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| HERNIORRAFIA UMBILICAL EM BEZERRO - RELATO DE CASO | |
| 1SOFIA DENIPOTI DE OLIVEIRA, 2LETÍCIA PINHEIRO RODRIGUES, 3ANNA LETICIA ROBLES GARCIA ALEXANDRE, 4SAMYA KAMAR PALAZZI, 5ANA BEATRIZ DA SILVA MARQUES, 6NATALIE BERTELIS MERLINI | |
| 1Discente do Curso de Medicina Veterinária da Universidade Estadual do Norte do Paraná - UENP 2Discente do Curso de Medicina Veterinária da Universidade Estadual do Norte do Paraná - UENP 3Discente do Curso de Medicina Veterinária da Universidade Estadual do Norte do Paraná - UENP 4Discente do Curso de Medicina Veterinária da Universidade Estadual do Norte do Paraná - UENP 5Docente Curso de Medicina Veterinária da Universidade Estadual do Norte do Paraná - UENP 6Docente Curso de Medicina Veterinária da Universidade Estadual do Norte do Paraná - UENP |
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| Introdução: Hérnia umbilical é a protusão de vísceras por uma descontinuidade da parede abdominal denominada anel herniário (Silva et al., 2003). Quando pequenas as hérnias umbilicais podem sofrer resolução espontânea, no entanto, hérnias grandes ou com estrangulamento de vísceras devem ser corrigidas através de intervenção cirúrgica (Prado, 2017). A escolha inadequada do tipo de sutura constitui um dos possíveis fatores para a ocorrência de complicações pós-operatórias (Silva et al., 2003). O objetivo deste trabalho é relatar a resolução cirúrgica de um caso de hérnia umbilical em bezerro. Relato do caso: Realizou-se o atendimento em uma clínica veterinária, localizada no município de Umuarama – PR de um bezerro da raça nelore, com 15 dias de vida, proprietário relatou que o bezerro apresentava um volume exacerbado na região abdominal, mais precisamente do umbigo. Durante a avaliação do animal foi realizado palpação da região umbilical, na qual pode-se constatar a presença de 3 estruturas que constituem uma hérnia, sendo elas: anel, conteúdo e saco herniário. Pode-se observar anel herniário de aproximadamente cinco centímetros de diâmetro o conteúdo herniado não apresentava aderência sendo possível reposicioná-lo em sua totalidade para a cavidade abdominal, confirmando o diagnóstico de hérnia umbilical. Foi indicado o tratamento cirúrgico, através do procedimento de herniorrafia, pela técnica aberta. O procedimento cirúrgico iniciou-se com incisão cutânea elíptica em torno da hérnia, abertura do saco herniário, reposicionamento do conteúdo para cavidade abdominal, excisão do saco herniário e do tecido cutâneo sobressalente, na sequência o anel herniário foi suturado com fio nylon 1 em ponto Sultan ou X, no subcutâneo usou fio nylon 0 com sutura padrão Cushing e na síntese da pele com fio nylon 0 com sutura padrão reverdin. No pós-operatório foi utilizado penicilina com estreptomicina imediatamente após a cirurgia e 48 horas após o procedimento, meloxicam 0,1 mg/kg por via subcutânea, a cada 24 horas, durante três dias, e dipirona 25mg/kg por via intramuscular, a cada 24 horas, durante três dias. Animal ficou internado durante três dias e foi liberado. Após 15 dias os pontos foram retirados e o animal recebeu alta. Discussão: As onfalopatias são enfermidades de umbigo que geralmente afetam bezerros nas duas primeiras semanas de vida, sendo a hérnia umbilical a onfalopatia não infecciosas de maior ocorrência em bovinos (Ferreira et al., 2022). Quando pequenas as hérnias umbilicais podem sofrer resolução espontânea, no entanto, hérnias maiores que quatro centímetros, raramente apresentam resolução espontânea e requerem intervenção cirúrgica para prevenir complicações como estrangulamento de vísceras (Prado, 2017; Silva et al, 2012). Além disso, quando não tratadas as hérnias umbilicais resultam em perda de peso, prejudicam o desenvolvimento do bezerro, predispõem a infecções sistêmicas e podem evoluir para aderência (Rodrigues, 2012). O tratamento e o prognóstico dependem do diagnóstico específico da extensão da hérnia e das estruturas envolvidas. Através da palpação, identificou-se a dimensão do anel, o conteúdo e o saco herniário, e verificou não haver aderência através da redução manual do saco herniário, como recomendado por Silva (2012), confirmando se tratar de uma hérnia umbilical redutível. O tratamento cirúrgico, denominado herniorrafia, pode ser executado pelas técnicas aberta ou fechada. Na execução da herniorrafia fechada o saco herniário íntegro é invertido dentro do abdômen e o anel herniário suturado. Já no método aberto o anel herniário é dissecado e o saco herniário removido (Hendrickson, 2025). No trabalho publicado por Sutradhar et al, (2023), constatou-se que a execução da herniorrafia aberta teve maiores complicações e pior recuperação em bezerros machos devido à proximidade do pênis ao umbigo, dificultando o uso de bandagens no pós-operatório. O que não foi um problema no presente relato, já que o animal teve uma recuperação rápida, sem o uso de bandagens. A técnica aberta se mostrou vantajosa nesse caso pela sua rápida evolução em comparação a fechada que foi considerada a de recuperação mais lenta pelos autores. Não foram encontrados relatos do uso da sutura em ponto Sultan ou X na síntese de herniorrafias em bovinos, mas Silva et al. (2003; 2012), compararam a eficácia dos padrões de sutura em jaquetão com o simples interrompido. Em ambos os estudos, constatou-se um menor número de recidivas e melhor recuperação com a utilização da sutura simples interrompida por proporcionar menor tensão e permitir maior expansão dos tecidos. Essa característica é relevante na herniorrafia devido à grande pressão exercida pelos órgãos sobre a sutura, o ponto sultan ou X utilizada nesse relato também oferece propriedades de alívio de tensão similares a sutura simples interrompida, porém com metade do tempo de execução (Hendrickson, 2010) representando uma vantagem para o procedimento cirúrgico sem comprometer a cicatrização ou predispor a recidivas. Conclusão: Estes resultados sugerem que o ponto Sultan ou X constitui uma alternativa válida e vantajosa para a correção cirúrgica de hérnias umbilicais em bezerros. |
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| Referências: FERREIRA, et al. L. D. Onfalopatias e suas consequências. In: MARQUES JÚNIOR, A. P. Cadernos Técnicos de Veterinária e Zootecnia. n. 102, maio, 2022. HENDRICKSON, Dean A. Técnicas cirúrgicas em grandes animais. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2010. PRADO, R.D. Hérnia umbilical em bovinos. 2017. 46f. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Medicina Veterinária) – UniRV – Universidade de Rio Verde, Rio Verde, 2017. SILVA, L. A. F. et al. Herniorrafia Umbilical em Bovinos – Análise de Técnicas e suas avaliações pós-operatórias. Arq. Ciên. Vet. zool. UNIPAR, Umuarama. v.6, n.2, p. 105-108, jul/dez, 2003. SILVA, L. A. F. et al. Tratamento de hérnia em bovinos. Rev. Ceres, Viçosa, v. 59, n.1, p. 39-47, jan/fev, 2012 SUTRADHAR, B.C., et al. Comparison between open and closed methods of herniorrhaphy in calves affected with umbilical hernia. Journal of veterinary science, v. 10, n. 4, p. 343-347, 2009. SUTRADHAR, B.C., et al. Semi-open Herniorrhaphy Reduces Postoperative Complications of Umbilical Hernia in Male Calves. European Journal ofVeterinary Medicine. v. 3, n. 1, p. 45, jan, 2023. |
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