HEPATOZOON SPP. EM CANINO NATURALMENTE INFECTADO TRATADO COM DIPROPIONATO DE IMIDOCARB: RELATO DE CASO  
1EMANUELE SANTOS DO BONFIM, 2JOANA DOS SANTOS PINGUELLI, 3LEONARDO AUGUSTO DE CARVALHO, 4CAIO JUNIOR BALDUINO COUTINHO RODRIGUES
1Acadêmico de Medicina Veterinária na UEM
2Acadêmico de Medicina Veterinária na UEM
3Acadêmico de Medicina Veterinária na UEM
4Docente da UEM
Introdução: A hepatozoonose é uma hemoparasitose de relevância para caninos e felinos domésticos.No Brasil, o principal protozoário identificado é o Hepatozoon canis (ROTONDANO et  al., 2015; BERNARDINO et  al., 2016), e é transmitido por carrapatos parasitados como o  Rhipicephalus sanguineus, considerado os principal vetor da doença em cães na América do Sul (O ́DWYER e MASSARD, 2001; FORLANO et al., 2007).A transmissão se dá pelo repasto sanguíneo após a ingestão do carrapato com os oocistos maduros, podendo os oocistos se abrigarem tanto nos machos quanto nas fêmeas adultas de Rhipicephalus sanguineus (BANETH et al., 2003).O esfregaço sanguíneo é o diagnóstico padrão para ambas espécies de Hepatozoon pois possibilita a visualização dos leucócitos infectados, apesar de não ser o método mais sensível, é o mais eficiente para altas parasitemias. Existe ainda o exame em reação em cadeia da polimerase (PCR) e este é o mais sensível, pois detecta o DNA do protozoário mesmo em parasitemias menores (SCHÄFER  et  al.,  2022; OGBU et al., 2018; GREENE, 2015).O presente trabalho relata a visualização dos gamontes do hemoparasita com métodos de esfregaço sanguíneo sob suspeita de erliquiose e o consequente achado acidental de Hepatozoon spp. e seu posterior tratamento com dipropionato de imidocarb.
Relato de caso: No dia vinte e nove de março de dois mil e vinte e dois (29/03/2022) foi atendido no Hospital Veterinário da Universidade Estadual de Maringá (HVU) na cidade de Umuarama-PR, uma cadela SRD fêmea e não castrada, com idade de quatro meses, pesando 5 kg. O proprietário relatou que era recém resgatado, e não possuía histórico anterior, os únicos sintomas apresentados pelo paciente eram palidez de mucosa e corrimento ocular, sendo assim a veterinária responsável solicitou a realização de hemograma. Onde foi encontrado presença de inclusão sugestiva de mórula de Ehrlichia sp. Dez dias após o primeiro exame, foi solicitado outro hemograma onde teve a presença de inclusão intracitoplasmática em neutrófilo sugestiva de gamonte de Hepatozoon spp.Após o diagnóstico o tratamento foi iniciado utilizando dipropionato  de imidocarb 5 mg/kg associado à atropina 00,22 mg/kg, para estabilização do débito cardíaco, uma vez que o imidocarb pode causar bradicardia. Foram feitas duas doses com intervalo de 15 dias e se mostrou eficiente para o tratamento da hepatozoonose. Para a infecção concomitante de erliquiose, foi utilizado doxiciclina 7 mg/kg durante 28 dias.
Discussão: No exame feito no dia 29/03/2022,as alterações encontradas no eritrograma foram anisocitose e policromasia moderada, somados ao leucograma onde encontrava-se presença de discreta reatividade monocitária e presença de inclusão sugestiva de mórula de Ehrlichia sp.Seu segundo exame de hemograma realizado no dia  08/04/2022, já havia começado o tratamento para erliquiose e os resultados de acordo com os valores de referência haviam tido melhora, eritrograma não apresentava alterações, entretanto no leucograma notou-se presença moderada de reatividade monocitária e inclusão intracitoplasmática em neutrófilo sugestiva de gamonte de Hepatozoon sp.Como não existe um meio específico para diagnosticar hepatozoonose, seu achado acidental na lâmina de esfregaço sanguínea foi fundamental para fechar o diagnóstico e montar o esquema de tratamento.Embora a literatura cite anorexia, vômito, diarréia e polidipsia como sinais clínicos frequentes, o animal não os manifestava (LASTA et al., 2009; OʼDWYER, 2011).Inicialmente era relatado a ineficiência do dipropionato de imidocarb  para o tratamento da hepatozoonose (SASANELLI et al., 2010), no entanto deve-se considerar a carga parasitária e outras condições particulares do paciente para o tratamento de eleição. Segundo Alves (2024), é possível o sucesso do fármaco na terapia: “O tratamento para H. canis constitui-se de dipropionato de imidocarb, nas doses de 5  a  6  mg/kg  pela  via  subcutânea  ou  intramuscular,  uma  vez  a  cada  14  dias.  Para parasitemias  leves  duas  aplicações  costumam  bastar,  mas  podem  ser  necessárias  até  8 aplicações  para  que  o  esfregaço  sanguíneo  não  revele  mais  a  presença  do  parasito.  A associação com a doxiciclina é controversa, os autores defendem que ela não tem ação direta no Hepatozoon spp e sim nas outras hemoparasitoses que podem estar associadas”.
Conclusão: O achado de gamontes de Hepatozoon canis no esfregaço sanguíneo foi crucial para o diagnóstico do animal relatado. Poucas são as informações sobre as características da forma clínica da doença em cães, em função da presença de co-infecções como houve no caso relatado, uma co-infecção por Ehrlichia, o que dificulta diferenciar os sinais clínicos de uma doença da outra. O exame parasitológico ainda é muito utilizado na pesquisa do protozoário, contudo, inúmeros diagnósticos são feitos de forma acidental, levando o médico veterinário a descartar a doença como um possível diagnóstico diferencial de seus casos da rotina.
Referências:
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