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| DESENVOLVIMENTO ANATÔMICO REPRODUTIVO EM NOVILHAS DE CORTE: REVISÃO DE LITERATURA | |
| 1NATALIA ROCHA CAVALCANTI, 2CAROLINA GOMES ESQUARCINI, 3CAROLINA QUIRINO AMORIM, 4JOÃO ANTÔNIO LA VALLE DE ALMEIDA CROFFI, 5MARIA EDUARDA DO NASCIMENTO, 6SÉRGIO PINTER GARCIA FILHO | |
| 1Discente de Medicina Veterinária, Universidade Estadual de Maringá 2Discente de Medicina Veterinária, Universidade Estadual de Maringá 3Discente de Medicina Veterinária, Universidade Estadual de Maringá 4Discente de Medicina Veterinária, Universidade Estadual de Maringá 5Discente de Medicina Veterinária, Universidade Estadual de Maringá 6Docente da Universidade Estadual de Maringá |
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| Introdução: O Brasil tem se consolidado como um dos principais protagonistas no mercado internacional de carne bovina, registrando em julho de 2025 um recorde histórico de exportações, com crescimento de 15,6% em relação ao mês anterior (ABIEC, 2025). Nesse cenário, a bovinocultura de corte assume posição estratégica, especialmente no que se trata de processos reprodutivos, sendo que a eficiência reprodutiva é determinante para a viabilidade econômica da atividade, visto que impacta diretamente tanto o melhoramento genético quanto o incremento da produtividade. O uso de biotecnologias reprodutivas, como a inseminação artificial, permite o maior controle sobre a seleção de características desejáveis, promovendo avanços em qualidade genética e sustentabilidade da produção pecuária (COELHO; MORAIS, 2023). Segundo Paranhos da Costa (2013), para que a atividade de cria seja lucrativa, é essencial que as vacas apresentem intervalo de partos regular, idealmente produzindo um bezerro por ano. Entretanto, em sistemas extensivos, onde programas de melhoramento genético ainda são limitados, fêmeas zebuínas tendem a apresentar puberdade tardia, entre 22 e 36 meses, resultando em idade média ao primeiro parto próxima a quatro anos, comprometendo a eficiência produtiva do rebanho (SOUZA et al., 1995; SILVA et al., 2018). Objetivo: Realizar um levantamento bibliográfico cientifico sobre o desenvolvimento anatômico reprodutivo de novilhas de corte Desenvolvimento: Segundo Carneiro; Berto (2023), a redução da idade ao primeiro parto constitui uma das principais metas para otimizar a eficiência reprodutiva dos rebanhos de corte. Ao antecipar o início da vida reprodutiva das novilhas, aumenta-se o número de crias produzidas ao longo da vida útil das fêmeas, promovendo maior retorno econômico. Nesse contexto, estratégias de manejo integrando nutrição, genética e biotecnologias hormonais têm se mostrado fundamentais. A inseminação artificial em tempo fixo (IATF) é amplamente utilizada para induzir a ciclicidade e antecipar a puberdade, permitindo maior número de parições ao longo da vida produtiva do animal (CARNEIRO; BERTO, 2023). Protocolos de indução de ciclicidade, voltados para estimular a primeira onda folicular em novilhas em anestro puberal, têm se destacado ao viabilizar o uso precoce de inseminação artificial ou monta natural, acelerando a maturidade reprodutiva (HUNHOFF et al., 2021). O sistema reprodutivo feminino bovino é composto por órgãos especializados que desempenham funções reprodutivas e endócrinas. Os ovários, de formato oval e estrutura par, são responsáveis pela gametogênese e esteroidogênese, com dimensões médias de 3,5 × 2,5 cm e peso entre 15 e 20 g em vacas adultas, os ovidutos, divididos em infundíbulo, ampola e istmo, garantem o transporte de gametas e zigoto. O útero, sustentado pelo ligamento largo, apresenta cornos com comprimento médio entre 35 e 40 cm e desempenha funções essenciais na capacitação espermática, suporte embrionário inicial e nutrição fetal. A vagina, com 25 a 30 cm em vacas não gestantes, atua como órgão copulador e canal de parto. Externamente, a vulva, composta por lábios, clitóris e glândulas do vestíbulo, exerce funções de proteção e excitação sexual, sendo o clitóris uma estrutura homóloga ao pênis, medindo de 10 a 12 mm (MELO-STERZA et al., 2021). Em novilhas, estudos morfométricos demonstraram que os cornos uterinos variam entre 11,1 e 18,5 cm, com médias de 14,6 cm (direito) e 14,8 cm (esquerdo), enquanto as tubas uterinas apresentaram variação de 10,5 a 20,7 cm, com médias de 15,4 cm e 15,2 cm, respectivamente (MONTEIRO, 2001). Comparações entre vacas e novilhas da raça Nelore indicaram diferenças significativas (p<0,05) no comprimento e na largura dos ovários, sendo maiores em vacas (3,15 × 2,30 cm) do que em novilhas (2,82 × 2,08 cm). Também se observaram diferenças laterais, com valores superiores nos ovários direitos em relação aos esquerdos. Quanto à altura, não houve diferenças entre categorias etárias, embora o lado direito tenha apresentado valores superiores (1,74 cm versus 1,52 cm). O peso dos ovários foi maior em vacas (6,77 g) quando comparadas às novilhas (5,07 g), com predominância novamente no lado direito (MONTEIRO et al., 2008). Conclusão: A literatura evidencia que a eficiência reprodutiva em bovinos de corte depende diretamente da antecipação da puberdade e da redução da idade ao primeiro parto. O uso de biotecnologias reprodutivas, aliado a estratégias nutricionais e genéticas, configura-se como ferramenta essencial para otimizar o desempenho produtivo em sistemas extensivos. Do ponto de vista anatômico, as diferenças morfométricas entre vacas e novilhas, bem como entre os lados direito e esquerdo dos ovários, sugerem adaptações funcionais relevantes para a fisiologia reprodutiva. Assim, integrar o conhecimento anatômico com práticas de manejo e protocolos reprodutivos inovadores representa um caminho promissor para aumentar a produtividade e a sustentabilidade da pecuária de corte no Brasil. |
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| Referências: ABIEC – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DAS INDÚSTRIAS EXPORTADORAS DE CARNES. Com 313,6 mil toneladas em julho, Brasil registra maior exportação mensal de carne bovina da história e avança 14,1% no ano. 2025. CARNEIRO, F. A.; BERTO, D. A. Eficiência reprodutiva em bovinos de corte: perspectivas e aplicações biotecnológicas. Revista Brasileira de Reprodução Animal, Belo Horizonte, v. 47, n. 1, p. 45-56, 2023. COELHO, A. S.; MORAIS, L. A. Estratégias reprodutivas na bovinocultura de corte: avanços e desafios. Revista Acadêmica de Medicina Veterinária, Goiânia, v. 41, n. 2, p. 12-20, 2023. COSTA, M. J. R. P.; SCHMIDEK, A.; TOLEDO, L. R. Eficiência reprodutiva em sistemas de cria: limites e desafios. Revista Brasileira de Reprodução Animal, Belo Horizonte, v. 37, n. 2, p. 121-129, 2013. HUNHOFF, A. P. et al. Strategies to induce cyclicity in prepubertal beef heifers: impacts on puberty onset and reproductive efficiency. Theriogenology, New York, v. 173, p. 125-134, 2021. MELO-STERZA, F. A. et al. Anatomia e fisiologia do sistema reprodutor feminino bovino: aspectos aplicados à reprodução. Arquivos de Ciências Veterinárias e Zoologia da UNIPAR, Umuarama, v. 24, n. 1, p. 33-45, 2021. MONTEIRO, F. M. et al. Características morfométricas do útero e tubas uterinas em novilhas da raça Nelore. Revista Brasileira de Zootecnia, Viçosa, v. 30, n. 6, p. 1873-1879, 2001. MONTEIRO, F. M. et al. Morfometria e peso dos ovários de vacas e novilhas Nelore: implicações reprodutivas. Revista Brasileira de Reprodução Animal, Belo Horizonte, v. 32, n. 4, p. 489-496, 2008. SILVA, M. R. et al. Puberdade e idade ao primeiro parto em fêmeas zebuínas: fatores determinantes e impactos produtivos. Revista Brasileira de Reprodução Animal, Belo Horizonte, v. 42, n. 1, p. 15-23, 2018. SOUZA, E. M. et al. Influências genéticas e de meio ambiente sobre a idade ao primeiro parto em rebanhos de Gir leiteiro. Revista da Sociedade Brasileira de Zootecnia, Viçosa, v. 24, n. 6, p. 926-935, 1995. |
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