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| INTERAÇÕES MEDICAMENTOSAS ENTRE PLANTAS MEDICINAIS E MEDICAMENTOS ANTI-HIPERTENSIVO | |
| 1TAINA KARINE THOMAZI, 2ANA ELOIZA KUCHARSKI GALVAO, 3VOLMIR PITT BENEDETTI | |
| 1Acadêmica do Curso de Farmácia da UNIPAR 2Acadêmica do Curso de Farmácia da UNIPAR 3Docente da UNIPAR |
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| Introdução: A hipertensão arterial sistêmica (HAS) é uma das principais causas de morbimortalidade cardiovascular, exigindo uso contínuo de medicamentos para seu controle (BRASIL, 2022). Em paralelo, observa-se aumento do consumo de plantas medicinais e fitoterápicos pela população brasileira, muitas vezes sem orientação profissional (OMS, 2019). Essa associação pode gerar interações relevantes, reduzindo eficácia ou potencializando efeitos adversos (DIAS et al., 2016). Assim, investigar o uso concomitante de plantas e anti-hipertensivos é pertinente para a segurança terapêutica. Objetivo: Avaliar potenciais interações entre plantas medicinais e medicamentos anti-hipertensivos em usuários atendidos na farmácia pública do município de Cruzeiro do Iguaçu (PR). Materiais e Métodos: Estudo de campo, quantitativo, descritivo e exploratório. Amostra por 25 participantes entrevistados até o momento. Coleta realizada via questionário estruturado em entrevistas individuais, abrangendo perfil sociodemográfico, diagnóstico e tratamento da hipertensão, uso de plantas medicinais, percepção de risco e orientação profissional. Dados tabulados em planilha e analisados de forma descritiva. Projeto aprovado pelo Comitê de Ética da UNIPAR, CEPEH N°.7.758.797. Resultados (parciais): A maioria dos participantes era do sexo feminino (88,0%) e residia em área urbana (84,0%). Em relação à idade, 44,0% tinham entre 18 e 44 anos, 24,0% entre 45 e 54 anos, 16,0% entre 55 e 64 anos, 12,0% entre 65 e 74 anos e 4,0% acima de 75 anos. Quanto à escolaridade, 40,0% possuíam ensino superior completo, 12,0% ensino superior incompleto, 24,0% ensino médio completo, 4,0% ensino médio incompleto e 20,0% ensino fundamental incompleto, sem participantes que nunca frequentaram a escola ou com ensino fundamental completo. A maior parte apresentava renda mensal entre 2 a 4 salários-mínimos (52,0%), 28,0% de 1 a 2 SM, 12,0% até 1 SM e 8,0% de 4 a 6 SM. Todos os participantes possuíam diagnóstico de hipertensão (100,0%) e estavam em uso de anti-hipertensivos (100,0%). O monitoramento da pressão arterial era realizado raramente por 84,0%, mensalmente por 12,0% e diariamente por apenas 4,0% dos entrevistados. Entre os medicamentos utilizados, os BRA (bloqueadores de receptores de angiotensina II) foram os mais frequentes (64,0%), seguidos de diuréticos (24,0%), inibidores da ECA (20,0%), bloqueadores de canais de cálcio (12,0%), alfa-beta bloqueadores (8,0%) e betabloqueadores (4,0%). Nenhum participante relatou uso de alfa bloqueadores ou outros medicamentos. Dos participantes entrevistados, 52,0% relataram consumir alho, 52,0% utilizaram maracujá, 80,0% indicaram uso de cidreira, 72,0% de capim-santo, 4,0% de cardamomo, 76,0% de carqueja, 68,0% de chuchu, 4,0% de silimarina, 52,0% de capim-limão, 64,0% de cúrcuma e 28,0% de ginkgo. Discussão: Os resultados parciais da presente pesquisa demonstraram elevada prevalência de uso de plantas medicinais entre os participantes hipertensos, destacando-se cidreira (80,0%), carqueja (76,0%), capim-santo (72,0%), cúrcuma (64,0%), alho (52,0%) e maracujá (52,0%). Essa frequência é superior à observada em levantamentos populacionais nacionais, o que pode estar relacionado ao perfil da amostra, predominantemente feminina e urbana, grupos historicamente associados a maior adesão às práticas integrativas. A literatura científica reforça o potencial terapêutico de diversas dessas espécies. O alho (Allium sativum L.), por exemplo, é amplamente consumido na dieta e tem sido associado à redução das pressões sistólica e diastólica, à diminuição do débito cardíaco e à inibição da enzima conversora de angiotensina (BRASIL, 2015). De forma semelhante, o cardamomo apresenta mono e sesquiterpenos, como o terpinen-4-ol e o 1,8-cineol, com efeito hipotensor e vasodilatador (SOUZA et al., 2017). O maracujá (Passiflora spp.), por sua vez, apresenta efeito vasodilatador mediado por polifenóis (SANTOS, 2020). Espécies tradicionalmente utilizadas em forma de chá, como a erva-cidreira (Melissa officinalis), contêm citronelol, composto que promove vasodilatação pela ação direta na musculatura lisa vascular (GOMES et al., 2016). O capim-santo (Cymbopogon citratus) também é fonte de geraniol, neral e mirceno, substâncias capazes de reduzir a resistência vascular por meio da inibição do influxo de cálcio e ativação de receptores muscarínicos cardíacos, induzindo bradicardia (VELAZQUEZ et al., 2017). Contudo, a concomitância entre o uso dessas plantas e de medicamentos anti-hipertensivos pode representar riscos clínicos. Farias (2016) e Carvalho et al. (2021) ressaltam que tais interações dependem da composição fitoquímica e dos mecanismos de ação dos metabólitos secundários. Dessa forma, medicamentos anti-hipertensivos podem ter sua ação reduzida quando associados a plantas de efeito hipertensivo, vasoconstritor ou que promovam retenção de líquidos, e potencializada quando combinados a plantas com efeito hipotensivo, vasodilatador e diurético. Conclusão (parcial): Há elevada prevalência do uso concomitante de plantas medicinais e anti-hipertensivos entre os participantes, muitas vezes sem acompanhamento adequado ou conhecimento sobre possíveis riscos. A continuidade da pesquisa permitirá identificar padrões de interação mais detalhados, fornecendo subsídios para estratégias de educação em saúde e segurança terapêutica. |
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| Referências: BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Hipertensão (pressão alta). Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2022. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/h/hipertensao. Acesso em: 16 set. 2025. DIAS, H. S. et al. Automedicação e fitoterápicos na hipertensão: riscos à saúde. Saúde em Revista, Piracicaba, v. 8, n. 1, p. 10–17, 2016. EFEITOS do Allium sativum L. no tratamento da hipertensão arterial: uma revisão bibliográfica. RECIMA21 – Revista Científica Multidisciplinar, v. 4, n. 7, p. e473519, 2023. DOI: 10.47820/recima21.v4i7.3519. Disponível em: https://recima21.com.br/recima21/article/view/3519. Acesso em: 16 set. 2025. GOMES, L. S. et al. Citronelol e hipertensão: propriedades vasodilatadoras da erva-cidreira. Jornal de Fitoterapia, v. 5, n. 2, p. 101–107, 2016. ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. WHO global report on traditional and complementary medicine 2019. Geneva: WHO, 2019. Disponível em: https://www.who.int/publications/i/item/978924151536. Acesso em: 16 set. 2025. SANTOS, J. T. C. Caracterização de compostos bioativos de maracujá (Passiflora tenuifila) e efeito do seu consumo sobre marcadores bioquímicos e microbiota intestinal em indivíduos eutróficos e obesos. 2020. Tese (Doutorado em Ciências Farmacêuticas) – Faculdade de Ciências Farmacêuticas, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2020. SOUZA, P. R. et al. Interações do cardamomo com a farmacoterapia anti-hipertensiva: uma revisão. Revista Brasileira de Fisiologia, v. 29, n. 4, p. 287–295, 2017. VELAZQUEZ, G. S. et al. Efeitos do geraniol, neral e mirceno na inibição de canais de cálcio: implicações para o tratamento da hipertensão. Journal of Pharmaceutical Research, v. 12, n. 8, p. 556–564, 2017. |
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