O PAPEL DA PSICOLOGIA NA HUMANIZAÇÃO DA ASSISTÊNCIA HOSPITALAR  
1AMANDA RODRIGUES DA SILVA, 2DAIANY LARA MASSIAS LOPES SGRINHOLI
1Acadêmica do curso de Psicologia da UNIPAR
2Docente da UNIPAR
Introdução: Atualmente, muitas instituições já reconhecem a importância de implementar diretrizes e projetos de humanização voltados tanto para os profissionais quanto para os pacientes, especialmente no contexto hospitalar. A humanização hospitalar evidencia a necessidade da atuação do psicólogo junto aos pacientes internados, uma vez que sua intervenção se mostra fundamental durante o processo de tratamento e recuperação. Isso porque a vivência da doença pode desencadear reações psicológicas significativas como: ansiedade, medo, insegurança e depressão, que demandam o acompanhamento especializado desse profissional (Mota; Martins; Véras, 2006). A pesquisa delimita-se na análise teórica de práticas psicológicas que favorecem o acolhimento, a escuta ativa e o cuidado integral a pacientes e familiares, fundamentando-se nos princípios da Política Nacional de Humanização (PNH). Instituída pelo Ministério da Saúde em 2003, a PNH busca fortalecer o vínculo entre profissionais, usuários e gestores, promovendo o protagonismo dos sujeitos e a corresponsabilização no cuidado (Brasil, 2004). 
Objetivo: Analisar por meio de pesquisa bibliográfica, as contribuições da Psicologia para a humanização da assistência hospitalar; identificar os principais fundamentos teóricos que embasam a humanização no campo da saúde e compreender as intervenções psicológicas voltadas ao acolhimento e suporte emocional em contextos hospitalares.
Desenvolvimento: O processo de humanização consiste no resgate da dignidade e no respeito aos direitos dos pacientes (Carvalho, 2008), considerando dimensões físicas, subjetivas e sociais no atendimento em saúde (Brasil, 2001). Nesse contexto, a psicologia passou a integrar o ambiente hospitalar, contribuindo para as relações interpessoais e para a integração entre paciente, família e equipe, favorecendo a recuperação do paciente. O objetivo central dessa prática é minimizar o sofrimento decorrente da hospitalização, que pode gerar angústia, medo, insegurança e depressão, exigindo acolhimento e técnicas específicas do psicólogo. Esse alívio ocorre por meio da escuta, no qual o paciente pode falar sobre si, sua doença e seus medos, mesmo em ambientes informais como leitos e corredores, sem um setting terapêutico fixo (Camon, 2004; Melo, 2007). Diante das condições hospitalares, os atendimentos podem acontecer em meio a rotinas médicas, nos mais diversos espaços, o que exige flexibilidade do profissional. Mais do que focar na doença, o psicólogo deve priorizar o indivíduo e suas relações, compreendendo a dimensão biopsicossocial do sofrimento (Carvalho, 2008). A escuta qualificada possibilita o acesso à subjetividade do indivíduo e pode ser compreendida como a capacidade de estar atento ao que é comunicado por meio de palavras, gestos, ações e emoções. Nesse sentido, configura-se como uma ferramenta essencial para que as diretrizes da Política Nacional de Humanização (PNH) orientem a produção e a gestão do cuidado nos diferentes níveis de atenção à saúde. Ao aprofundar o diálogo, torna-se possível atender o usuário de forma integral, estabelecer vínculos terapêuticos, valorizar a diversidade e a singularidade nas relações de cuidado, além de buscar o equilíbrio entre danos e benefícios das práticas sanitárias. Esse processo reforça a corresponsabilização e o protagonismo do sujeito envolvido (Maynart et al., 2014; Raimundo; Cadete, 2012). Por fim, a assistência psicológica deve também incluir a família e a equipe de saúde, que enfrentam dificuldades tanto no processo de reabilitação quanto diante da morte (Pinheiro, 2005).
Conclusão: A análise bibliográfica permitiu compreender que a Psicologia tem papel fundamental na efetivação da humanização da assistência hospitalar, ao promover acolhimento, escuta qualificada e suporte emocional em contextos de adoecimento. As intervenções psicológicas possibilitam resgatar a dignidade e valorizar a subjetividade dos pacientes, favorecendo a construção de vínculos terapêuticos e a integração entre paciente, família e equipe de saúde. Além disso, ao articular-se aos princípios da Política Nacional de Humanização, a prática psicológica contribui para uma atenção integral, pautada no respeito, na corresponsabilização e no protagonismo dos sujeitos envolvidos. Assim, a Psicologia se reafirma como eixo essencial na produção de cuidados que visam não apenas à recuperação física, mas também ao bem-estar emocional e social dos indivíduos.
Referências:
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Assistência à Saúde. Programa Nacional de Humanização da Assistência Hospitalar. Brasília: Ministério da Saúde, 2001. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/publicacoes/pnhah01. Acesso em: 15 ago. 2025.
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria Executiva. Núcleo Técnico da Política Nacional de Humanização. HumanizaSUS: Política Nacional de Humanização. Brasília: Ministério da Saúde, 2003. Disponível em: https://www.gov.br/.../Ações-e-Programas. Acesso em: 15 ago. 2025
CAMON, V.A. (2004). Tendências em psicologia hospitalar. São Paulo: Thomson.
CARVALHO, K. B. A atuação do psicólogo no suporte ao paciente, família e equipe multiprofissional no processo da humanização hospitalar. Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde, v. 4, p. 14-22, 2008. 
MAYNART, Willams Henrique da Costa et al. A escuta qualificada eo acolhimento na atenção psicossocial. Acta Paulista de Enfermagem, v. 27, n. 4, p. 300-304, 2014. Disponível em:
https://www.scielo.br/j/ape/a/GbQ3nnHqHpPTSzm8JX4Jdqf/abstract/?lang=pt. Acesso em: 20 ago 2025.
MELO, A. P. S. A. A tarefa do psicólogo na instituição hospitalar. Psicópio: Revista Virtual de Psicologia Hospitalar e da Saúde, v. 3, 2007.
MOTA, Roberta Araújo; MARTINS, Cileide Guedes de Melo; VÉRAS, Renata Meira. Papel dos profissionais de saúde na política de humanização hospitalar. Psicologia em estudo, v. 11, p. Disponível em: https://www.scielo.br/j/pe/a/RvZzMgdxZngYscGQsGNWHvF/abstract/?lang=pt. Acesso em: 25 ago 2025.
RAIMUNDO, Jader Sebastião; CADETE, Matilde Meire Miranda. Escuta qualificada e gestão social entre os profissionais de saúde. Acta paulista de enfermagem, v. 25, p. 61-67, 2012. Disponível em: https://www.scielo.br/j/ape/a/YPLV5KpkxXzdXg5pVTDQ8Pr/?lang=pt. Acesso em: 20 ago 2025.