QUALIDADE FISIOLÓGICA DE SEMENTES E MORFOFISIOLOGIA DE PLÂNTULAS DE MILHO ORIUNDAS DE SEMENTES TRATADAS COM BIOINOCULANTE E FERTILIZANTE MINERAL  
1MATHEUS DA SILVA TORRES , 2THIAGO ALBERTO ORTIZ
1Discente de Agronomia, PIC, Universidade Paranaense (UNIPAR)
2Professor titular, Orientador, Biotecnologia aplicada à agricultura e Agronomia, Universidade Paranaense (UNIPAR)
Introdução: A cultura do milho é fundamental para o agronegócio brasileiro, com produção estimada em 131,9 milhões de toneladas na safra 2024/2025 e produtividade média projetada de 6.122 kg ha⁻¹ (Conab, 2025). Para alcançar altas produtividades, é essencial garantir germinação eficiente e vigor inicial das plantas, sendo o tratamento de sementes, incluindo bioinoculantes e fertilizantes minerais, uma estratégia promissora para melhorar o crescimento inicial e a eficiência produtiva da lavoura (Costa et al., 2024; Shelar et al., 2024; Correia et al., 2025). A resposta ao tratamento depende do material genético, do tipo de produto e das condições ambientais, sendo, portanto, necessária a investigação da interação entre esses fatores em diferentes cultivares, a fim de otimizar o desempenho inicial da cultura.
Objetivo: Avaliar os efeitos do tratamento de sementes de milho híbrido Morgan® MG593 com inoculante e fertilizante mineral, isoladamente ou combinados, sobre a qualidade fisiológica das sementes e a morfofisiologia das plântulas.
Material e Métodos: O experimento foi conduzido na Universidade Paranaense (UNIPAR), Campus I – Sede, utilizando sementes de milho (híbrido Morgan® MG593), submetidas a quatro tratamentos: ST – sementes sem tratamento (controle); AB – sementes tratadas com 22,75 mL kg⁻¹ do inoculante LALRISE AZOSSC (ingrediente ativo: Azospirillum brasilense, cepa Az39, 5 × 10⁸ UFC mL⁻¹); PA – sementes tratadas com 22,75 mL kg⁻¹ do fertilizante mineral complexo Plenan® Arenito; e AB+PA – sementes tratadas com a combinação dos dois produtos nas mesmas proporções. As doses foram definidas com base nas recomendações dos fabricantes (500 mL ha⁻¹), considerando uma população de 60.000 plantas ha⁻¹. O delineamento experimental foi inteiramente casualizado, com quatro repetições por tratamento. As avaliações compreenderam: teste de germinação, incluindo primeira contagem de germinação (PCG, %) e germinação final (GF, %) (Brasil, 2009); teste de comprimento de plântulas, avaliando comprimento da parte aérea (CPA), comprimento da raiz (CR), massa seca da parte aérea (MSPA) e massa seca da raiz (MSR) (Nakagawa, 1999), além de volume radicular (VR, mm³), área superficial (AS, mm²) e diâmetro médio das raízes (DM, mm), determinados pelo software SAFIRA. O teste de emergência em areia incluiu porcentagem de emergência (EMERG, %), índice de velocidade de emergência (IVE) (Maguire, 1962) e tempo médio de emergência (TME, dias) (Lima et al., 2006). Nesse mesmo teste, foram determinados os parâmetros fisiológicos, incluindo índices de balanço de nitrogênio (NBI), de clorofilas (CHL), de flavonoides (FLAV) e de antocianinas (ANTH), bem como variáveis relacionadas à eficiência fotoquímica: rendimento quântico efetivo do fotossistema II (Y), rendimento quântico máximo do fotossistema II (Fv/Fm), potencial fotoquímico (Fv/Fo), coeficiente de extinção fotoquímica (qP), coeficiente de extinção não fotoquímica (qN), parâmetro de extinção não fotoquímica (NPQ) e rendimento quântico de energia não dissipada (Y[NO]). Os dados foram submetidos à análise de variância (ANOVA), e as médias comparadas pelo teste de Scott-Knott a 5% de probabilidade (p < 0,05), utilizando-se o software Sisvar, versão 5.6.
Resultados: As variáveis que apresentaram diferenças estatísticas entre os tratamentos foram PCG, GF, CPA, CR e TME. O tratamento com A. brasilense potencializou o vigor das sementes, elevando PCG, CPA e CR, embora tenha apresentado maior TME, possivelmente devido ao maior acúmulo de biomassa nas plântulas. O fertilizante mineral favoreceu o CR, sem diferença significativa em relação ao AB isolado, mas apresentou desempenho inferior em PCG e CPA. A combinação AB+PA não apresentou efeito sinérgico, reduzindo PCG e CR em relação ao AB isolado, sendo que GF (87,5%) foi a menor entre os tratamentos, sugerindo possível incompatibilidade entre os insumos. Os resultados evidenciam a importância de avaliar a compatibilidade entre bioinsumos e fertilizantes minerais, destacando o potencial do A. brasilense para otimizar o desenvolvimento inicial das plântulas de milho.
Discussão: Dutra et al. (2025) relataram que bioinsumos no tratamento de sementes melhoram a qualidade fisiológica e o desenvolvimento inicial das plântulas. Correia et al. (2025) não observaram efeito significativo de A. brasilense na germinação de milho (cultivar LG36760), mas destacaram que Bacillus aryabhattai e A. brasilense, isolados ou combinados, favoreceram o crescimento inicial. Conforme Sivarathri et al. (2025), maior acúmulo de biomassa pode atrasar a emergência das plântulas. Zeffa et al. (2019) confirmaram que A. brasilense aumenta o crescimento das plantas, sendo uma estratégia sustentável e economicamente viável para o cultivo do milho. Lerner et al. (2021) observaram que a inoculação com A. brasilense não alterou atributos morfométricos ou variáveis fisiológicas, corroborando os achados do presente estudo.
Conclusão: A inoculação isolada com A. brasilense foi a estratégia mais eficaz para potencializar a qualidade fisiológica das sementes de milho (híbrido Morgan® MG593), enquanto o fertilizante mineral Plenan® Arenito, isolado ou combinado, não apresentou superioridade nem efeito sinérgico.
Referências:
Brasil. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Regras para análise de sementes. Brasília: MAPA, 2009.
Conab (Companhia Nacional de Abastecimento). Acompanhamento da safra brasileira de grãos - Safra 2024/25. Brasília: Conab, 2025. n. 10.
Correia, T. A. L. et al. Interaction of plant growth-promoting bacteria on corn seed germination. Observatório de la Economía Latinoamericana, v. 23, n. 4, e9721, 2025.
Costa, M. P. S. da et al. Germinação e vigor na cultura do milho sob tratamento com bioestimulante para sementes. Brazilian Journal of Animal and Environmental Research, v. 7, n. 3, e71857, 2024.
Dutra, F. B. et al. Bioinput treatments enhance germination and vigor of Mimosa bimucronata seeds. Pesquisa Agropecuária Tropical, v. 55, e82513, 2025.
Lerner, A. W. et al. Inoculation methods of Azospirillum brasilense associated to the application of soil bioactivator in the maize crop. Communications in Plant Sciences, v. 11, p. 67-75, 2021.
Lima, J. D. et al. Efeito da temperatura e do substrato na germinação de sementes de Caesalpinia ferrea Mart. ex Tul. (Leguminosae, Caesalpinoideae). Revista Árvore, v. 30, n. 4, p. 513-518, 2006.
Maguire, J. D. Speed of germination—Aid in selection and evaluation for seedling emergence and vigor. Crop Science, v. 2, n. 2, p. 176-177, 1962.
Nakagawa, J. Testes de vigor baseados no desempenho das plântulas. In: Krzyzanowski, F. C.; Vieira, R. D.; França Neto, J. B. (Orgs.). Vigor de sementes: conceitos e testes. Londrina: ABRATES, 1999. p. 2.1-2.24.
Shelar, A. et al. Nanoprimers in sustainable seed treatment: molecular insights into abiotic-biotic stress tolerance mechanisms for enhancing germination and improved crop productivity. Science of the Total Environment, v. 951, 175118, 2024.
Sivarathri, B. S. et al. Influence of seed-applied biostimulants on soybean germination and early seedling growth under low and high temperature stress. Plant Physiology Reports, v. 30, p. 32-44, 2025.
Zeffa, D. M. et al. Azospirillum brasilense promotes increases in growth and nitrogen use efficiency of maize genotypes. PLoS One, v. 14, n. 4, e0215332, 2019.