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| SÍNDROME DE RAMSAY HUNT VERSUS PARALISIA DE BELL: REVISÃO SISTEMÁTICA DOS PRINCIPAIS DESAFIOS DIAGNÓSTICOS E TERAPÊUTICOS | |
| 1SOPHYA SOUZA TOSCANO, 2ISADHORA CORREA PEREIRA, 3RAFAELA GUIMARÃES DE OLIVEIRA, 4RAFAELLA SILVA DIAS DE LIMA, 5ANA LUISA BATISTA DA SILVA, 6KENNY TSUYOSHI SAKANE | |
| 1Acadêmico PIC/UNIPAR 2Acadêmica do Curso de Medicina da UNIPAR 3Acadêmica do Curso de Medicina da UNIPAR 4Acadêmica do Curso de Medicina da UNIPAR 5Acadêmica do Curso de Medicina da UNIPAR 6Docente da UNIPAR |
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| Introdução: A paralisia facial periférica apresenta múltiplas etiologias, entre as quais a Paralisia de Bell (PB) e a Síndrome de Ramsay Hunt (SRH) se destacam pela relevância clínica e pelos desafios diagnósticos. A SRH resulta da reativação do vírus varicela-zóster no gânglio geniculado, manifestando-se tipicamente por paralisia facial periférica associada a otalgia e lesões vesiculares auriculares, embora a tríade clássica nem sempre esteja presente (YU et al., 2025). Já a PB corresponde à forma mais comum de paralisia facial periférica, de causa considerada idiopática e geralmente estabelecida como diagnóstico de exclusão, caracterizando-se por instalação súbita de fraqueza facial unilateral (GARDNER et al., 2025). Apesar de distintas em origem e prognóstico, ambas podem apresentar manifestações clínicas semelhantes no início do quadro, o que torna a diferenciação precoce um desafio para a prática médica (YU et al., 2025). Objetivos: Analisar comparativamente a Paralisia de Bell e a Síndrome de Ramsay Hunt, destacando os desafios diagnósticos envolvidos na diferenciação clínica precoce e discutir as principais implicações terapêuticas para o prognóstico. Desenvolvimento: A paralisia facial periférica (PFP), paralisia de totalidade de um dos lados da face, é ocasionada pelo mau funcionamento do nervo facial, constituindo a lesão periférica mais comum dos nervos cranianos, a paralisia de Bell (LIMA et al., 2020). A PFP geralmente apresenta causas desconhecidas, em aproximadamente 70% dos casos. Entre os possíveis causadores incluem: Diabetes mellitus, traumatismo cranioencefálico, tumores, sequelas cirúrgicas e infecções virais, principalmente: o vírus do herpes simples (BELÉM et al., 2021). A sintomatologia desta condição geralmente são repentinos e incluem: Alteração da mímica facial, sialorréia, diminuição do paladar, incapacidade de fechar o olho e sorriso assimétrico (SHOKRI et al., 2020). Além da paralisia de Bell, a Síndrome de Ramsay Hunt representa aproximadamente 7% dos casos de paralisia facial periférica aguda, sendo causada pela reativação do vírus varicela-zoster no gânglio geniculado (CROUCH et al., 2023). Os sinais clássicos incluem paralisia facial unilateral associada à otalgia intensa e erupção vesicular no conduto auditivo externo ou pavilhão auricular (JEON et al., 2018). Contudo, em até 30% dos pacientes, as vesículas podem estar ausentes no início do quadro, dificultando o diagnóstico diferencial com a paralisia de Bell (CROUCH et al., 2023). Nesses casos, a ausência de lesões cutâneas exige maior atenção à história clínica e sintomas associados, como zumbido, vertigem e perda auditiva, para evitar atrasos terapêuticos que impactam negativamente o prognóstico funcional (JEON et al., 2018). Nesse contexto, para realizar um diagnóstico satisfatório da síndrome de Ramsay Hunt torna-se essencial uma avaliação clínica detalhada. Essa deve contemplar a história clínica do paciente e exame físico, local da lesão, etiologia e o grau da paralisia facial. A anamnese deve ser conduzida de uma forma detalhada e descritiva da evolução e dos sintomas associados (ALMEIDA et al., 2020). No que se refere ao tratamento inicial é objetivado a diminuição da replicação viral e inflamação, além de proporcionar alívio sintomático. Ademais a conduta terapêutica medicamentosa pode ser utilizado altas doses de esteróides e agentes virostaticos (VARGAS et al .,2023). Conclusão: A diferenciação entre Paralisia de Bell e Síndrome de Ramsay Hunt permanece um desafio clínico relevante, sobretudo na fase inicial, quando as manifestações podem se sobrepor e a ausência da tríade clássica da SRH dificulta o diagnóstico imediato. O reconhecimento precoce dos sinais de alerta, como otalgia intensa, sintomas auditivos e vestibulares, bem como a valorização de uma anamnese minuciosa, são fundamentais para orientar a conduta correta. Nesse cenário, a intervenção terapêutica rápida com antivirais e corticoides adquire papel central na melhoria do prognóstico funcional, reduzindo o risco de sequelas permanentes. Assim, ao mesmo tempo em que a Paralisia de Bell segue como a causa mais comum e de evolução geralmente favorável, a Síndrome de Ramsay Hunt exige maior vigilância clínica e diagnóstico preciso para evitar desfechos desfavoráveis. Diante disso, destaca- se a necessidade de diagnósticos precisos, bem como de condutas clínicas padronizadas, elementos essenciais para reduzir complicações e promover melhor qualidade de vida aos pacientes. |
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| Referências: ALMEIDA, Ursula Tatiane de Farias Hounsell et al. Síndrome de Ramsay Hunt: uma revisão sistemática. Revista Eletrônica Acervo Saúde, n. 55, p. e3899-e3899, 2020. BELÉM, L. M. de et al. Uso da laserterapia no tratamento de pacientes com paralisia de Bell: revisão crítica da literatura. Revista Portuguesa de Estomatologia Medicina Dentária e Cirurgia Maxilofacial, v. 62, n. 2, p. 81–86, 2021. CROUCH, C. F. et al. Ramsay Hunt syndrome: clinical features and diagnostic challenges. Journal of Neurological Disorders, v. 45, n. 2, p. 123–130, 2023. DE LIMA, Pâmela Natacha et al. Toxina botulínica como alternativa no tratamento da paralisia facial de Bell: revisão de literatura. Brazilian Journal of Development, v. 6, n. 12, p. 95667–95681, 2020. GARDNER, E. et al. Clinical overview of Bellʼs palsy: diagnostic and therapeutic updates. Journal of Neurological Sciences, v. 452, p. 118356, 2025. Disponível em: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC11835628/. Acesso em: 19 ago. 2025. JEON, Y. J.; LEE, S. H. Clinical outcomes of Ramsay Hunt syndrome: a retrospective study. Otology & Neurotology, v. 39, n. 4, p. 456–462, 2018. MURAKAMI, S.; HIGASHI, N.; YAMAMOTO, H. et al. Treatment of Ramsay Hunt syndrome with acyclovir-prednisone. PubMed, 1994. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/8122856/. Acesso em: 19 ago. 2025. SHOKRI, Tom et al. Trends in the Treatment of Bellʻs Palsy. Facial Plastic Surgery, v. 36, n. 5, p. 628–634, 2020. SWEENEY, C. J.; GILDEN, D. H. Ramsay Hunt syndrome. National Center for Biotechnology Information (NCBI), 2001. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC1117737/. Acesso em: 19 ago. 2025. VARGAS, Isabella Candida et al. Síndrome de Ramsay Hunt: uma abordagem diagnóstica, evolução clínica e revisão. Brazilian Journal of Health Review, v. 6, n. 5, p. 21447–21455, 2023. YU, J. et al. Ramsay Hunt syndrome presenting with atypical features: diagnostic challenges in emergency settings. International Journal of Emergency Medicine, v. 18, n. 12, 2025. |
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