BENEFÍCIOS DA FARINHA DA CASCA DO MARACUJÁ PARA A SAÚDE CARDIOMETABÓLICA   
1JAYME RODRIGUES DIAS JUNIOR, 2GABRIELI DO NASCIMENTO MAZUR, 3PABLO MICAEL DE SOUZA PEREIRA.
1¹ Professor da Universidade Paranaense – Umuarama – Pr – Brasil; Professor do Colégio Estadual Agrícola de Goioerê - PR
2Colégio Agrícola de Goioerê
3Colégio Agrícola de Goioerê
Introdução: O maracujá é uma fruta tropical do gênero Passiflora, possui várias espécies, sendo a mais comum a Passiflora edulis. Conhecido por seu aroma intenso e alto valor nutricional, é amplamente utilizado na culinária brasileira e apreciado por seu sabor único (Weyya; Belay; Tadesse, 2024). No aspecto nutricional, é rico em compostos bioativos como carotenoides, polifenóis e flavonoides, que trazem benefícios à saúde, incluindo efeito calmante, propriedades antioxidantes, ação anti-inflamatória, fortalecimento do sistema imunológico e proteção cardiovascular (Ashard et al., 2025). Apesar do consumo e do conhecimento sobre seus benefícios, resíduos como a casca muitas vezes são descartados, embora sejam fontes importantes de compostos bioativos que podem ser aproveitados na indústria farmacêutica e alimentícia, promovendo sustentabilidade e saúde (Weyya; Belay; Tadesse, 2024). A farinha da casca do maracujá tem despertado interesse de pesquisadores devido ao seu alto teor de fibras, que pode melhorar a digestão, aumentar a sensação de saciedade e auxiliar no controle de peso (Macedo et al., 2023). Assim, sua incorporação na alimentação representa uma estratégia promissora para melhorar a saúde, além de oferecer alternativas sustentáveis e inovadoras na cadeia de alimentos.
Objetivo: Verificar os benefícios do consumo da farinha da casca de maracujá na saúde cardiometabólica.
Desenvolvimento: Este estudo apresenta uma revisão bibliográfica, realizada com o objetivo de analisar os benefícios da farinha da casca de maracujá para a saúde cardiometabólica. Para a elaboração do trabalho, foi utilizada a base de dados PubMed, onde foram empregadas as seguintes palavras-chave: "farinha da casca de maracujá", "benefícios" e "saúde cardiometabólica". Os critérios de inclusão abrangeram estudos que, especificamente, utilizaram farinha da casca de maracujá e avaliaram seus efeitos na saúde cardiometabólica. Além disso, foram considerados trabalhos publicados a partir de 2010. Diversas evidências ressaltam os benefícios do consumo da farinha da casca do maracujá para a saúde humana. Entre os principais, destacam-se a melhora na digestão e no funcionamento intestinal, propriedades antioxidantes, controle do colesterol e da glicemia, além de efeitos anti-inflamatórios (Ashard et al., 2025). O uso da farinha contribui também para a redução do desperdício agroindustrial, promovendo alimentos mais sustentáveis e benéficos ao meio ambiente e à saúde (Macedo et al., 2023). A farinha da casca do maracujá é uma excelente fonte de fibras dietéticas, contendo tanto fibras solúveis quanto insolúveis, que auxiliam na digestão, melhorando a motilidade intestinal e prevenindo condições como a prisão de ventre. Essas fibras também proporcionam maior sensação de saciedade, auxiliando no controle do peso corporal (Ashard et al., 2025). Um estudo realizado por Goos et al. (2018) demonstrou que a administração da farinha da casca de maracujá foi capaz de prevenir o acúmulo de gordura no fígado induzido por dietas ricas em frutose em ratos jovens. Além disso, o consumo da farinha ajuda na redução do colesterol LDL, pois suas fibras auxiliam na eliminação do excesso de lipídios no organismo, promovendo melhorias na saúde cardiovascular e prevenindo doenças como aterosclerose e infarto agudo do miocárdio. Estudos recentes também indicam que o consumo diário da farinha da casca do maracujá amarelo durante dois meses melhora o controle glicêmico e aumenta a produção de insulina em pacientes com diabetes tipo 2. Esses resultados sugerem que a farinha pode ser uma estratégia natural e complementar no manejo do diabetes e na resistência à insulina, oferecendo uma alternativa segura e eficaz de tratamento (De Queroz et al., 2012).
Conclusão: A utilização da farinha da casca do maracujá para manutenção da saúde cardiometabólica apresenta-se uma estratégia promissora, devido ao seu elevado teor de fibras e compostos bioativos que favorecem a digestão, o controle do colesterol e da glicemia, além de possuir propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias. Sua utilização também contribui para a sustentabilidade agroindustrial ao valorizar resíduos, promovendo uma alimentação mais consciente e ambientalmente responsável.
Referências:
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WEYYA, G.; BELAY, A.; TADESSE, E. Passion fruit (Passiflora edulis Sims) by-products as a source of bioactive compounds for non-communicable disease prevention: extraction methods and mechanisms of action: a systematic review. Frontiers in Nutrition, v. 11, p. 1340511, 2024.