PERFIL CLÍNICO E SOCIODEMOGRÁFICO DE PESSOAS VIVENDO COM HIV/AIDS E COM SOROPOSITIVIDADE PARA VDRL  
1AMANDA ISABELLI PICOLOTTO, 2ANA GABRIELA MORENO, 3LUAN CLAUDIO BARCELLA, 4AMANDA CRISTINA SCHOEFFEL, 5FABIANE LUCILA MEOTTI, 6VOLMIR PITT BENEDETTI
1Academico do PIC/UNIPAR
2Acadêmico do Curso de Farmácia da UNIPAR
3Acadêmico do Curso de Farmácia da UNIPAR
4Docente da UNIPAR
5Docente da UNIPAR
6Docente da UNIPAR
Introdução: A coinfecção pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV) e pela sífilis, diagnosticada por meio do teste VDRL (Venereal Disease Research Laboratory), representa um importante desafio de saúde pública. A presença simultânea dessas infecções pode modificar o curso clínico das doenças, dificultar o diagnóstico e interferir na resposta terapêutica. Além disso, é de conhecimento notório na literatura que pacientes vivendo com HIV/AIDS apresentam maior risco de evolução para formas graves da sífilis e de complicações neurológicas. Assim como pacientes com sífilis podem apresentar lesões, que podem servir como porta de entrada para infecções como o HIV. Diante desse cenário, é fundamental compreender o perfil clínico, epidemiológico e laboratorial desses pacientes, a fim de gerar estratégias de manejo mais eficazes (Alencar et al., 2023).
Objetivo: Analisar a soropositividade de VDRL em pacientes vivendo com HIV/AIDS no sudoeste do Paraná.
Materiais e métodos: O estudo foi desenvolvido no SAE/CTA Serviços de Assistência Especializada/Centros de Testagem e Aconselhamento) de Francisco Beltrão/PR, onde acompanhou-se 161 pacientes com HIV/AIDS. Nesta pesquisa foram coletados dados epidemiológicos, condições socioeconômicas, comportamentais, clínicas e laboratoriais do prontuário dos pacientes. As informações foram colhidas no período de 2020 a 2024. Este trabalho foi aprovado pelo Conselho de Ética em Pesquisa com Seres Humanos, estando sob registro de protocolo 3667278.
Resultados: Dos 161 pacientes vivendo com HIV/AIDS que foram analisados, 7% apresentaram sorologia positiva para sífilis (VDRL reagente). Entre os pacientes com VDRL-reagente observou-se predominância do sexo masculino (92%), a idade média entre os analisados é de 39 anos (22–57 anos). Em relação à cor/raça, a maioria se declarou branca (66%), seguida por pardos e negros. Quanto ao nível de escolaridade, prevaleceu o ensino médio (42%), enquanto a renda predominante concentrou-se em até 1 salário mínimo (58%). O estado civil mais frequente foi o de solteiro (58,3%).
Discussão: Neste estudo, observou-se prevalência da soropositividade do VDRL em pessoas do sexo masculino, o que corresponde com outros estudos realizados previamente em diferentes regiões do país, indicando uma vulnerabilidade maior de coinfecção nos homens.(Luppi et al., 2018; Alencar et al., 2023). Além disso, a média de idade de aproximadamente 39 anos é compatível com outros estudos que apontam maior risco de exposição a infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) em adultos jovens .(Luppi et al., 2018). Neste trabalho a maior parte dos sororeagente para VDRL apresentam baixa renda e escolaridade até o ensino médio, características que podem ser associadas a vulnerabilidade social e menor acesso a informação, prevenção e tratamento (Luppi et al., 2018). O fato da prevalência de pessoas solteiras pode indicar comportamento sexual de risco, agravante também descrito em outras pesquisas relacionadas a ISTS (Luppi et al., 2018). A coinfecção HIV / Sífilis representa um importante desafio pois pode acelerar o agravamento do HIV e representa maior risco de desenvolvimento da neurosifilis. É de extrema importância que pacientes com HIV realizem testes periódicos de VDRL e que recebam orientação e tratamento adequado, assim como estratégias para melhor adesão ao tratamento, sendo essencial um diagnóstico precoce para assim evitar o agravo das doenças
Conclusão: Entre as limitações do estudo, destaca-se o número reduzido de casos de soropositividade para VDRL, o que pode restringir a generalização dos achados, comparado a outros estudos. Contudo, os dados apresentados reforçam a importância de conhecer o perfil regional dos pacientes, contribuindo para a formulação de estratégias de prevenção e manejo adequadas à realidade de cada local.
Referências:
ALENCAR, Arthur Alves Rodrigues et al. Sífilis em pessoas vivendo com HIV acompanhados em hospital de referência no Brasil entre 2015 e 2020. Revista de Medicina, v. 102, n. 3, 2023.
LUPPI, Carla Gianna et al. Fatores associados à coinfecção por HIV em casos de sífilis adquirida notificados em um Centro de Referência de Doenças Sexualmente Transmissíveis e Aids no município de São Paulo, 2014. Epidemiologia e Serviços de saúde, v. 27, p. e20171678, 2018.