HEPATITE C: MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS HEPÁTICAS E EXTRA HEPÁTICAS,  MODO DE TRANSMISSÃO E IMPLICAÇÕES COMO PROBLEMA DE SAÚDE PÚBLICA
1PABLO SANTANA ARAUJO, 2ANDREYNA TALINI , 3GIOVANNA MARINHO , 4ANDRESSA GABRIELLY, 5MARIA GABRIELA HARUMI , 6GIULIANA ZARDETO
1Acadêmico de Biomedicina da UNIPAR, Umuarama/PR
2Acadêmica de biomedicina da UNIPAR, Umuarama/PR
3Acadêmica de biomedicina da UNIPAR, Umuarama/PR
4Acadêmica de Biomedicina da UNIPAR, Umuarama/PR
5Acadêmica de Biomedicina da UNIPAR, Umuarama/PR
6Docente da UNIPAR
Introdução: A hepatite C é uma doença infecciosa de natureza hepática, causada por um vírus de RNA pertencente à família Flaviviridae (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2023). A infecção pode se manifestar nas formas aguda ou crônica, sendo que a fase aguda é, em grande parte dos casos, assintomática ou acompanhada por sinais inespecíficos, dificultando o diagnóstico precoce (WESTBROOK; DUSHEIKO, 2022). Quando não tratada adequadamente, a hepatite C pode evoluir para a forma crônica em aproximadamente 50% a 85% dos casos, resultando em complicações graves, como cirrose, insuficiência hepática e carcinoma hepatocelular (YOUNOSSI et al., 2021). Além das manifestações hepáticas, o vírus da hepatite C (HCV) pode desencadear alterações extra-hepáticas de origem autoimune, afetando diversos sistemas do organismo, incluindo os sistemas hematológico, renal, endócrino, neuromuscular, articular e dermatológico (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2023). Dentre essas manifestações, destacam-se alterações bucais, como o líquen plano oral (LPO), que podem surgir no curso da infecção. No Brasil, a hepatite C representa um relevante problema de saúde pública, com uma prevalência estimada entre 1% e 3% da população (YOUNOSSI et al., 2021). A principal via de transmissão é parenteral, sendo os fatores de risco mais comuns: transfusões sanguíneas realizadas antes de 1992, uso de drogas injetáveis e inaláveis, procedimentos odontológicos e estéticos sem biossegurança adequada, além da transmissão perinatal (PAPATHEODORIDIS et al., 2023).
Objetivo: Analisar as manifestações clínicas hepáticas e extra-hepáticas associadas à infecção pelo vírus da hepatite C, com ênfase nas alterações bucais como o líquen plano oral, além de discutir os principais modos de transmissão, fatores de risco e implicações da doença como um problema de saúde pública no Brasil.
Desenvolvimento: A principal via de transmissão do HCV é parenteral, sobretudo entre usuários de drogas injetáveis. Outras formas incluem procedimentos médicos realizados sem segurança adequada e, menos frequentemente, a transmissão vertical ou sexual. Embora a prevalência global tenha diminuído com a implementação de triagens seguras de sangue, a carga de morbidade permanece elevada em populações vulneráveis (WESTBROOK; DUSHEIKO, 2022). Após a infecção aguda, cerca de 75% a 85% dos indivíduos evoluem para infecção crônica. A progressão para fibrose hepática, cirrose e, eventualmente, carcinoma hepatocelular ocorre de forma silenciosa e lenta, frequentemente ao longo de décadas (PAPATHEODORIDIS et al., 2023). Fatores como coinfecção por HIV, consumo excessivo de álcool e presença de doenças metabólicas, como esteatose hepática não alcoólica (NAFLD), aceleram a evolução da doença (YOUNOSSI et al., 2021). O diagnóstico baseia-se na detecção de anticorpos anti-HCV e na confirmação por testes moleculares de RNA viral. O advento dos antivirais de ação direta (DAAs)revolucionou o tratamento, proporcionando taxas de cura superiores a 95% e regimes terapêuticos de curta duração (8 a 12 semanas) com efeitos adversos mínimos (KABIR et al., 2021). Esse avanço transformou a hepatite C de uma doença crônica grave em uma infecção amplamente curável. Entretanto, desafios persistem, especialmente em países de baixa e média renda, onde o acesso ao diagnóstico e ao tratamento permanece restrito, dificultando a meta de eliminação proposta pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para 2030 (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2023).
Conclusão: Apesar dos avanços terapêuticos alcançados, desafios importantes persistem, como a identificação de novos genótipos e subtipos do vírus, que indicam mudanças na distribuição genotípica e possível expansão da doença. Além disso, fatores como estigma, desigualdade no acesso ao tratamento e falta de informação ainda dificultam a erradicação completa da hepatite C. Portanto, é fundamental continuar investindo em políticas públicas que promovam a educação em saúde, ampliem o acesso ao diagnóstico e ao tratamento, e combatam o preconceito, visando à eliminação da hepatite C como problema de saúde pública.
Referências:
KABIR, A. et al. The impact of direct-acting antivirals on hepatitis C virus disease burden: real-world data and future perspectives. Liver International, v. 41, n. 5, p.1108-1122, 2021. Disponível em: https://doi.org/10.1111/liv.14801. Acesso em: 24 maio 2025.
PAPATHEODORIDIS, G. V. et al. Hepatitis C: recent advances in the management and elimination efforts. Journal of Hepatology, v. 79, n. 1, p. 45-61, 2023. Disponível em: https://doi.org/10.1016/j.jhep.2023.01.015. Acesso em: 24 maio 2025.
WESTBROOK, R. H.; DUSHEIKO, G. Natural history of hepatitis C. Journal of Hepatology, v. 77, supl. 1, p. S45-S65, 2022. Disponível em: https://doi.org/10.1016/j.jhep.2022.05.002. Acesso em: 24 maio 2025.
WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO). Global progress report on HIV, viral hepatitis and sexually transmitted infections, 2023. Geneva: WHO, 2023. Disponível em: https://www.who.int/publications/i/item/9789240071900. Acesso em: 24 maio 2025.
YOUNOSSI, Z. M. et al. Global epidemiology of NAFLD and NASH: a systematic review and meta-analysis. Hepatology, v. 64, n. 1, p. 73-84, 2021. Disponível em: https://doi.org/10.1002/hep.32299. Acesso em: 24 maio 2025