, a automedicação e o acesso facilitado a antibióticos sem prescrição são agravantes adicionais. Estudos mostram que efluentes hospitalares e esgotos domésticos carregam genes de resistência, os quais podem atingir ambientes naturais e contaminar cadeias alimentares (SILVA, et al., 2025).A resistência antimicrobiana representa uma ameaça crescente, com estimativas de que, até 2050, poderá causar mais mortes do que o câncer, caso medidas eficazes não sejam implementadas (HALAWA, 2024). A Organização Mundial da Saúde (OMS) reconhece o problema como uma emergência global, e no Brasil ele é intensificado pela falta de controle sanitário e práticas hospitalares inadequadas (ZORZETTO, R., 2024).Para conter a disseminação da resistência bacteriana, diferentes estratégias vêm sendo propostas, como programas de uso racional de antimicrobianos (antimicrobial stewardship), fortalecimento da vigilância epidemiológica e incentivo ao desenvolvimento de novos antibióticos. Além disso, alternativas como fagoterapia, nanopartículas antimicrobianas e vacinas surgem como abordagens promissoras (YARAHMADI; ELSHOBARY et al., 2025).Contudo, é necessário adotar uma abordagem integrada, envolvendo políticas públicas, conscientização da população e investimento contínuo em pesquisa científica (ELSHOBARY et al., 2025). Programas de conscientização sobre a automedicação e sobre a adesão e uso correto dos tratamentos vêm sendo apontados como estratégias eficazes para reduzir a disseminação da resistência bacteriana (REVISTA FT, 2025; ARAÚJO, 2022). Ademais, a utilização de antibióticos na pecuária, prática comum para engorda e prevenção de doenças em animais. Essa prática contribui para a disseminação de genes de resistência que podem chegar até o consumidor por meio da carne, do leite e de derivados (ANDRADE et al., 2024; DROPA et al., 2024). Conclusão:O surgimento e a propagação de bactérias resistentes ocorrem por múltiplos mecanismos e são impulsionados por práticas inadequadas no uso de antimicrobianos, tanto na saúde humana quanto na veterinária, além de falhas no controle sanitário e impactos ambientais significativos, portanto, torna-se urgente promover o uso racional de antibióticos, fortalecer a vigilância epidemiológica e adotar estratégias alternativas ao tratamento convencional, assegurando que as futuras gerações continuem a contar com recursos terapêuticos eficazes contra infecções bacterianas. |
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| Referências: ANDRADE, L. R. F. P. et al. Resistência antimicrobiana e estratégias de combate: revisão bibliográfica. International Health Beacon Journal, v. 1, n. 4, 2024. Disponível em: https://healthbeaconjournal.com/index.php/ihbj/article/view/15. ARAÚJO, B. C. de et al. Prevenção e controle de resistência aos antimicrobianos na Atenção Primária à Saúde: evidências para políticas. Ciência & Saúde Coletiva, v. 27, 2022. Disponível em: https://www.scielo.br/j/csc/a/LsgtvGPKDjpmfj5fKnXDWVg. ARAÚJO NETO, P. P. de et al. Resistência bacteriana consecutiva do uso indiscriminado de antibióticos: revisão integrativa. Arquivos de Ciências da Saúde da UNIPAR, v. 27, n. 5, 2023. Disponível em: https://revistas.unipar.br/index.php/saude/article/view/9969. BARTH, P. O. et al. Increased rates of bla NDM in Pseudomonas aeruginosa in a tertiary care hospital in southern Brazil. Brazilian Journal of Infectious Diseases, v. 29, 2025. Disponível em: https://www.scielo.br/j/bjid/i/2025.v29/. DALMOLIN, J. et al. Mecanismos de expressão de resistência aos antibióticos e saúde pública. Arquivos de Ciências da Saúde da UNIPAR, v. 26, n. 3, 2022. Disponível em: https://revistas.unipar.br/index.php/saude/article/view/9969. DROPA, M. et al. Spread and persistence of antimicrobial resistance genes in wastewater. Tropical Medicine & International Health, v. 29, n. 5, 2024. Disponível em: https://revistaft.com.br/resistencia-antimicrobiana-desafios-e-estrategias-para-preservar-a-eficacia-dos-antibioticos/. ELSHOBARY, M. E. et al. Combating antibiotic resistance: mechanisms and novel therapeutic approaches. Pharmaceuticals, v. 18, n. 3, 2025. Disponível em: https://www.mdpi.com/1424-8247/18/3/402. FERREIRA, B. L. S.; OLIVEIRA, T. C. Resistência bacteriana e consumo incorreto de antibióticos. Revista Multidisciplinar em Saúde, v. 2, n. 2, 2021. Disponível em: https://doi.org/10.51161/rems/1205. FREITAS, A. S.; JESUINO, R. D.; BATISTA, M. A. Farmacocinética de antibióticos: abordando a resistência microbiana. Revista Científica IPEDSS, v. 4, n. 2, 2024. Disponível em: https://www.revistacientificaipedss.com/farmacocinetica-de-antibioticos-abordando-a-resistencia-microbiana. HALAWA, E. M. et al. Antibiotic action and resistance: updated review. Frontiers in Pharmacology, v. 14, 2024. Disponível em: https://www.frontiersin.org/articles/10.3389/fphar.2023.1305294/full. SILVA-DE-JESUS, A. C. et al. Distribution of antimicrobial resistance and biofilm genes in S. aureus. Antibiotics, v. 14, n. 4, 2025. Disponível em: https://www.mdpi.com/2079-6382/14/4/364. SUN, S. Emerging antibiotic resistance by novel proteins/enzymes. European Journal of Clinical Microbiology & Infectious Diseases, 2025. Disponível em: https://link.springer.com/article/10.1007/s10096-025-05126-4. YARAHMADI, A. et al. Beyond antibiotics: multifaceted approaches to combat bacterial resistance. Frontiers in Cellular and Infection Microbiology, v. 15, 2025. Disponível em: https://www.frontiersin.org/articles/10.3389/fcimb.2025.1493915/full. ZORZETTO, R. Antibiotic-resistant bacteria on the rise in Brazilian hospitals. Pesquisa FAPESP, 2024. Disponível em: https://revistapesquisa.fapesp.br/en/antibiotic-resistant-bacteria-on-the-rise-in-brazilian-hospitals/. |
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