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| FUTSAL EM PROGRAMAS SOCIAIS: CONTRIBUIÇÕES PARA O CRESCIMENTO DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES – ESTUDO DE REVISÃO | |
| 1ADEMIR FARIA PIRES, 2GUILHERME PECORARI TUDISCO, 3JOYCE CRISTINA CLARO MENOTI | |
| 1Docente do Curso de Educação Física - Universidade Paranaense - UNIPAR - Unidade Cianorte 2Acadêmico da Universidade Paranaense - UNIPAR - Unidade Cianorte 3Docente na Universidade Estadual de Londrina |
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| Introdução: No Brasil, o esporte tem sido utilizado como uma ferramenta de intervenção social desde o início do século XX. O futsal, que surgiu nas décadas de 1940 e 1950, rapidamente ganhou popularidade (Voser et al. 2016). Iniciativas como o “Esporte para Todos” durante o regime militar e a Lei de Incentivo ao Esporte de 1988 ampliaram o uso do esporte com fins educacionais (Pazin, 2014). Atualmente, o futsal é amplamente utilizado para combater a evasão escolar, prevenir a violência e promover saúde e cidadania. Objetivo: Analisar de que forma o futsal, quando inserido em projetos sociais, pode contribuir para o desenvolvimento integral de crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade, por meio de uma revisão bibliográfica. Desenvolvimento: Os programas sociais são ações que visam promover o bem-estar social e reduzir desigualdades, garantindo direitos básicos a populações em situação de vulnerabilidade (Saldanha, 2012). O futsal, por ser uma modalidade acessível e popular nas periferias urbanas, tem sido amplamente utilizado como ferramenta de inclusão social. O esporte, ao ser usado como ferramenta de transformação, busca ocupar o tempo ocioso de crianças e adolescentes com atividades, afastando-os da violência e das drogas. A educação pelo esporte compreende o uso das práticas esportivas para o desenvolvimento integral do indivíduo, indo além da dimensão física para incluir aspectos cognitivos, afetivos e sociais. Essa abordagem se baseia na ideia de que o esporte, quando orientado por princípios pedagógicos, contribui para a formação cidadã e ética. Kunz (1994) defende que o esporte educacional deve respeitar os princípios de inclusão, cooperação e protagonismo juvenil. Freire (1996) complementa essa visão, afirmando que o esporte, quando mediado de forma crítica, pode se tornar uma ferramenta de conscientização e transformação social. Vygotsky (2007) reforça o papel do educador na construção de significados, explorando pedagogicamente as interações e regras dos jogos. Parlebas (2001) introduz a praxeologia motriz, que considera o esporte uma linguagem social e uma prática educativa intencional. A prática do futsal contribui para o desenvolvimento de autocontrole e comprometimento. A convivência em equipe promove o respeito às diferenças e a figura do treinador é vista como uma referência positiva. A ocupação do tempo com atividades esportivas reduz a exposição dos jovens à criminalidade e ao uso de drogas. Estudos mostram que jovens em atividades esportivas apresentam menor índice de evasão escolar. De acordo com relatórios do Ministério do Esporte, programas como o “Esporte Educacional” e o “Segundo Tempo” registraram aumento de até 30% no rendimento escolar e redução de 40% nos comportamentos de risco entre os participantes (Brasil, 2025). Apesar dos benefícios, os projetos de futsal enfrentam desafios. Thomassin (2010) aponta que, por vezes, esses projetos são usados como estratégia eleitoral, mas carecem de estrutura e financiamento do estado. Há uma desconexão entre o discurso oficial e a realidade dos projetos, que dependem de recursos instáveis. A falta de articulação e planejamento de longo prazo transforma os jovens em "números" para fins estatísticos, sem impacto profundo e sustentável. A escassez de recursos, a ausência de acompanhamento e a descontinuidade das atividades são problemas recorrentes. Por isso, é essencial a formação continuada para professores e treinadores e a garantia de boas condições de trabalho. A união de esforços entre sociedade, educadores, comunidade e poder público é fundamental para o sucesso desses projetos. Conclusão: Este trabalho analisou como o futsal em projetos sociais pode contribuir para o desenvolvimento integral de crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade. Os principais achados indicam que o futsal, orientado por princípios educativos, fortalece valores como respeito, disciplina e cooperação, melhora a autoestima e contribui para o desempenho escolar. A prática regular ajuda a prevenir comportamentos de risco, como o envolvimento com drogas e violência. O profissional de educação física e o treinador têm um papel que vai além da parte técnica, atuando também como referência e apoio emocional para os jovens. Para que os benefícios sejam efetivos, os projetos precisam de vínculo com políticas públicas sérias, recursos contínuos e profissionais qualificados. A principal limitação do estudo é ser exclusivamente bibliográfico, o que impediu a observação direta dos projetos. Recomenda-se que futuras pesquisas usem metodologias qualitativas e quantitativas para aprofundar a compreensão das experiências e dos efeitos de longo prazo desses projetos. |
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| Referências: BRASIL. Ministério do Esporte. Bolsa Atleta 2025 quebra recorde histórico com mais de 10 mil inscritos. Disponível em: https://www.gov.br/esporte/pt-br/noticias-e-conteudos/esporte/bolsa-atleta-2025-quebra-recorde-historico-com-mais-de-10-mil-inscritos. Acesso em: 12 maio 2025. FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996. KUNZ, Elenor. Transformação didático-pedagógica do esporte. Ijuí: Unijuí, 1994. PARLEBAS, Pierre. Jogos, esportes e sociedades: Léxico da praxiologia motriz. Trad. José L. Pires. Porto Alegre: Sulina, 2001. PAZIN, Nailze Pereira de Azevedo. Esporte para Todos (EPT): a reinvenção da alegria brasileira (1971-1985). Tese apresentada ao Programa de Pós- Graduação em História da Universidade Federal de Santa Catarina como requisito parcial para obtenção do grau de Doutora em História, dezembro de 2014 SALDANHA, Ricardo Pedrozo. Valores e atitudes de jovens praticantes de esportes em projetos sociais: um modelo teórico-explicativo. 2012. 153 f. Tese (Doutorado em Ciência do Movimento Humano) – Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Escola de Educação Física, Porto Alegre, 2012. THOMASSIN, Luís Eduardo Cunha. O “público-alvo” nos bastidores da política: um estudo sobre o cotidiano de crianças e adolescentes que participam de projetos sociais esportivos. 2012. Dissertação (Mestrado em Educação) – Faculdade de Educação, Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 2012. VOSER, Rogério, C. et al. Fatores motivacionais para a prática da iniciação ao Futsal. RBFF-Revista Brasileira de Futsal e Futebol, v. 8, n. 29, p. 175-180, 2016. VYGOTSKY, Lev S. A formação social da mente. São Paulo: Martins Fontes, 2007. |
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