ACHADOS HEMATOLÓGICOS EM CADELAS COM NEOPLASIA MAMÁRIA  
1BRENDA ALVES DA SILVA, 2ÍTALO MORELLI MIACRI SOUZA, 3SARAH FERRAZ SIMOES MARTINEZ, 4STHEFANY PRISCILA DA CUNHA, 5GABRIELY AMARO DE OLIVEIRA BORGES, 6ÁGATHA FERREIRA XAVIER DE OLIVEIRA
1Discente de Medicina Veterinária da Universidade Estadual de Maringá (UEM)
2Mestrando do Programa em Produção Sustentável e Saúde Animal da Universidade Estadual de Maringá (UEM)
3Discente de Medicina Veterinária da Universidade Estadual de Maringá (UEM)
4Residente do Programa de Residência Médico Veterinária da Universidade Estadual de Maringá (UEM)
5Residente do Programa de Residência Médico Veterinária da Universidade Estadual de Maringá (UEM)
6Docente do Departamento de Medicina Veterinária da Universidade Estadual de Maringá (UEM)
Introdução: As neoplasias mamárias estão entre as doenças mais frequentes em cães na rotina clínica de pequenos animais. Entre as neoplasias identificadas em cadelas, as mamárias destacam-se como as de maior prevalência, correspondendo cerca de 50% a 70% dos casos (CAIXETA et al., 2022). Um ponto de vista importante nas neoplasias malignas é a maior possibilidade de metástase, o que implica em um pior prognóstico (SANTOS et al., 2024). Além disso, a ausência de castração é considerada um dos principais fatores de risco para o surgimento dessas afecções (CAIXETA et al., 2022). Em cadelas com diferentes tipos de neoplasias, podem ser observadas variadas manifestações clínicas e laboratoriais, sendo mais frequentemente relatadas a anemia, a leucocitose por neutrofilia, as trombocitopenias e as coagulopatias. Além disso, sabe-se que em animais com neoplasias malignas, as alterações hematológicas podem resultar de síndromes paraneoplásicas ou da ação direta do tumor sobre os órgãos afetados (CAIXETA et al., 2022). 
Objetivo: Analisar os achados hematológicos de cadelas diagnosticadas com neoplasia mamária no Hospital Veterinário da Universidade Estadual de Maringá (HV-UEM), estabelecendo correlações entre as alterações laboratoriais observadas e a ocorrência da enfermidade. 
Material e métodos: Foram avaliados 37 hemogramas de cadelas diagnosticadas com neoplasia mamária no HV-UEM entre os anos de 2024-2025. Todos os dados obtidos pela pesquisa foram arquivados em planilhas no programa Excel, e avaliados por estatística descritiva. 
Resultados: Dos 37 animais avaliados no HV-UEM, 27% apresentaram anemia e 21,82% apresentaram leucocitose, visto que em 18,91% a leucocitose se deu por neutrofilia. Em 10,8% dos pacientes constatou-se linfopenia, enquanto 18,91% apresentaram trombocitopenia e em 8% observou-se trombocitose. 
Discussão: Segundo estudos de Oliveira e Pandolfi (2020), a anemia normocítica normocrômica foi a segunda maior alteração no exame de cadelas com carcinoma mamário, o que está de acordo com os resultados obtidos no presente estudo, visto que 27% apresentaram anemia. A avaliação do número de leucócitos é fundamental em animais com neoplasias. Lesões neoplásicas que se apresentam ulceradas e necrosadas são frequentemente observadas e geram uma resposta inflamatória que impacta os parâmetros leucocitários (PAGANINI, 2018). A leucocitose por neutrofilia representa uma importante alteração em pacientes oncológicos, associada frequentemente a um prognóstico desfavorável da doença. Diante dos nossos resultados, 21,82% das cadelas apresentaram leucocitose, sendo a neutrofilia responsável por 18,91% dos casos. Esse achado pode ser justificado pela resposta inflamatória produzida decorrente do tumor, a qual promove liberação de supressores da medula óssea que reduzem a meia-vida dos leucócitos, ativando o ciclo de consumo celular, produção e liberação dessas células (VILELA et al., 2024). As primeiras células de defesa do organismo são os neutrófilos, seu aumento pode ser decorrente da presença ou ausência de microrganismos, como observado na síndrome da resposta inflamatória (SIRS). Quanto a avaliação do número de linfócitos, comumente cadelas com neoplasia mamária apresentam linfopenia (VILELA et al., 2024), compatível com o que foi constatado neste estudo. Segundo Karayannopoulou et al. (2017), a linfopenia pode ocorrer pela liberação de substâncias imunossupressoras produzidas pelas células tumorais, como interleucinas e o fator transformador de crescimento. A contagem plaquetária é utilizada na avaliação da hemostasia primária e pode apresentar oscilações durante a evolução do câncer, manifestando-se como trombocitopenia ou trombocitose (VILELA et al., 2024). A presença de trombocitopenia em carcinoma mamário é consistente com pesquisas anteriores, o que corrobora com nossos achados, já que 18,91% dos animais apresentaram essa alteração. Este achado pode ser um indicativo de resposta inflamatória intensificada associada à resposta da medula óssea frente a um processo neoplásico (SRUTHI et al, 2023). 
Conclusão: Diante dos dados avaliados, as alterações laboratoriais mais frequentes em cadelas com carcinoma mamário foram associados à uma síndrome inflamatória sistêmica marcada por leucocitose por neutrofilia, linfopenia e trombocitopenia. A presença desses achados demonstra que os exames hematológicos são essenciais para o estadiamento da doença, fornecendo informações valiosas sobre o prognóstico e a evolução da enfermidade.  
Referências:
CAIXETA, M, L, D; SOUZA, M, A; WANDERLEY, B, A. Alterações no hemograma de cadelas diagnosticadas com neoplasias mamárias atendidas no Centro Clínico Veterinário do UNIPAM. Res., Soc. Dev., Vargem Grande Paulista, v.11, n.1, e39311125064, 09 jan. 2022. DOI: 10.33448/rsd-v11i1.25064. 
KARAYANNOPOULOU, M.; ANAGNOSTOU, T.; MARGARITI, A.; KOSTAKIS, C.; KRITSEPI-KONSTANTINOU, M.; PSALLA, D.; SAVVAS, I. Evaluation of blood T-lymphocyte subpopulations involved in host cellular immunity in dogs with mammary cancer. Vet. Immunol. Immunopathol.Amsterdam, v.186, p. 45-50, maio 2017. DOI: 10.1016/j.vetimm.2017.02.004. 
OLIVEIRA, G.; PANDOLFI, I. A. Estudo retrospectivo dos exames histopatológicos realizados em cadelas com tumores mamários em hospital veterinário. Pubvet, v.14, n.08, 2020. DOI: 10.31533 
PAGANINI, A. P. Avaliação e correlação dos níveis séricos de proteína C reativa e CA 15-3 em cadelas portadoras de neoplasia mamária. 2018. 89 f. Dissertação (Mestrado em Ciência Animal) – Universidade Estadual de Londrina, Londrina, 2018. 
SANTOS, D. M. S.; SOUZA, H. D. M.; APTEKMANN, K. P.; BARIONI, G.; OLIVEIRA, L. L. Neoplasia mamária em cadelas: revisão. Pubvet, v.16, n.12, p. 1–14, dez. 2022. DOI: 10.31533/pubvet.v16n12a1287.1-14. 
SRUTHI, S.; PRASANNA, K. S.; GEORGE, A. J.; SAJITHA, I. S.; SUDHEESH, S. N.; VARUNA, P. P. Hematological paraneoplastic syndromes in canine mammary gland carcinoma: insights from a study on diagnostic value. JIVA, v.21, n.3, p. 61-65, 2023. DOI: 10.55296/jiva/21.3.2023.61-65.  
VILELA, B. B.; RAMOS, R. M. de C.; MULINI, L. I. S. S.; ALMEIDA, N. Z.; APTEKMANN, K. P.; DE OLIVEIRA, L. L.; DE OLIVEIRA, R. E.; BARIONI, G. Alterações hematológicas e hemostáticas em cadelas com neoplasia mamária: revisão de literatura. Braz. J. Dev., v.10, n. 2, e67618, 27 fev. 2024. DOI: 10.34117/bjdv10n2-068.