INTEGRAÇÃO ENTRE IMUNOTERAPIA E VIROTERAPIA ONCOLÍTICA: AVANÇOS NO PAPEL DO INTERFERON TIPO I E NO POTENCIAL SINÉRGICO COM INIBIDORES DE CHECKPOINT NO  TRATAMENTO DE CÂNCER 
 
 
1MARIANA ZAFALON TAMPELINI, 2ISADORA SOUZA SILVA, 3MARIA JULIA MAESTÃ RUEDA, 4BRUNA GOMES SYDOR
1Acadêmica do curso de Biomedicina da UNIPAR
2Acadêmica do Curso de Biomedicina da UNIPAR
3Acadêmica do Curso de Biomedicina da UNIPAR
4Docente da UNIPAR
Introdução: O câncer é um conjunto de doenças caracterizadas pelo crescimento descontrolado de células anormais, que podem invadir tecidos ou se espalhar para outros órgãos (metástase) (WHO, 2025). Segundo o INCA (2022), entre 2023 e 2025, o Brasil terá cerca de 704 mil novos casos. Os tipos mais incidentes incluem: pele não melanoma (31,3%), mama (10,5%) e próstata (10,2%). Nos homens, prevalece o câncer de pele não melanoma (29,9%). Nas mulheres, este também é o mais frequente (32,7%), seguido pelo câncer de mama (20,3%) (INCA, 2022). As principais abordagens terapêuticas incluem cirurgia, radioterapia e quimioterapia, que, embora eficazes, apresentam limitações e efeitos adversos. Nesse contexto, surgem estratégias como a imunoterapia (LUSTOSA et al., 2024) e a viroterapia oncolítica (VO) (CHAURASIYA; CHEN; FONG, 2018; LI, 2020). O sucesso da imunoterapia está relacionado ao reconhecimento de neoepítopos em tumores com alta carga mutacional. Respostas precoces ao interferon tipo I aumentam a eficácia dos inibidores de checkpoint e podem ser ampliadas com nanopartículas lipídicas contendo RNA (QDAISAT et al., 2025). Muitos tumores expressam antígenos associados (TAAs), como o antígeno carcinoembrionário (CEA), superexpresso no câncer colorretal e alvo de vacinas adenovirais que induzem forte resposta imune (YARI et al., 2025). Tumores podem ser classificados como “quentes” ou “frios” conforme o nível de infiltração imune (KENDALL; VILE, 2025).
Objetivo: Explanar o papel do interferon tipo I, da sinergia entre o retrovírus oncolítico e inibidores checkpoint no contexto do câncer.
Desenvolvimento: O êxito das imunoterapias contra o câncer depende do reconhecimento de neoepítopos altamente expressos, o que favorece malignidades com elevada carga mutacional. Já tumores pouco imunogênicos tendem a ser resistentes a essas abordagens. Estudos recentes mostram que respostas precoces mediadas por interferons tipo I são cruciais para o sucesso dos inibidores de checkpoint imunológico, pois favorecem a disseminação de epítopos e amplificam a resposta imune. Essas respostas podem ser intensificadas por nanopartículas lipídicas contendo RNA codificante de antígenos inespecíficos. Em modelos murinos, a imunidade adquirida em tumores sensíveis aos inibidores pôde ser transferida para tumores resistentes, promovendo disseminação antigênica, respostas autoamplificadoras e proteção contra recidiva (QDAISAT et al., 2025). Assim, a resistência de certos tumores não decorre apenas da evasão imune, mas também da ausência de resposta inicial de dano, que pode ser restaurada por estímulo com interferon tipo I. Outro eixo promissor é a imunoviroterapia, que combina o efeito oncolítico dos vírus com a modulação do sistema imune. Vírus oncolíticos (VOs) replicam-se seletivamente em células tumorais, causando lise e inflamação local, recrutando células efetoras como linfócitos T CD8+ e favorecendo a ação dos bloqueadores de checkpoint imunológico (BCIs) (KENDALL; VILE, 2025). Embora o uso de inibidores de PD-1/PDL1 seja padrão em diversos cânceres, evidências clínicas diretas da sinergia entre VO e BCI ainda são limitadas (YARI et al., 2025). Um desafio é a imunodominância viral, que pode reduzir a expansão de células T antitumorais e levar ao seu esgotamento funcional (KENDALL; VILE, 2025). Para superar esse obstáculo, estratégias que integram antígenos associados a tumores (AATs), seja incorporados aos vírus ou administrados separadamente, têm se mostrado eficazes (YARI et al., 2025). Essa abordagem sincroniza a ativação de células T antivirais e antitumorais, ampliando a resposta imune. Em modelos pré-clínicos, a combinação entre VO, vacinas com AATs e bloqueadores de checkpoint gerou resultados expressivos. Um estudo com reovírus oncolítico, vetor adenoviral expressando o antígeno carcinoembrionário (Ad-CEA) e inibidores de PD-1/PD-L1 mostrou maior supressão tumoral, infiltração linfocitária intensa e redução de células regulatórias Foxp3+. Houve também diminuição de TNF-α no microambiente tumoral, sugerindo uma resposta mais equilibrada (YARI et al., 2025). Esses achados indicam que a imunoviroterapia, integrada a estímulos de interferon tipo I e apresentação de antígenos tumorais, pode redefinir o tratamento de tumores sólidos. O novo paradigma aponta para a sinergia entre inflamação antiviral, disseminação de epítopos e bloqueio de checkpoints, criando um circuito autoamplificador capaz de transformar tumores frios em quentes, mais responsivos à imunoterapia (KENDALL; VILE, 2025).
Conclusão: A integração entre imunoterapia e viroterapia oncolítica no câncer evidencia o papel do interferon tipo I em ampliar a eficácia dos inibidores de checkpoint. Vírus oncolíticos e antígenos tumorais potencializam a resposta imune, convertendo tumores frios em quentes e fortalecendo estratégias terapêuticas mais eficazes.
Referências:
CHAURASIYA, S.; CHEN, N. G.; FONG, Y. Oncolytic viruses and immunit. Curr. Opin. Immunol. Vol. 51, páginas 83-90, 2018.
Instituto Nacional de Câncer (Brasil). Estimativa 2023: incidência de câncer no Brasil. Instituto Nacional de Câncer. – Rio de Janeiro : INCA, 2022. 
KENDALL, B. L.; VILE, R. G. Oncolytic immunovirotherapy: finding the tumor antigen needle in the antiviral haystack. Immunotherapy.  Vol. 17,  N.8, páginas: 585–594, 2025. 
LI, Y. et al. Oncolytic virotherapy in hepato-bilio-pancreatic cancer: the key to breaking the log jam? Cancer Med. Vol. 9, páginas 2943-2959, 2020.
LUSTROSA, A. et al. Imunoterapia no tratamento do câncer: avanços recentes e futuras direções na oncologia. Revista Ibro- Americana de Humanidade, Ciências e Educação, v. 10, n. 3, p. 813-820, 2024.
QDAISAT, S.; et al. Sensitization of tumours to immunotherapy by boosting early type-I interferon responses enables epitope spreading. Nature biomedical engineering. N. 9, páginas: 1437–1452. Julho, 2025.
WHO, Organização Mundial da Saúde. Câncer. 2025. Disponível em: https://www.who.int/health-topics/cancer#tab=tab_1. Acesso em: 25 de ago. de 2025.
YARI, A.; et al. Oncolytic reovirus enhances the effect of CEA immunotherapy when combined with PD1-PDL1 inhibitor in a colorectal cancer model. Immunotherapy. Vol.17. N. 6. páginas 425-435. Abril, 2025.