FISIOPATOLOGIA DA RETINOPATIA DIABÉTICA  
1LETICIA DE ALMEIDA, 2CHIARA NEGRÃO ALBUQUERQUE SANTOS, 3MATHEUS TARDELLI SANGLARD, 4CAROL CHRISTOFOLE DE SOUZA, 5AUGUSTO LEGNANI NETO
1Acadêmica do curso de Medicina da Unipar
2Acadêmica do Curso de Medicina da UNIPAR
3Acadêmico do Curso de Medicina da UNIPAR
4Acadêmica do Curso de Medicina da UNIPAR
5Docente da UNIPAR
Introdução: A Retinopatia Diabética (RD) está entre as principais causas de perda de visão em pessoas entre 20 e 75 anos. Trata-se de uma complicação microvascular na retina que afeta cerca de 1 em cada 3 pessoas com diabetes mellitus (DM) e que é específica desta doença. A incidência de RD no Brasil varia entre 24 a 39% na população diabética. Após 20 anos de evolução da doença, estima-se que 90% dos diabéticos do tipo 1 (DM1) e 60% dos do tipo 2 (DM2) terão algum grau de RD. Estudos internacionais indicam que o risco de cegueira pode ser reduzido para menos de 5%, se a RD for diagnosticada e tratada precocemente (BRASIL, 2021).
Objetivo: Elucidar a fisiopatologia da retinopatia diabética, uma das maiores complicações oculares do diabetes mellitus, enfatizando seu diagnóstico, tratamento e métodos de prevenção.
Desenvolvimento: Segundo Franco et al. (2022) a Retinopatia Diabética (RD) é uma das principais causas de morbidade em pacientes portadores de Diabetes Mellitus, na qual é responsável por perda visual em pacientes entre 25 e 74 anos de idade. Conforme Rodrigues (2025) a RD é uma complicação microvascular progressiva da diabetes que afeta os vasos sanguíneos da retina, por conta da hiperglicemia crônica, levando à perda funcional e estrutural. Inicialmente haverá a manifestação como RD não proliferativa caracterizada por microaneurismas, hemorragias e edema macular devido alteração de perfusão tecidual. Após isso, evolui para RD proliferativa identificada por neovasos anormais que predispõe a hemorragia vítrea e descolamento de retina (RODRIGUES, 2025). Clinicamente essas fases podem ser observadas, a primeira é conhecida como retinopatia de fundo, seguida por identificação das áreas de infarto retiniano e exsudato algodonoso caracterizando a fase pré-proliferativa, ademais haverá a fase proliferativa cujos sintomas da neovascularização levarão à cegueira (CORRÊA; EAGLE JR, 2005) . O diagnóstico da RD pode ser realizado por meio da oftalmoscopia binocular indireta, biomicroscopia de fundo e retinografia. Entretanto, podem ser realizados alguns exames complementares como a ultrassonografia ocular, tomografia de coerência óptica, angiofluoresceinografia e mapeamento de retina com pupila dilatada totalizando assim um diagnóstico preciso (BRASIL, 2021). Segundo Morya Ak et al. (2024) o manejo da RD requer uma abordagem combinada, que inclui tanto o controle rigoroso do diabetes quanto o tratamento direto das alterações na retina. De forma geral, utiliza-se o controle da glicemia, da pressão arterial e dos níveis de lipídios como medidas para retardar a progressão da doença. Nos estágios mais avançados, podem ser necessários procedimentos específicos, como a fotocoagulação a laser, a aplicação intravítrea de medicamentos anti-VEGF ou de corticosteróides, especialmente voltados para o tratamento do edema macular e da forma proliferativa da RD. “Embora a fotocoagulação a laser tenha sido considerada o tratamento padrão-ouro para DME por muitos anos, porém os inibidores do fator de crescimento endotelial vascular (anti-VEGF) e os corticosteróides intravítreos são atualmente considerados as opções de tratamento de primeira linha para DME” (Ruiz-Medrano et al., 2021). A prevenção e o rastreio são de grande relevância para evitar a diabetes e sua evolução para a RD, podendo ser efetuada através de exames; hemoglobina glicada; pressão sistólica abaixo de 130 mmhg; proteinuria < 30 mg/dL/ 24h; perfil lipídico dentro do recomendado para diabéticos; exame oftalmológico de rastreio em pacientes com DM1 em até 5 anos após instalação da DM, devendo ser realizado anualmente (BRASIL, 2021).
Conclusão: A RD se caracteriza como uma das mais relevantes consequências do DM, sendo responsável por grande parte de cegueira evitável. Sua fisiopatologia relaciona-se diretamente com a hiperglicemia crônica que desencadeia alterações vasculares na retina.
Referências:
BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria Conjunta SAES/SCTI/MS n° 17 de 01 de outubro de 2021.
CORRÊA, Zélia Maria da Silva; EAGLE JR, Ralph. Aspectos patológicos da retinopatia diabética. Arquivos brasileiros de oftalmologia, v. 68, p. 410-414, 2005.
FRANCO, E. M. et al. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA: RETINOPATIA DIABÉTICA. Brazilian Journal of Development, v. 8, n. 5, p. 35257-35264, 2022.
MORYA, Arvind Kumar et al. Diabetic retinopathy: A review on its pathophysiology and novel treatment modalities. World Journal of Methodology, v. 14, n. 4, p. 95881, 2024.
RODRIGUES, Maria Clara Sales. DA HIPERGLICEMIA À DEGENERAÇÃO: MECANISMOS E IMPACTOS FISIOPATOLÓGICOS NA RETINOPATIA DIABÉTICA. 2025. Tese de Doutorado. Universidade Federal do Piauí.
RUIZ-MEDRANO, Jorge et al. Results of dexamethasone intravitreal implant (Ozurdex) in diabetic macular edema patients: early versus late switch. European Journal of Ophthalmology, v. 31, n. 3, p. 1135-1145, 2021.