ESTREPTOCOCOSE SUÍNA: IMPORTANCIA DO Streptococcus suis NA PRODUÇÃO SUINÍCULA
1PEDRO AVANCI TEIXEIRA, 2LORRAYNE DE SOUZA ARAUJO MARTINS MOTTA
1Discente de Medicina Veterinária, Universidade Estadual de Maringá
2Docente da UEM
Introdução: Nos últimos 35 anos, a suinocultura brasileira passou por transformações significativas que consolidaram o país no mercado mundial de proteína animal. Em escala global, o Brasil ocupa a quarta posição tanto na produção quanto na exportação de carne suína (ABPA, 2025). Esse avanço é resultado da modernização tecnológica, do aprimoramento genético dos rebanhos, da nutrição de precisão e da adoção de rígidos programas de biosseguridade. Entretanto, a intensificação dos sistemas produtivos e a elevada densidade animal favorecem a disseminação de agentes infecciosos, mantendo a sanidade como um dos principais desafios da cadeia produtiva (Hopkins et al., 2018). Entre as enfermidades bacterianas de maior impacto, destaca-se a estreptococose, causada por Streptococcus suis, devido ao seu potencial de provocar surtos com elevada mortalidade, perdas econômicas significativas e riscos à saúde pública em virtude de seu caráter zoonótico (Barcellos, 2022).
Objetivo: Revisar a importância da doença estreptococose e da bactéria Streptococcus suis e seus impactos na produção suína.
Desenvolvimento: A estreptococose apresentou, nos últimos anos, incidência média de 5% (Santos, 2022). Contudo, surtos recentes vêm sendo relatados globalmente, associados a elevadas taxas de mortalidade. O agente etiológico é o Streptococcus suis, bactéria gram-positiva, encapsulada, anaeróbia facultativa, alfa-hemolítica e endêmica em determinadas granjas, com tropismo pelo sistema respiratório (Barcellos, 2022). Uma vez na corrente sanguínea, o patógeno pode acometer os sistemas cardiovascular, nervoso, locomotor e urinário (Menegatt, 2023), ocasionando pneumonia, septicemia, meningite, endocardite e artrite, além de infecções urinárias e abortos ocasionais (Santos, 2022). Animais assintomáticos podem carrear o microrganismo por longos períodos nas tonsilas. Até o momento, não existem métodos eficazes para a eliminação de sorotipos estabelecidos, sendo a bactéria considerada parte da microbiota em algumas granjas (Berlanda, 2023). No Brasil, os sorotipos mais prevalentes são 2, 3 e 7, menos patogênicos em comparação ao sorotipo 9, atualmente associado a surtos em creches e ao aumento da mortalidade de leitões (Matajira et al., 2020; Hammerschmitt et al., 2022). Essa mudança no perfil epidemiológico indica evolução na virulência do agente, reforçando a necessidade de estudos contínuos sobre prevalência e impacto produtivo (Menegatt, 2023). Do ponto de vista econômico, a estreptococose representa um problema relevante não apenas pela mortalidade direta, mas também pelos custos indiretos relacionados ao tratamento prolongado com antimicrobianos, perda de desempenho zootécnico, redução no ganho médio diário, diminuição na conversão alimentar e maior tempo até o abate. Além disso, infecções crônicas e sequelas como artrite e meningite reduzem a uniformidade dos lotes, elevam os índices de descarte precoce e resultam em condenações de carcaças em abatedouros, agravando os prejuízos financeiros para os produtores. Em leitões lactantes para se ter um controle de estreptococose é importante medidas de limpeza, desinfecção e manejo das granjas. As práticas de manejo realizadas na primeira semana de vida são diferenciais para uma boa sanidade desses animais como corte cauda, desbaste dos dentes, cuidados com umbigo, devem ser realizados com equipamentos limpos e desinfectados. Algumas outras medidas de controle de infecção no rebanho envolvem evitar fatores ambientais que estressam os leitões, programas nutricionais e imunológicos adequados, quarentena de novos animais adquiridos, vazio sanitário entre outras medidas que podem ser adotadas. (Barcellos, 2022).
Os sinais clínicos apresentados pelos animais infectados muitas vezes se assemelham a outras enfermidades, como doença de Aujeszky e pleuropneumonia, tornando indispensável o diagnóstico laboratorial. A confirmação é realizada por isolamento e identificação de S. suis em tecidos com alterações patológicas, como deposição de fibrina, focos necróticos e inflamação (Hopkins et al., 2018). O isolamento em meios de cultura não seletivos, constitui método rápido, prático e de baixo custo. Após o crescimento bacteriano, a identificação pode ser confirmada por sorologia, PCR ou espectrometria de massa (MALDI-ToF) (Chaiden et al., 2021).
Conclusão: A estreptococose é responsável por prejuízos significativos à suinocultura mundial, sendo necessário ampliar pesquisas e difundir informações entre produtores. Mesmo em granjas tecnificadas e com rigorosa biosseguridade o S. suis pode se instalar e tornar-se endêmico, causando problemas especialmente nas fases de creche e terminação. Além disso, a pneumonia septicêmica constitui uma das principais causas de condenação de carcaças em abatedouros, agravando as perdas econômicas.
Referências:
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE PROTEÍNA ANIMAL – ABPA. Relatório Anual ABPA 2025. Campinas, SP: ABPA, 2025. Disponível em: https://abpa-br.org/wp-content/uploads/2025/04/ABPA.-Relatorio-Anual-2025.pdf. Acesso em: 30 ago. 2025.
BARCELLOS, D.; GUEDES, R. M. V. Doenças dos Suínos. 3. ed. Porto Alegre: Professor David Barcellos, 2022. 1060 p.
BERLANDA, T.; DA COSTA, C. P.; RESMINI, F. A. Protocolo de manejo clínico e vigilância em casos de surto de Streptococcus suis em leitões desmamados. Revista JRG de Estudos Acadêmicos, v. 6, n. 13, p. 555-569, 2023.
CHAIDEN, C. et al. Streptococcus suis serotyping by matrix-assisted laser desorption/ionization time-of-flight mass spectrometry. PLoS ONE, v. 16, p. e0249682, 2021.
HOPKINS, D. et al. Factors contributing to mortality during a Streptoccocus suis outbreak in nursery pigs. Canadian Veterinary Journal, v. 59, p. 623-630, 2018.
MENEGATT, J. C. O.  et al. Main Causes of Death in Piglets from Different Brazilian Nursery Farms Based on Clinical, Microbiological, and Pathological Aspects. Animals (Basel). v. 13, n. 24, 3819, 2023.
MATAJIRA, et al. Streptococcus suis in Brazil: genotypic, virulence, and resistance profiling of strains isolated from pigs between 2001 and 2016. Pathogens, v. 9, n. 1, p. 31, 2020.
SANTOS, L. F.; MORENO, A. M.; FRANDOLOSO, R.; BARCELLOS, D.; SANTOS, J. L. Estreptococoses. In: BARCEL
LOS, D.; GUEDES, R. M. C. (Ed.). Doenças dos Suínos. 3. ed. Porto Alegre: 2022. p. 232-241.