ALTERAÇÕES ANATÔMICAS EM CÃES COM SÍNDROME BRAQUICEFÁLICA: REVISÃO DE LITERATURA 
1JOÃO ANTONIO LA VALLE DE ALMEIDA CROFFI, 2ALESSANDRA LIE TAKARASHI MIAKE, 3MARIA EDUARDA DO NASCIMENTO, 4CAROLINA QUIRINO AMORIM, 5NATALIA ROCHA CAVALCANTI, 6SERGIO PINTER GARCIA FILHO
1Academico bolsista de medicina veterinária/UEM
2Academico de medicina veterinária/UEM
3Academico de medicina veterinária/UEM
4Academico de medicina veterinária/UEM
5Academico de medicina veterinária/UEM
6Docente da UEM
Introdução: A síndrome braquicefálica é uma condição genética adversa que é causada por inúmeras alterações anatômicas nos cães, decorrente das diversas seleções genéticas feitas nesses animais, onde o fenótipo da síndrome ganha destaque pela sua configuração estética (Ekenstedt et al., 2020). Mesmo com a aparência atrativa para os tutores, os animais desenvolvem diversos problemas, incluindo alterações fisiológicas, gástricas, dermatológicas e principalmente respiratórias, considerada um distúrbio de sistema respiratório para os que possuem o tipo de focinho curto (Bezerra et al, 2018). Entre aqueles que sofrem com tal conformação, podemos destacar as raças de cães Bulldogue Inglês e Francês, Pequinês, Maltes, Shi-tzu e Pug que são os principais afetados (Corsi, 2018).
Objetivo: Este trabalho tem como objetivo citar as alterações anatômicas presentes em cães com a síndrome braquicefálica, para melhorar a compreensão do problema e entender sua forma, destacando as regiões e sistemas mais afetados pela síndrome.
Desenvolvimento: Os cães possuem alta variedade de tipos corporais devido as múltiplas mutações ocorridas ao longo do tempo, entre essas destacam-se as alterações do crânio, que classificam os animais em dolicocefálicos, mesocefálicos e braquicefálicos, sendo estes últimos o foco do trabalho (Konig e Liebich, 2021). A síndrome braquicefálica é caracterizada por diversas alterações na anatomia dos cães, onde as alterações primárias incluem estenose de narina, hipoplasia de traqueia, e prolongamento do palato mole, que causam obstrução e estreitamento da via respiratória, estas mudanças são consideradas manifestações malignas nesses animais (Merlin et al., 2020; Lameu et al., 2020). Além das alterações primárias citadas, outras alterações secundárias podem ser notadas com a utilização de exames mais cuidadosos com o auxílio de anestesia, já que cães braquicefálicos possuem uma tendencia a ter um aumento de língua, entre estas alterações temos eversão dos sáculos faríngeos onde ocorre o prolapso dessas estruturas para fora das suas cavidades na laringe, colapso de laringe e edema, tais problemas constituem um conjunto de anormalidades que dificulta a capacidade respiratória do indivíduo, ocasionando o aumento da pressão negativa em toda a via respiratória (Mendes Junior et al., 2021; Lameu et al., 2020). Algumas características dos animais portadores da SB são episódios de roncos ao repousar, e a emissão de ruídos respiratórios atípicos, com destaque para momentos de atividades físicas, onde estas particularidades ficavam mais acentuadas (Nunes de Lima et al., 2025). Ao utilizarmos exames mais aprofundados como tomografia computadorizada, podemos perceber que há maior resistência do ar na cavidade nasal quando comparamos as regiões do palato mole e da nasofaringe (Hostnik, Scansen, Zielinski & Ghadiali, 2017). As vias aéreas podem ficar ainda mais comprometidas pela inflamação da faringe em decorrência da vibração do palato prolongado, que acaba lesionando a mesma e causando uma degeneração das cartilagens aritenoides, que junto com engasgos, espirros reversos, mucosas cianóticas e sincope, são clássicos da manifestação da síndrome (Slatter, 1998). Como já citado anteriormente, a pressão negativa torácica está presente nesses animais, a qual acaba elevando a pressão hidrostática capilar pulmonar por aumentar o retorno venoso do lado direito do coração, causando riscos de edema pulmonar, sendo este uma das principais causas de morte dos cães braquicefálicos (Shales, 2014).
Conclusão: Com base nessas informações, é possível chegar à conclusão que a síndrome braquicefálica é uma condição adversa maléfica para os cães que a possuem, a mesma sendo decorrente de alterações anatômicas congênitas iatrogênicas, que levam o animal a diversas complicações respiratórias e fisiológicas. Estes animais devem passar por acompanhamento medico veterinário e cuidados específicos para evitar as dificuldades da síndrome.
Referências:
BEZERRA, H. P.; MARINHO, R. S. L. Alterações anatômicas primárias das vias respiratórias em cães braquicefálicos: revisão de literatura. 2018. 21 f. Monografia (Trabalho de Conclusão de Curso em Medicina Veterinária) – Centro Universitário CESMAC, Maceió, 2018.
CORSI, S. Síndrome do braquiocefálico e suas principais alterações secundárias. 2018. Monografia (Graduação em Medicina Veterinária) – Universidade de Brasília, Brasília, 2018.
EKENSTEDT, K. J.; CROSSE, K. R.; RISSELADA, M. Canine brachycephaly: anatomy, pathology, genetics and welfare. Journal of Comparative Pathology, v. 176, p. 109-115, 2020.
HOSTNIK, E. T.; SCANSEN, B. A.; ZIELINSKI, R.; GHADIALI, S. N. Quantification of nasal airflow resistance in English bulldogs using computed tomography and computational fluid dynamics. Veterinary Radiology & Ultrasound, v. 58, n. 5, p. 542-551, 2017.
LAMEU, G. R. et al. Síndrome braquicefálica em cães: revisão. Pubvet, v. 14, n. 10, p. 1-7, out. 2020.
KÖNIG, H.E.; LIEBICH, H-G. Esqueleto axial. In: Anatomia dos animais domésticos: texto e atlas colorido. 7. ed. Porto Alegre: Artmed, 2021.
MENDES JUNIOR, A. F. et al. Abordagem diagnóstica da síndrome braquicefálica em cães: revisão de literatura. Research, Society and Development, v. 10, n. 15, p. 1-9, 24 nov. 2021.
MERLIN, I. B. et al. Ocorrência de síndrome braquicefálica em cães braquicefálicos atendidos no hospital veterinário de “Governador Laudo Natel” UNESP Jaboticabal: estudo retrospectivo (2007-2017). Enciclopédia Biosfera, v. 17, n. 32, p. 402, 2020.
SHALES, C. Factors, diagnosis and treatment of BOAS in dogs. Veterinary Times, n. 11, 2014
SLATTER, D. H. Manual de cirurgia de pequenos animais. v. 2. São Paulo: Manole, 1998.