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| OBESIDADE E FATORES PSICOSSOCIAIS | |
| 1THIAGO DE SOUZA CHAGAS, 2MAIRA FRASSON CORDEIRO DA SILVA, 3MARIA JULIA MONTEIRO MARCHINI, 4JULIA GALVES ESTRADA, 5LUCIANO SERAPHIM GASQUES | |
| 1Acadêmica do Curso de Medicina da UNIPAR 2Acadêmica do Curso de Medicina da UNIPAR 3Acadêmica do Curso de Medicina da UNIPAR 4Acadêmica do Curso de Medicina da UNIPAR 5Docente da UNIPAR |
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| Introdução: A obesidade é um problema de saúde pública multifatorial que vai além da alimentação e da prática de exercícios, envolvendo aspectos sociais, psicológicos e ambientais. A Lei nº 8.080/1990 já reconhece fatores como moradia, renda, educação e lazer como determinantes da saúde. Estudos mostram que experiências adversas na infância e transtornos psiquiátricos aumentam o risco de obesidade, e que há uma relação bidirecional com a depressão. O ambiente urbano e a desigualdade social também favorecem dietas inadequadas e dificultam a prática de atividades físicas. No Brasil, políticas como a Política Nacional de Promoção da Saúde (2014/2015), o Guia Alimentar para a População Brasileira e o Plano Nacional de Enfrentamento das DCNT 2021-2030 buscam prevenir e controlar a obesidade, promovendo alimentação saudável, atividade física, combate ao tabagismo e integração entre diferentes setores. Estratégias modernas incluem Terapia Cognitivo-Comportamental e uso de tecnologias digitais para mudanças sustentáveis de hábitos. Percebe-se que enfrentar a obesidade exige políticas públicas efetivas, promoção de escolhas saudáveis desde a infância, cuidado com a saúde mental e ações intersetoriais para reduzir sua incidência e melhorar a qualidade de vida da população. Objetivos: Explorar os diferentes aspectos psicossociais afetados pela obesidade, destacando a importância de uma abordagem multidisciplinar no tratamento e na prevenção dessa condição. Desenvolvimento: Com o avanço da medicina, as abordagens de prevenção da obesidade passaram por significativas mudanças, visando reduzir sua incidência e proteger a população. Dessa forma, o artigo 3º da Lei nº 8.080/1990 estabelece que são considerados como elementos influentes e que têm impacto na saúde os seguintes fatores: alimentação, moradia, saneamento básico, meio ambiente, trabalho, renda, educação, transporte, lazer e acesso aos bens e serviços essenciais. No entanto, é importante destacar que há vários fatores que chamam a atenção da comunidade de saúde em relação à obesidade, indo além da dieta e da prática de exercícios. Assim, pacientes com transtornos psiquiátricos, indivíduos expostos ao estresse crônico, pessoas com histórico de abuso ou negligência infantil, e populações em situação de vulnerabilidade socioeconômica são exemplos de grupos de risco. Outro ponto importante a se destacar é a relação do excesso de peso com o ambiente urbano e a desigualdade social. Entretanto, mais importante do que lidar com as consequências da obesidade é prevenir sua ocorrência. Para isso, o Ministério da Saúde publicou em 2014 a Política Nacional de Promoção da Saúde, revisada e ampliada em 2015. Inicialmente, esse programa tinha por objetivos reduzir os fatores de risco associados a doenças crônicas não transmissíveis, como a obesidade, por meio da promoção da alimentação saudável, da atividade física e do controle do tabagismo (PNPS, 2014). No entanto, foi posteriormente complementado pelo Guia Alimentar para a População Brasileira, que é o documento mais completo sobre o tema (Ministério da SaúdeI, 2015). Esse registro destaca a importância da alimentação baseada em alimentos in natura ou minimamente processados, e do combate à publicidade de alimentos ultraprocessados, especialmente entre crianças. Por fim, outro aspecto relevante é que, em 2022, o Brasil lançou o Plano Nacional de Enfrentamento das Doenças Crônicas Não Transmissíveis 2021-2030, que inclui metas específicas para a redução da obesidade em adultos e crianças. Essa iniciativa visa articular ações em diferentes esferas governamentais e promover a vigilância contínua dos indicadores nutricionais. Assim, em regiões como o Sudeste, onde a prevalência de obesidade infantil aumentava rapidamente nas últimas décadas, os indicadores têm apresentado estabilidade com leve tendência de queda (Castro et al., 2022). No entanto, é importante destacar que, apesar dos avanços nas políticas públicas, percebe-se que a obesidade continua sendo uma questão de saúde pública complexa e multifatorial que requer atenção constante. Conclusão: Em suma, percebe-se que a obesidade é um problema de saúde pública que precisa de atenção constante, haja vista seu controle não depende apenas de dieta e exercícios, mas de uma série de fatores sociais e psicológicos que afetam o comportamento das pessoas. Assim, ações como a criação de políticas públicas, o incentivo a hábitos saudáveis desde a infância e o cuidado com a saúde mental são fundamentais. Além disso, o envolvimento de diferentes setores da sociedade, como saúde, educação e assistência social, é essencial para melhorar a qualidade de vida da população e diminuir os casos de obesidade no Brasil. |
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| Referências: ABBADE, Eduardo. Evolução do sobrepeso e da obesidade no contexto dos países da OCDE e no Brasil. Portal Regional da BVS, 2024. Disponível em: https://bvsalud.org. BRASIL. Lei nº 8.080, de 19 de setembro de 1990. Dispõe sobre as condições para a promoção, proteção e recuperação da saúde, a organização e o funcionamento dos serviços correspondentes e dá outras providências. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, 20 set. 1990. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8080.htm. BRASIL. Obesidade: 4 de março. Ministério da Saúde. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/svsa/promocao-da-saude/factsheet-obesidade. BRASIL. Portaria nº 2.446, de 11 de novembro de 2014. Ministério da Saúde. Redefine a Política Nacional de Promoção da Saúde (PNPS). Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, 13 nov. 2014. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2014/prt2446_11_11_2014.html. CASTRO, Inês R. R. de et al. Obesidade infantil no Brasil: revisão sistemática da literatura com meta-análise. Revista Brasileira de Saúde Materno Infantil, v. 22, n. 2, p. 275–288, 2022. Disponível em: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC9432074/. DE-MATOS, L.; MACHADO, P.; HENTISCHKE, F. Aspectos psicológicos relacionados à obesidade: relato de caso. PePSIC, 2020. Disponível em: https://www.pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arrtex&pid=SXXX. DREWNOWSKI, Adam; SPECTER, S. E. Pobreza e obesidade: o papel da densidade energética e dos custos energéticos. Jornal Americano de Nutrição Clínica, v. 79, n. 1, p. 6–16, 2004. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/14684391/. FAITH, Myles S. et al. Adversidade na infância e risco de obesidade: uma revisão sistemática. Revisões sobre Obesidade, v. 12, n. 5, p. e234–e245, 2011. Disponível em: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC7792566/. LUPPINO, Floriana S. et al. Sobrepeso, obesidade e depressão: uma revisão sistemática e metanálise de estudos longitudinais. Arquivos de Psiquiatria Geral, v. 67, n. 3, p. 220–229, 2010. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/20194822/. |
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