UTILIZAÇÃO DE GRÃO INTEIRO NA DIETA DE BOVINOS CONFINADOS: REVISÃO DE LITERATURA  
1NATALIA ROCHA CAVALCANTI, 2CAROLINA GOMES ESQUARCINI, 3BRENDA PAULINA MAYER, 4LORRAYNE DE SOUZA ARAÚJO MARTINS MOTTA
1Discente de Medicina Veterinária, Universidade Estadual de Maringá
2Discente de Medicina Veterinária, Universidade Estadual de Maringá
3Discente de Medicina Veterinária, Universidade Estadual de Maringá
4Docente da Universidade Estadual de Maringá
Introdução: O setor pecuário bovino brasileiro tem se destacado no cenário mundial, alcançando em 2024 um recorde histórico no número de abates, totalizando 41,96 milhões de cabeças, o que representou incremento de 1,44% em relação ao ano anterior (ABIEC, 2024). Desse total, 59,3% dos animais foram processados em estabelecimentos sob o Serviço de Inspeção Federal (SIF), evidenciando a relevância da padronização e da segurança alimentar no processo produtivo. A intensificação da atividade é demonstrada pelo crescimento do sistema de confinamento, responsável por 16,6% do total de abates, indicando uma transição gradual para modelos de produção mais tecnificados e eficientes. Em comparação, os Estados Unidos, embora enfrentem retração no setor pecuário, mantêm expressivo contingente de animais terminados em confinamento, com 14,3 milhões de cabeças destinadas ao abate em 2025. Apesar de representar queda de 1% em relação ao ano anterior, esse número supera significativamente a realidade brasileira. Nesse contexto, observa-se que, embora o Brasil detenha o maior rebanho comercial do mundo, a participação do confinamento no volume total de abates ainda é relativamente modesta, correspondendo a cerca de 6,97 milhões de cabeças, o que aponta amplo potencial de expansão para sistemas mais intensivos de produção (CICARNE, 2025).
Objetivo: Avaliar a utilização de grãos inteiros na dieta de bovinos confinados como alternativa tecnológica para a redução dos custos de processamento, analisando simultaneamente os desafios e benefícios relacionados à sanidade animal, incluindo a prevenção de distúrbios metabólicos e a manutenção da integridade ruminal.
Desenvolvimento: A crescente pressão por maior eficiência produtiva e econômica no setor agropecuário, impulsionada pela competição no uso do solo com culturas agrícolas, tem induzido a adoção de estratégias de intensificação. Nesse cenário, o confinamento de bovinos desponta como solução estratégica para assegurar o fornecimento contínuo de carne aos mercados interno e externo, sobretudo durante a estação seca, quando a qualidade e a disponibilidade de pastagens são reduzidas (BARBIERI; CARVALHO; SABBAG, 2016). A utilização de dietas com elevado teor de grãos em confinamento visa maximizar o ganho de peso individual e reduzir a idade de abate, resultando em lotes mais uniformes. A ausência de volumosos simplifica o manejo e reduz custos de produção e armazenamento, tornando o sistema atrativo sob a perspectiva operacional. Contudo, sua viabilidade econômica está diretamente associada ao custo de aquisição do milho e à valorização da arroba no mercado, reforçando a necessidade de análises detalhadas para garantir competitividade (DIAS et al., 2016). Apesar do potencial, dietas de alto grão e sem volumosos expõem os animais a riscos metabólicos significativos, como acidose e timpanismo. Esses riscos exigem protocolos rigorosos de adaptação nutricional, além de controle minucioso da oferta de alimento e monitoramento contínuo do comportamento animal, consumo e consistência fecal fatores essenciais para a identificação precoce de disfunções que possam comprometer o desempenho produtivo e a saúde do rebanho (PAULINO et al., 2013). Estudos evidenciam que, quando implementadas de forma adequada e acompanhadas por manejo criterioso, as dietas de alto grão promovem ganhos expressivos no desempenho zootécnico. Araújo et al. (2021) descrevem ganhos médios diários de aproximadamente 1,2 kg, com indivíduos alcançando até 140 kg de ganho total, além de melhorias na qualidade de carcaça e carne, atributos altamente valorizados pelo mercado consumidor.
Conclusão: A utilização de grãos inteiros na dieta de bovinos confinados representa alternativa promissora para reduzir custos de processamento e otimizar a eficiência produtiva. Entretanto, o êxito dessa estratégia depende da adoção de protocolos nutricionais rigorosos e de um manejo adequado, capazes de equilibrar os benefícios zootécnicos e econômicos com os riscos metabólicos inerentes às dietas concentradas. Assim, a consolidação dessa prática no Brasil requer não apenas avanços técnicos, mas também alinhamento com as condições econômicas e estruturais do setor.
Referências:
ARAÚJO, T. G. P. et al. Desempenho de bovinos confinados recebendo a dieta do alto grão. Ciências Agrárias: o avanço da ciência no Brasil, [S. l.], v. 2, p. 438–449, 2021.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DAS INDÚSTRIAS EXPORTADORAS DE CARNES – ABIEC. Beef Report 2024: perfil da pecuária no Brasil. São Paulo: ABIEC, 22 ago. 2024. Disponível em: https://abiec.com.br/publicacoes/beef-report-2024-perfil-da-pecuaria-no-brasil/. Acesso em: 9 set. 2025.
BARBIERI, R. S.; CARVALHO, J. B.; SABBAG, O. J. Análise de viabilidade econômica de um confinamento de bovinos de corte. Interações, Campo Grande, v. 17, n. 3, 2016. Disponível em: https://interacoesucdb.emnuvens.com.br/interacoes/article/view/59. Acesso em: 9 set. 2025.
CICARNE. Anuário CICARNE: cadeia produtiva da carne bovina 2025. Brasília: CICARNE, 2025.
DIAS, A. M. et al. Terminação de novilhos Nelore, castrados e não castrados, em confinamento com dieta alto grão. Revista Brasileira de Saúde e Produção Animal, [S. l.], v. 17, p. 45–54, 2016. DOI: 10.1590/s1519-99402016000100005.
PAULINO, P. V. R. et al. Dietas sem forragem para terminação de animais ruminantes. Revista Científica de Produção Animal, [S. l.], v. 15, n. 2, p. 161–172, 2013.